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terça-feira, 31 de maio de 2011

Uma chuva de dinheiro

Há dias ouvia nas notícias, num comício do Bloco de Esquerda, o Dr. Francisco Louçã a dizer que iria chover «rrrrrios de dinheiro». (Nota: quando lerem, terão de o fazer com o mesmo som que o Dr. Louçã diz os rrrr's, senão não tem o mesmo efeito, para além de perder toda a piada).

Seriam pois «rrrrrios de dinheiro» mas nada iria para o bolso dos Portugueses. Ia para a Banca, para o buraco do BPN mas nada para o Zé Povinho.

Lia outro dia uma notícia intitulada «it's pouring money into real estate», quase como que anunciando o fim da crise e da secura de investimento em commercial real estate nos Estados Unidos. Por cá, na Europa, o sector imobiliário cotado, nos próximos 5 anos, só subirá, que nem foguetão em direcção à lua.

Por aqui, por Terras Lusitanas, ouvia outro dia o Dr. Paulo Sousa da CGD a referir que o mercado bancário, em Portugal, teria de entrar num processo de desalavancagem. Com perto de 50% dos empréstimos concedidos concentrados em crédito habitação, e a acrescer mais alguns pontos em crédito à construção, o mercado deveria deslavancar e o sector bancário redireccionar a sua actividade para o que fazia antigamente: financiar negócios, financiar empresas, financiar a economia. Como? O mistério permaneceu sem grande (ou mesmo nenhuma) explicação.

Mas mesmo assim, o sector bancário concede mais de € 470 milhões por mês de crédito à habitação. São quase € 5,5 mil milhões (!) por ano. Repito, 5,5 mil milhões de euros. É caso para dizer: chovem «rrrrios de dinheiro» no crédito habitação em Portugal. Existem «rrrrios de dinheiro» no imobiliário em Portugal e eu ando distraído!

Este meu singelo artigo, com um carácter um pouco mais jocoso, tem alguma razão de ser. Parece-me que continuamos a viver agarrados a fórmulas antigas. Temos em frente equações novas mas insistimos no mesmo sistema e usamos as mesmas fórmulas. Não pode ser! A continuar a sê-lo, garanto-vos que esses «rrrrrrios de dinheiro», num instante, se tornarão na maior seca que Portugal alguma vez já viveu.

Bons negócios (imobiliários)!

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Arrendamentos Antigos não Habitacionais – Oportunidade Para a Cura de um Cancro Social



Por Francisco Silva Carvalho
PTSM - Advogados







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O acordo alcançado entre o Estado Português e o FMI, BCE e Comissão Europeia abriu novas portas para resolver, de uma vez por todas, o verdadeiro cancro moral, social e imobiliário que são os arrendamentos antigos.

Neste artigo, para corresponder à brevidade e síntese exigida, centro-me na problemática dos arrendamentos para fins não habitacionais.

Como é sobejamente sabido, e tem vindo, por fim, a ser opinião consensual e recorrente de grande parte dos envolvidos no comércio imobiliário (proprietários, promotores, construtores, prestadores de serviços, e mesmo de uma parte dos inquilinos), os arrendamentos antigos constituem a razão principal da degradação do nosso parque urbano e o entrave definitivo a qualquer solução de reabilitação do mesmo.

A manutenção de uma situação de vinculação, por tempo indeterminado, dos senhorios nos arrendamentos para fins não habitacionais é especialmente aberrante pelas seguintes razões:

- Porque são arrendamentos tendencialmente “eternos”: se a solução dos arrendamentos antigos passar, como refere o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, por uma “renovação geracional” (i.e., pela morte dos inquilinos antigos), estes arrendamentos não o permitem, uma vez que se tratam de entidades jurídicas que permanecem “vivas” por tempo indeterminado;

- Porque a injustiça social, que é geral em todos os arrendamentos antigos, uma vez que coloca sobre os proprietários o ónus da protecção social dos inquilinos, neste caso é clamorosa e absolutamente revoltante, não se vislumbrando qualquer justificação social (ou de qualquer outra índole) para que alguém suporte e financie, a seu custo e prejuízo pessoal, os negócios e as empresas de terceiros;

- Porque são arrendamentos que, com as suas rendas economicamente insignificantes, causam, diariamente, por toda a parte e em particular nas zonas mais nobres e caras das cidades, prejuízos concorrenciais incalculáveis a todos os empresários e prestadores de serviços com actividades semelhantes às prestadas por esses arrendatários antigos (pastelarias, restaurantes, lojas, escritórios de advogados, médicos, arquitectos, etc.);

