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terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Casas Minúsculas

Um novo segmento de mercado nasceu com a actual crise: o segmento das casas minúsculas ou ridiculamente pequenas.


Não acreditam? É verdade... uns compram-nas para colocá-las no jardim onde podem fazer pequenos escritórios, estúdios, quartos extra... ou mesmo transportá-las para casa de férias! A portabilidade impera!

Mas há quem as compre para viver nelas. E casas destas, pequenas, bem pequenas, a rondar 10 m2 (!), podem custar entre USD 40.000 a 50.000, o que vem confirmar a "velha regra": casas mais pequenas, preço por m2 superior. Lembram-se do m2 mais caro do Mundo? Esqueçam, eu estava enganado...

A concorrência, essa é dura e tem já tradição nos Estados Unidos: as auto-caravanas. No entanto, este produto diferencia-se por apresentar melhor qualidade, melhor isolamento e, para todos os efeitos, é mais atractivo! Sem contar com a criatividade!

Bons (mas pequeninos) negócios imobiliários!

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Porto: Construção e Arrendamento


Por Ricardo Guimarães e Francisco Virgolino




Rendas 2,5% mais baixas

Ao longo do 1º semestre de 2010, as rendas de habitação na cidade do Porto continuaram o percurso de decréscimo iniciado em meados de 2009. Desde o 3º trimestre desse ano têm caído sucessivamente, atingindo no 2º trimestre de 2010 uma taxa de variação média anual de -1,2%.

Esses dados advêm do índice de rendas apurado pela Confidencial Imobiliário, calculado com base na informação do portal LardoceLar.com. De acordo com o Índice Ci-Rendas, na cidade do Porto, ao longo do último ano, a taxa de variação trimestral das rendas tem oscilado entre os -0,9% e os -1,4%. Também em termos homólogos a nota tem sido de perda, com o 2º trimestre de 2010 a apresentar uma variação homóloga de -4,1%, a mais baixa de sempre desde o início deste Índice. Este resultado vem agravar aquele se havia observado no 1º trimestre de 2010, período no qual a homóloga havia sido a mais baixa registada até então, situando-se nos -2,5%.


Recorde-se que, com as dificuldades sentidas nas vendas de habitação, as rendas apresentaram um crescimento assinalável. Assim, desde o 3º trimestre de 2007, as rendas foram crescendo até atingirem uma taxa média anual de crescimento de 5,3% no 2º trimestre de 2008, pico após o qual esta tendência se começou a inverter.

A cidade do Porto reflecte reduções de rendas mais acentuadas face ao registo em Lisboa, mas havia apresentado, contudo, um crescimento mais significativo. Em Lisboa as rendas registaram no 2º trimestre de 2008, uma taxa de crescimento médio anual máxima de 4,5%. Já no 2º trimestre de 2010, em Lisboa a taxa de variação média anual do ICi-Rendas foi de 0,0%, mesmo assim acima menos dos -1,2% registados no Porto.

Construção cai 66%

No 1º semestre de 2010, foram licenciados apenas 5 novos projectos de promoção de edifícios de apartamentos na cidade do Porto, um número que, anualizado, representa uma queda de 66% face aos 29 edifícios desta natureza licenciados ao longo de 2008. Quando comparado com o período homólogo, o comportamento é semelhante, com os 5 edifícios licenciados nos primeiros seis meses de 2010 a compararem com os 15 projectos em igual período de 2009, o que traduz uma contracção de 67%.

Esta informação é apurada pela Ci a partir dos elementos que lhe são remetidos directamente pela autarquia do Porto, ao abrigo de um protocolo estabelecido entre ambas as entidades (à luz do que a Ci tem com muitas outras câmaras, como Lisboa, Oeiras, Cascais, Matosinhos, Gaia e Maia).

Tais dados mostram que já em 2009 a dinâmica de promoção nova havia registado uma quebra importante nesta cidade, com o número de edifícios de apartamentos licenciados, num total de 20, a cair 31% face ao ano anterior.

O contexto económico e financeiro actual será uma das principais razões para que o mercado se mantenha contraído, mantendo-se, neste primeiro semestre, um nível de investimento semelhante ao do semestre anterior, quando o número de edifícios novos de apartamentos licenciados na cidade do Porto foi também de 5.

No que respeita ao segmento das moradias, o comportamento do investimento é igualmente de queda. Face a 2008, o licenciamento neste segmento caiu 86% no 1º semestre de 2010 e 77% em 2009.