- Porque, numa altura em que os olhos do País em crise se voltam para o turismo como principal tábua de salvação, os arrendamentos não habitacionais antigos prejudicam-no gravemente, deformando as zonas históricas da cidade, impedindo a instalação de um comércio de qualidade e a regeneração das fachadas dos prédios respectivos;

- Porque a actualização possível das rendas ao abrigo do NRAU, para além de se efectuar faseadamente ao longo de um inexplicável período de 5 anos em que, cada ano, não pode haver um incremento mensal de 75€, está limitada a um limite administrativo de 4% de um valor patrimonial substancialmente inferior ao valor de mercado do imóvel (devido ao “coeficiente de vetustez, que, cegamente, retira grande parte do valor dos imóveis antigos, que são justamente os que têm rendas antigas!);

- Porque, na negociação com arrendatários antigos (eg. para aquisição de um imóvel), num número significativo de casos, o arrendatário não habitacional impossibilita qualquer tentativa razoável de acordo, exigindo, em contrapartida pela rescisão do seu contrato, montantes desproporcionados que inviabilizam o investimento no imóvel.

A denominada “Troika” diagnosticou o problema e imediatamente traçou um conjunto de linhas gerais de reforma da reabilitação urbana e do arrendamento urbano que têm de ser aprovados e submetidos à Assembleia, imperativamente, até ao final do 3.º e 4.º trimestres do corrente ano, respectivamente.

O documento não especifica as medidas que devem ser adoptadas no que respeita a estes arrendamentos, deixando margem ao legislador nacional para a concretização de um objectivo principal: “garantir um equilíbrio de direitos e obrigações dos senhorios e inquilinos”.

Para restabelecer esse equilíbrio nos arrendamentos não habitacionais, propomos uma simples medida que, a nosso ver, sem custo, tornará possível alcançar grandes resultados num muito curto intervalo de tempo:

- permitir, à semelhança do que sucede nos arrendamentos não habitacionais de prazo indefinido celebrados após o NRAU, que o senhorio denuncie o contrato com um determinado prazo de antecedência e reduzir esse prazo de 5 (art. 1.101.º, al. c) do Código Civil) para 1 ou 2 anos, de forma a alcançar, num prazo razoável, os objectivos propostos.

Durante este período, o senhorio poderia proceder de imediato à actualização da renda anual para o valor actualmente aplicável, i.e., os referidos 4% do valor patrimonial, ou, inclusivamente, para um valor inferior, mas que permitisse, desde já, terminar imediatamente uma situação de puro parasitismo que carece de qualquer justificação.

Esta possibilidade de denúncia permitiria, desde logo, a renegociação dos contratos em curso, quando os negócios subjacentes tivessem a viabilidade necessária, possibilitaria aos senhorios maior disponibilidade de fundos para recuperar os edifícios e permitiria a instalação, nos locais que ficassem desocupados, de comerciantes ou prestadores de serviços cuja qualidade dos bens que transaccionam estivesse de acordo com a importância da zona ou do imóvel que arrendam.

Assim o legislador seja justo e o permita, desejo a todos, como sempre, bons negócios imobiliários!

terça-feira, 24 de maio de 2011

Mercado de Habitação - perigos vs. oportunidades


Por João Nunes
Director-Coordenador de Consultoria
Colliers International







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Há algumas semanas tomei conhecimento da história do Ricardo (nome fictício). É um veterinário na casa dos 30 anos que concluiu a sua licenciatura há aproximadamente dez anos. Ficou sem emprego há aproximadamente 1,5 anos e nos meses seguintes tentou sem sucesso arranjar outro trabalho.

Apareceu-lhe uma oportunidade de trabalho no Brasil e sem hesitar, fez as malas e abraçou de corpo e alma o novo desafio. Aparentemente foi daqueles que teve sorte. Bem recebido no Brasil o seu trabalho de veterinário tem sido reconhecido e a vida começou-lhe a correr bem. Vive numa casa arrendada, com renda razoável e não quer voltar a ouvir falar em comprar uma casa nos tempos mais próximos.

Entretanto, com a saída apressada de Portugal, Ricardo atrasou as prestações da casa. Entrou em incumprimento. O Banco tentou entrar em contacto com o Ricardo mas não conseguiu. Por fim os serviços de contencioso, através de uns familiares, conseguiram o seu contacto.

Ricardo recebeu com um misto de emoções a chamada do banco. O assunto magoava-o e preocupava-o. Tinha uma série de prestações em dívida. A casa que estava à venda há muitos meses não se transaccionava. Potenciais interessados não conseguiam arranjar financiamento bancário. Ricardo tinha pago as prestações durante quase dez anos. Este facto dava alguma “margem” para a resolução do assunto. Foi-lhe feita uma proposta para entregar a casa ao banco como dação em pagamento. Ricardo ficaria com toda a sua situação financeira e bancária regularizada em Portugal. O seu nome deixaria de constar na “lista negra” do banco de Portugal”. Ricardo aceitou. A solução permitia libertar-se de problemas e recordações muito amargas. Permitia também deixar o passado “limpo” e concentrar-se no que lhe está a correr bem na vida. No banco também ficaram contentes. Conseguem vender a casa assegurando um financiamento de 100 % ao novo comprador. Com um preço “simpático” e 100% de financiamento, é relativamente fácil encontrar novos compradores à procura de “oportunidades”.

O caso do Ricardo não é único e actualmente existem centenas de “Ricardos” por mês. Eles constituem uma percentagem elevada nos casos de dação em cumprimento que os Bancos hoje registam. Nem todos conseguem o sucesso no estrangeiro, nem todos emigram. Nem todos têm a possibilidade e as condições de fazer este tipo de acordos com a Banca. Há casos piores e mais dramáticos (para os particulares e para os Bancos).

Porque escolhi então contar esta história, aqui e agora? Porque acho que ela nos permite fazer reflectir sobre os erros do passado em termos de política habitacional em Portugal. Simultaneamente permite-nos ter consciência de que o adiar das soluções lógicas e racionais tem um custo. E são “os Ricardos” (apenas alguns dos) que estão a pagar esse preço.

O mercado de habitação tem actualmente um problema incontornável que é o da dificuldade de obtenção de crédito para compra de casa própria. Existem vários “acordos” entre compradores e vendedores para aquisição de habitação, quer nova quer usada. Mas para que se possa dar cumprimento a esses acordos é necessário financiamento bancário ou a venda da anterior casa (e para a qual o comprador também precisa de financiamento).

Esta travagem muito brusca, demasiado rápida, do financiamento reduziu muito o mercado de compra e venda de habitação (nova e usada).

O drama é que a alternativa que o “Ricardo” teve no Brasil, no nosso país, quase não existe. O mercado de arrendamento habitacional é residual e pouco expressivo. O problema, actualmente, reside do lado da oferta. Existe um incumprimento relevante do lado dos inquilinos, o sistema judicial não assegura que os senhorios sejam ressarcidos dos prejuízos em tempo útil e a posição deste em termos contratuais não é equilibrada.

Esta situação traduz-se num prémio de risco considerável que os senhorios colocam nas rendas. Assim a oferta no mercado de arrendamento regista preços elevados e muitas vezes é constituída por imóveis de qualidade sofrível.

A actual conjuntura económica, a redução significativa do acesso ao mercado de compra e venda, tornaram imperioso o desatar do “nó górdio” no arrendamento habitacional em Portugal.

As pessoas vão precisar de habitação para viver. Financiar a aquisição de habitação própria não parece ser viável ou desejável para o país. O endividamento dos particulares já é muito elevado e deve-se, em grande medida, à compra de habitação própria.

Um das soluções lógicas e racionais passa pela dinamização do mercado de arrendamento através de leis equilibradas e equitativas em que a redução do risco associado permita a diminuição das rendas e a entrada de mais (e melhores) imóveis no mercado.

Os benefícios económicos são incontestáveis. Contribui para reabilitar o centro das cidades, para criar emprego, para dinamizar o investimento, para tornar o mercado do trabalho mais flexível (através da mobilidade das pessoas, etc.). Voltando ao exemplo do Ricardo, se tivesse tido a opção de arrendar casa, será que tinha comprado casa?

Durante décadas, talvez de forma mais acentuada nos últimos meses, inúmeros técnicos, consultores e agentes do mercado têm apontado o problema e apresentado soluções. Mas a verdade é que as várias alterações que se seguiram ao “congelamento das rendas de Salazar em 1949” tiveram mais efeitos semânticos que práticos. E a prova desse facto é que o mercado de arrendamento continua “sem funcionar” de forma minimamente aceitável.