Avaliando o mercado pelo número de fogos licenciados, as conclusões são semelhantes. Face a 2008, regista-se um decréscimo de 76% no número de apartamentos licenciados e de 86% no que respeita as moradias, tendo em conta o 1º semestre de 2010. Em média, em cada um dos semestres de 2008 foram lançadas obras a rondar os 407 fogos novos, o que compara com os 93 registados no 1º semestre de 2010.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

O Mercado em Imagens - X

Housing Double Dip

O S&P Case-Shiller inverteu a tendência e muitos já assumem como certo um duplo fundo no mercado. Será mesmo assim?


O gráfico seguinte mostra o mesmo. É o índice da Zillow e antecipa também um double dip no mercado norte-americano. Retirei-o de
Seeking Alpha
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Mortgage Rates
Por seu turno, as taxas de juro a 30 anos para financiamento de hipotecas estão em máximos.




Preços a cair, taxas a subir...


Bons negócios (imobiliários)!

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

O Impacto da Regulação no Imobiliário

Muito se tem falado da necessidade de haver maior regulação sobre os mercados financeiros por forma a travar alguma da especulação que neles se encontra. Muitos atribuem (grande) parte das culpas da actual crise à falta de regulação e supervisão adequadas a muitos fundos de investimento e produtos financeiros.

Que impacto pode ter no sector imobiliário, uma regulação mais apertada? Deixo-vos hoje dois exemplos.

Solvency II

A directiva Solvency II é um conjunto de requisitos legais aplicados a companhias de seguros na União Europeia. Para além de outros aspectos, vem prever e legislar sobre a necessidade de capitais face ao risco dos produtos nos quais as seguradoras estão investidos. Ou seja, mais risco, necessidade de mais capital para fazer face a alterações de mercado.

É similar ao Acordo de Basileia, mas aplicado ao sector segurador. E que impacto terá no mercado imobiliário?

Um estudo recente indicava que havia mais de 90 empresas seguradoras com sede na União Europeia e que geriam, globalmente, cerca de € 315 bn. Sabe-se que cerca de 44% destas empresas têm mais de € 1 bn investidos em imobiliário.

O mesmo estudo indicava que 74% das empresas referia que esta nova directiva ia ter um forte impacto junto dos seus investimentos indirectos, ou seja, via fundos de investimento imobiliário. 26% referiam mesmo que a nova directiva ia fazer com que alocassem menos dinheiro ao sector imobiliário.

Tudo depende da forma como é calculado o risco, principalmente o risco no investimento indirecto. Por via do aumento da supervisão junto de fundos de private equity e fundos imobiliários e respectiva categorização do risco deste tipo de veículos, quem neles investe pode vir também a sofrer consequências em termos de necessidades de capital.

Sabe-se que é intenção da União Europeia em estender estes requisitos aos Fundos de Pensões, facto que pode vir a afectar ainda mais os montantes alocados no sector imobiliário por estes importantes investidores.

Alternative Investment Fund Managers (AIFM) Directive

A Directiva AIFM aplica-se aos hedge funds. Tem como objectico regular o investimento em sectores mais alternativos, forçando os gestores destes fundos a prestar mais informação e implementando um conjunto de regras sobre a forma como esses fundos e os seus investimentos devem ser geridos.

O sector imobiliário pode ser incluído nesta directiva, dependendo da forma como os reguladores interpretem o veículo e a forma como o investimento é feito. Na realidade, a Comissão Europeia já veio dizer que os Real Estate Investment Trusts (REIT's), os fundos imobiliários e outro tipo de veículos e joint-ventures sobre investimentos imobiliários, deveriam também ser incluídos nesta directiva. Por seu turno, no Reino Unido, as formas corporativas de investimento imobiliário serão, à partida, excluídas.

O mundo está em mudança. O sector imobiliário também. Por cá, o nosso regulador (CMVM) tem estado e sempre esteve muito quieto e calado relativamente ao sector imobiliário.

Que futuro nos reserva a nossa regulação?

Bons negócios (imobiliários)!

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

O Mercado em Imagens - IX

Muitas comparações se fazem entre a crise do final dos anos 20 e a actual. Mas na dívida pública, as semelhanças são poucas.

Os Estados Unidos, em 1932, tinham uma dívida de 33% do PIB. Em 2009, esse valor situava-se nos 84%. Muitos países seguem o mesmo rumo mas há excepções: África do Sul, Nova Zelândia e Austrália são algumas delas.

Bons negócios (imobiliários)!

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

O Novo PDM de Lisboa



Por João Fonseca
Director
Área de Fundos de Investimento Imobiliário
Orey Gestão de Activos, SGFIM, SA


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Senhoras e senhores, o novo Plano Director Municipal de Lisboa está a chegar. Lentamente, mas a fazer o seu caminho...