A “troika” que esteve recentemente em Portugal percebeu este problema. O programa acordado com o governo português inclui vários pontos que dinamizarão o mercado de arrendamento habitacional (agilização de despejos em casos de incumprimento, equilíbrio de posição contratual senhorio-inquilino, aumento do IMI e por essa via deixar de compensar manter as casas fechadas, etc). São medidas “horizontais” que empurram para o empreendorismo, para o fomento da mobilidade das pessoas, etc. Mas eleitoralmente, podem custar “votos”? Sem dúvida, vai ser precisa coragem política.

É que a implementação do acordo terá se ser feita pelos (próximos) dirigentes políticos portugueses. E aqui entra o receio e a expectativa. Receio de se voltar a produzir legislação formalmente muito “bonita” mas sem efeitos tangíveis como o que foi prática corrente nas últimas décadas em matéria de arrendamento habitacional. Expectativa porque desta vez existe alguém do exterior a “verificar o que é feito”. E também porque o país e os “Ricardos” precisam e merecem essa “coragem”.

Enquanto esperamos, nestes tempos excepcionais que vivemos é preciso ter uma “mentalidade oriental”. Na sua milenar sabedoria a palavra “crise” em chinês, é representada por dois ideogramas. Um significa “PERIGO” e outro significa “OPORTUNIDADE”. Os nossos sentidos devem estar alerta quer para reconhecer e evitar os perigos quer para poder aproveitar as oportunidades únicas que se nos deparam. Esperemos que os legisladores e decisores políticos também.

Boas oportunidades (imobiliárias) para todos.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

terça-feira, 17 de maio de 2011

Mercado de Escritórios com queda de 20% em 5 anos


Deixo-vos hoje o Prime Watch, o 1º relatório do mercado de escritórios de Lisboa da B. Prime, powered by Out of the Box.
É o 1º market report feito por Out of the Box para uma consultora portuguesa. É, para mim, a prova que há espaço no mercado para um research especializado, isento e independente, de cariz imobiliário e financeiro. Parabéns B. Prime e obrigado pela confiança!

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RECESSÃO DA ECONOMIA PORTUGUESA DITA TENDÊNCIAS NA ABSORÇÃO DE ESCRITÓRIOS


De acordo com a primeira análise da consultora B. Prime, as rendas de escritórios têm tido um comportamento misto. No ano de 2010 as rendas prime não apresentaram grandes variações, à luz do que tem vindo a acontecer ao longo dos últimos 6 anos, com pequenas oscilações de zona para zona. A renda prime de Lisboa é agora de € 19,6 por m2, enquanto para as rendas médias, o cenário é mais volátil e diferenciado por zonas.

Dos 234 negócios realizados em 2010 houve uma preferência por áreas usadas, menores e mais económicas, atingindo-se um valor médio de 451,6 m2 por transacção. Na realidade, o mercado concentrou quase 70% das ocupações em escritórios até 1,500 m2, sendo que quase 50% dos negócios foram efectuados para áreas até 800 m2.

Quase 50% das ocupações foram contratadas por rendas até €14 por m2, representando um máximo histórico. Mais de 80% das ocupações foram arrendadas por um valor até €16 por m2. Nunca o mercado de escritórios tinha concentrado tantos negócios de arrendamento por valores tão reduzidos.

Em 2010, a preferência por negócios de arrendamento em detrimento da compra foi esmagadora, face aos anos transactos, com os primeiros a representarem 95,2% do total dos negócios.

As crescentes restrições ao crédito e um mercado em que os principais clientes finais são multinacionais que privilegiam a flexibilidade das soluções para espaços que ocupam, antecipam um cenário em que esta tendência seja ainda mais expressiva no curto e médio prazos.

Tendências do Mercado para 2012

Estima-se que até 2012 entre no mercado uma área adicional de 90,462 m2 de novos escritórios, fazendo assim aumentar o stock para mais de 4,536 milhões de m2. As zonas 2 e 3 serão aquelas que observarão maior crescimento na oferta com mais de 70% do total.

Apesar do novo stock estar abaixo dos valores registados em anos transactos, existe ainda um grande desfasamento entre oferta e procura. O ano de 2010 registou o maior peso de oferta nova a entrar no mercado, face ao stock existente (2,2%), tendo tido maior incidência na zona 5. O ano de 2011 ainda registará um aumento no stock de 1,4%, com maior incidência nas zonas 2 e 3.

Desde 2008, estas zonas acumulam uma absorção líquida positiva de pouco mais de 5,000 m2 e um diferencial entre procura e oferta superior a 35,000 m2 negativos. Por outro lado, em 2010 praticamente só se colocou área usada em detrimento de espaços novos, corroborado pelo crescente diferencial entre as rendas prime e médias (32,2% e 27,3% para as zonas 2 e 3, respectivamente).

Mantendo-se esta tendência, o desfasamento entre procura e oferta nestas zonas poderá agravar-se negativamente e os novos escritórios poderão ter de praticar rendas inferiores ao expectável, caso continue a prevalecer a opção por escritórios usados, de menor qualidade e com rendas mais baixas.

O comportamento do mercado será ditado, fundamentalmente, pelo nível de ocupação líquida, muito dependente do estado da economia. Mesmo que em 2011 a absorção de escritórios se mantenha aos níveis actuais, é importante que a absorção líquida suba. Para tal, será necessário que não hajam falências/fechos ou downsizing de empresas. No entanto, a actual conjuntura não parece ser favorável a este cenário.


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Notas

Definição de zonas LPI
Os consultores que constituem o Lisbon Prime Índex, acordaram numa única definição de zonas de serviços de Lisboa, conforme indicado:
Zona 1: Eixo da Av. da Liberdade à Praça do Saldanha
Zona 2: Eixo da Praça do Saldanha a Entrecampos e Amoreiras
Zona 3: Eixo da 2ª Circular ao Campo Grande, incluindo Praça de Espanha / José Malhoa
Zona 4: Eixo ribeirinho da Av. 24 de Julho / Restauradores / Almirante Reis
Zona 5: Recinto do Parque das Nações
Zona 6: Eixo da Auto-estrada A5 de Miraflores a Paço D'Arcos
Zona 7: Restantes zonas não especificadas anteriormente.

Sobre a B. Prime
A B. Prime é uma consultora imobiliária portuguesa com sede em Lisboa, presente no mercado desde 2009, que representa proprietários, utilizadores, promotores e investidores em todo o processo imobiliário. Entre os seus serviços contam-se a venda e arrendamento de imóveis, serviços empresariais prestados em representação de clientes e multinacionais do sector, consultoria de investimento imobiliário, serviços de avaliação, consultoria & Research e reabilitação de espaços.
A B. Prime é uma empresa com certificação RICS – Royal Institution of Chatered Surveyors.
Para mais informações dirija-se a www.bprime.pt.

sábado, 14 de maio de 2011

Correlação entre acções e imobiliário

Uma das motivações dos investidores em investir em imobiliário sempre foi, segundo aprendi, poder diversificar. O imobiliário sempre foi visto como um activo com rendimentos estáveis e relativamente seguros, com menos volatilidade, um bom hedge relativamente à inflação tendo um efeito diversificador numa carteira de investimentos.

É, por isso, curioso verificar o efeito desta crise na correlação entre acções e imobiliário. Se o imobiliário é mais estável, menos volátil, mais seguro, seria de prever uma correlação entre acções e imobiliário abaixo de 1. Se o mercado accionista sobe, o imobiliário não sobe tanto mas se o primeiro desce, o segundo também não desce tanto.

O gráfico que hoje vos deixo mostra que no pico da crise, a correlação entre as duas classes de activos foi muito próxima de 1. Agora esse valor começa a descer novamente, procurando atingir valores mais próximos daquilo que a teoria e a história sempre nos ensinou. Mas, mesmo assim, ainda estamos bem acima dos valores máximos verificados em 1993 e 2007.


Bons negócios (imobiliários)!

terça-feira, 10 de maio de 2011

Uma ideia de habitação para Portugal

Como todos sabem, foi anunciado a semana passada o pacote de ajuda da Troika para Portugal. Desse pacote, fazem parte algumas medidas importantes para o mercado imobiliário e, mais concretamente, para o sector da habitação em Portugal.

Do que li do memorando, grande parte das medidas que nos são impostas, são apresentadas num sentido lato, dando liberdade ao futuro Governo de escolher a melhor forma de as implementar.

Estamos a viver momentos históricos e podemos escolher entre fazer parte da história ou ela fazer parte de nós. Enquanto Portugueses e profissionais deste mercado, podemos escolher entre ter uma posição mais participativa ou de maior expectativa.

Eu escolho fazer parte da história. Por isso mesmo, desafiei o João Fonseca, o Rui Bexiga Vale e o Francisco Silva Carvalho a juntarem-se a mim no sentido de desenvolvermos algumas propostas simples e concretas para apresentar ao futuro Governo. Convido-vos a todos vós, agora também.