No passado dia 10 de Novembro foi aprovada, em reunião pública da Câmara Municipal, a proposta de revisão do PDM de Lisboa (na última versão, alterada em Setembro de 2010), que seguiu posteriormente para a Comissão de Acompanhamento da Revisão do PDM.

Podem encontrar num site específico da Câmara de Lisboa todas as informações sobre a proposta de PDM.

Não me vou debruçar sobre as alterações que o novo PDM vai introduzir, que dão para alimentar este blogue durante várias semanas. Procurarei esclarecer em que fase está o novo PDM e para quando o podemos aguardar.

Retirei do site a figura seguinte, que expõe as diferentes fases do processo de revisão do PDM:

Fonte: http://pdm.cm-lisboa.pt/rev.html#part

Quando entramos no site, aparece imediatamente uma notificação que avisa que o PDM está actualmente em fase de elaboração, e que, até à aprovação final, todos os seus elementos constituintes (regulamento e plantas) são provisórios e poderão ser alterados.

Pela informação disponibilizada no site, verifica-se que o novo PDM já passou por várias das etapas: já recebeu as participações das entidades que compõem a comissão de acompanhamento e outras entidades públicas e especialistas em ordenamento do território, organizações profissionais e parceiros sociais; e já passou também por uma fase de concertação política entre meados de Outubro e Novembro, com todos os partidos e movimentos representados na Câmara Municipal.

Da Comissão de Acompanhamento da Revisão do PDM, para onde foi enviado recentemente, deverá seguir para a fase de discussão pública, a qual deverá decorrer durante o primeiro semestre de 2011, por um período que não pode ser inferior a 30 dias. Todos os cidadãos são convidados a participar nesta fase. A CML tem obrigação de analisar todas as sugestões e pedidos de esclarecimentos apresentados, e é obrigada a dar resposta fundamentada a todos os que invocarem a desconformidade com outros instrumentos de gestão de território, ou com disposições legais e regulamentares aplicáveis, ou a eventual lesão de direitos dos particulares.

Enquanto não for aprovado o novo PDM, e publicado no Diário da República, mantém-se em vigor o actual PDM, que data de 1994. Depois da aprovação da revisão do PDM, os Planos de Urbanização e os Planos de Pormenor agora em vigor mantêm a sua eficácia, desde que o novo PDM o refira expressamente.

Quanto à questão, que penso ser pertinente, sobre o que se vai passar, na fase transitória, com os projectos aprovados pelo regime anterior do PDM, o nº. 1 do Art. 90º do regulamento do novo PDM diz o seguinte: “1. O presente PDML não derroga os direitos conferidos por informações prévias favoráveis, projectos de arquitectura aprovados, comunicações prévias, autorizações e licenças válidas, mesmo que ainda não tituladas por alvará, concedidas pelas entidades administrativas competentes antes da respectiva entrada em vigor.”. Convém chamar a atenção de que se mantêm os prazos definidos na lei, isto é, se os requerentes deixarem caducar uma licença, terão de iniciar outro processo de licenciamento à luz do novo PDM.

E agora, uma one million dollar question: qual o prazo para a entrada do novo PDM em vigor? Como vimos, ainda falta a fase de discussão pública, seguida de elaboração de parecer final, aprovação, apreciação final de controlo, registo/rectificação e, finalmente, publicação... Devemos ter, na melhor das hipóteses, mais um ano pela frente, pelo que o novo PDM de Lisboa não deverá entrar em vigor antes de meados de 2012. Solicito e agradeço os comentários e esclarecimentos de quem esteja melhor informado sobre esta questão.

Depois de aprovado, logo veremos se o novo PDM de Lisboa permitirá que se façam... bons negócios imobiliários!

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Um Mediador que é um Poeta

Há dias li uma notícia no Sol Online que referia que os mediadores imobiliários da zona de Brighton, em Inglaterra, estavam a aprender poesia.

Pensei para mim: «Que diversificação! Ninguém compra casas, toca de arranjar outra actividade...»

Mas não... esses mediadores estão a aprender poesia como forma de melhorar as suas técnicas de venda. É verdade! Ao que parece, um mediador poeta passa melhor a prosa (ou será poesia?) da venda da casa que um outro que não seja poeta.

De tal forma este assunto é sério que já tem de existir um dicionário para decifrar o que os mediadores dizem (já antes devia ter havido, digo eu...). Se não acreditam, vejam este exemplo:

Mediador: «A primeira coisa que os olhos vêem é o encontro do céu com o mar que, como velhos camaradas, partilham um abraço».
Tradução: vista para o mar.

Genial, não acham?

Bons negócios (imobiliários)!