O objectivo é simples: partindo do memorando do FMI e das propostas que dele constam sobre 1) taxação em sede de IMI e IMT, 2) medidas para o mercado de arrendamento habitacional e 3) medidas para sector da reabilitação urbana, listar um conjunto de propostas simples, concretas e exequíveis. Todos estão convidados a enviar as suas propostas através de e-mail para think@outofthebox.com.pt.

A data limite para recepção das propostas é o dia 3 de Junho, o último dia útil antes do dia das eleições. Todas as propostas serão revistas por nós e as que nos parecerem mais adequadas constarão de um documento que será apresentado ao futuro Governo. As vossas propostas deverão vir identificadas.

Contamos convosco! Portugal (só) depende de nós!

Bons negócios (imobiliários)!

quarta-feira, 4 de maio de 2011

O impacto das medidas do FMI

Tive acesso ao memorando do FMI que li, com maior enfoque no que ao imobiliário diz respeito. Naturalmente, as principais implicações no mercado imobiliário estão no sector da habitação. Ter casa vai ficar mais caro.

O objectivo para o sector da habitação passa por, e transcrevo, «improve households' access to housing: foster labour mobility; improve the quality of housing and make better use of the housing stock; reduce the incentives for households to build up debt».

O mercado de arrendamento deverá sofrer alterações legislativas, já a partir do 3º trimestre de 2011, nomeadamente prevendo limitações na transmissão dos arrendamentos a descendentes, revisão do esquema de crescimento e controlo das rendas, redução do prazo de pré-aviso de término de contratos para os proprietários e agilização de despejos por falta de pagamento de rendas para um prazo máximo de 3 meses.

Adicionalmente, o arrendamento habitacional deverá ser potenciado, nomeadamente através da limitação das deduções fiscais com rendas e juros de crédito habitação. O pagamento de capital não terá, sequer, qualquer direito a dedução. Imóveis devolutos verão um acréscimo de fiscalidade.

A fiscalidade no sector deverá aproximar-se mais de uma tributação em sede de IMI, e menos em sede de IMT.

As isenções de IMI terão de ser substancialmente revistas já para 2012 e no final desse ano, o Governo deverá ter já procedido a uma reavaliação dos activos imobiliários no sentido de recolher mais receita fiscal e aproximá-los de um valor de mercado.

A revisão do IMI, para 2012, terá de representar um acréscimo de receita fiscal de € 250 milhões. Já a revisão do valor dos imóveis em 2013, para efeitos fiscais, deverá significar um acréscimo de receita fiscal de € 150 milhões.

Por fim, diz o documento que o Governo deverá proceder a uma profunda revisão do sector da habitação com o apoio de experts de reputação internacional. Nós, por cá, pelos vistos não devemos perceber lá grande coisa disto...

Provavelmente não servirá de muito, mas aqui fica mais uma simples proposta (para além de outras que poderiam ter sido pensadas): permitir que as mais-valias da venda de habitação própria e permanente possam ser reinvestidas (sem haver lugar a tributação) em contratos de arrendamento habitacional para habitação própria e permanente ou para o investimento em habitação para arrendamento (buy-to-let).

Acredito que não será por isto que deixaremos de fazer... bons negócios (imobiliários)!

terça-feira, 3 de maio de 2011

Imobiliário do Estado: rentabilização ou desorçamentação?

Notícia dos últimos dois dias, ao que parece já não existe dinheiro para comprar mais imóveis públicos. Antes de mais, permitam-me recordar aquilo que já escrevi sobre este tema:

Estado Português gasta ou ganha com Imobiliário?

Rentabilizar o Imobiliário do Estado

Em suma, o que foi feito foi o seguinte:

- O Estado vendeu a uma empresa pública (leia-se, a si próprio) imóveis por si ocupados, passando a pagar uma renda durante um dado período, por contrapartida do recebimento de uma determinada verba;

- Essa verba, paga pela empresa pública adquirente (ou seja, pelo Estado) é financiada por terceiros (bancos e outros financiadores).

Na prática não existe nenhuma estratégia de rentabilização. Existem apenas dois objectivos: desorçamentação e alavancagem indirecta.

Agora, que as maiores empresas públicas têm um rating de junk, elas próprias não têm forma de financiar a aquisição desses imóveis, pelo que o programa de desorçamentação por via da venda de imóveis está em risco...

Será que agora podemos começar a pensar (um bocadinho, pelo menos) out of the box?!

Bons negócios (imobiliários)!