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terça-feira, 29 de novembro de 2011

O que fazer para “fazer acontecer” a regeneração urbana?


Por José Carlos Marques da Silva
Managing Partner da Strategy XXI e Membro do Conselho Consultivo para a Regeneração Urbana da CIP – Confederação Empresarial de Portugal







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Em poucos momentos da história recente, a prioridade à regeneração urbana e à revitalização das cidades, enquanto catalisadores da atividade económica e da competitividade territorial, terá reunido tanto consenso entre nós. É chegada a hora da regeneração urbana ocupar o seu lugar na definição de um novo modelo de desenvolvimento. Precisamos desse contributo para uma nova definição estratégica, para uma nova visão e ambição da nossa competitividade territorial, sem o qual o horizonte continuará pesado e sem esperança, com prejuízo para o sector da construção, para cada um de nós e para o País no seu conjunto.

Mas o que falta afinal fazer para “fazer acontecer a regeneração urbana”? Porque persistem, ainda, dificuldades, barreiras e entraves a uma verdadeira prioridade à regeneração entre nós?

Creio que para “fazer acontecer a regeneração urbana” é preciso que o Estado, enquanto regulador ao nível central e local, assuma o seu papel na criação das condições que ajudem a estruturar a dinamização do mercado da habitação (e a sua liberalização) e os privados tenham um tratamento adequado e previsível nas suas decisões de investimento em matéria de regeneração urbana.

Apesar desse caminho, aparentemente consensual, constrangimentos vários, limitações administrativas, quadro fiscal desadequado, burocracia asfixiante, custos de contexto, enviesamento na afetação de recursos, dificuldades na agregação e estruturação da oferta e interesses instalados que capturam o Estado e dele se servem, estarão certamente entre as maiores barreiras a vencer para “fazer acontecer a regeneração”.

Precisamos, urgentemente, que o atual momento que vivemos seja invertido e transformado numa oportunidade para nos superarmos e procurarmos novos caminhos, mais sustentáveis e equilibrados na afetação de recursos. A regeneração deverá ser um desses caminhos.

Avizinham-se marcos importantes para uma nova dinâmica da regeneração urbana. Devemos pois concentrar as atenções nos aspetos que se afiguram mais críticos:

- Alteração à lei do arrendamento urbano (Lei nº 6 de 2006) que garantam obrigações e direitos equilibrados aos senhorios e inquilinos;
- Tributação de bens imóveis, revisão que aponte no sentido de nivelar os incentivos ao arrendamento com os da aquisição de habitação própria;
- Acesso a novas formas e instrumentos de financiamento para o mercado da regeneração urbana;
- Estruturação e integração da oferta à volta de redes de empresas e parceiros;
- Adequação da articulação dos sectores público-privado que deve ser tida em conta também no âmbito da reforma administrativa em curso;
- Adequação da política de gestão e utilização dos solos;
- Definição de uma política integrada para as cidades, que promova a valorização e a competitividade do território;
- Facilitação do acesso a redes de conhecimento e saber fazer internacional em matéria de regeneração urbana.

Se formos capazes de definir um caminho, que nos permita ultrapassar estes e outros desafios, estaremos a contribuir para uma melhoria muito relevante da nossa qualidade de vida e para um modelo de desenvolvimento mais sustentável. Para fazer acontecer a regeneração urbana precisamos de uma visão e de lhe conferir a mais do que justificada prioridade estratégica.

Vamos fazer acontecer a Regeneração Urbana!

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Quanto vale o Curry Cabral?

Na sequência da notícia saída há uns dias e do meu comentário aqui no blog, fiz umas pequenas contas para procurar determinar um potencial valor de mercado do Hospital Curry Cabral.

Se bem se lembram, saiu uma notícia no Correio da Manhã a referir que o valor de mercado do Hospital Curry Cabral era de € 150 Milhões. A notícia estava repleta de erros técnicos, multiplicando um preço de venda residencial com área de terreno.

Recebemos aqui vários comentários com propostas de valor. Na sequência desses comentários, achei que podia ser interessante desenvolver uma metodologia de avaliação com base nalguns pressupostos para encontrar um potencial valor de mercado para o Curry Cabral. E assim fiz!

Hoje deixo-vos um modelo suportado num conjunto de pressupostos assumidos e que procurei apresentar e explicar de forma muito simples. Obviamente, todos os pressupostos levantados carecem de muito maior aprofundamento. Não foi minha intenção desenvolver qualquer estudo ou mesmo avaliação do imóvel, apenas procurar encontrar um potencial valor com base em dados, pelo menos, com menos erros que os apresentados na notícia do Correio da Manhã.

Independentemente disso, nesta minha simulação, o Hospital Curry Cabral valeria € 31,28 Milhões. Bastante menos que os € 150 Milhões apresentados na tal notícia...

Resta saber se, a esse preço, seria ou não um bom investimento. Alguém quer opinar?

Bons negócios (imobiliários)!

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

10 regras de ouro no buy-to-let (5)

Chegamos a metade das regras de ouro no buy-to-let e hoje vou falar-vos de uma que, provavelmente, se torna a mais sensível: definir um preço máximo a pagar.

Neste momento, e tendo cumprido as primeiras 4 regras de ouro, é possível a qualquer investidor definir um limite máximo de preço a pagar por uma casa, senão vejamos:

- Defini a minha rentabilidade-objectivo, sabendo desde já como calculo o valor de uma yield;

- Conheço bem o mercado, logo sei bem que rendas irei conseguir cobrar no meu investimento;

- Também sei que da relação entre renda e yield resulta o valor do imóvel.

O gráfico seguinte ilustra a relação entre preço e renda para uma yield pré-definida de 6%. Se eu pretendo ter uma rentabilidade bruta e nominal de 6%, e para uma determinada renda que irei ser capaz de cobrar, consigo determinar o preço máximo a pagar:


Pergunta que normalmente me fazem: e se só houver casas à venda por preços superiores ao meu preço máximo? Resposta simples: não invisto! Lembrem-se do princípio da rentabilidade objectivo: ela parte do princípio do custo de oportunidade, tendo um investimento alternativo que me renda, no mínimo, o mesmo, então não justifica tomar a decisão de investimento.

Tendo definido esse custo de oportunidade em 6%, e só sendo capaz de obter uma rentabilidade abaixo desse valor, nesse caso é preferível manter os meus investimentos ou olhar para outros alternativos, em vez de tomar decisões erradas.

Bons negócios (imobiliários)!

terça-feira, 15 de novembro de 2011

O mercado imobiliário da Malásia

Floresta de um lado, arranha-céus do outro... Malásia. Estima-se que Kuala Lumpur venha a ser maior que Londres, em 2030!

Um mercado em franco crescimento, uma oportunidade no contexto do imobiliário asiático.




Bons negócios (imobiliários)!

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

10 regras de ouro no buy-to-let (4)

Já aqui vos deixei as três primeiras regras de ouro do buy-to-let: definir uma rentabilidade objectivo, entender o que a procura pretende e escolher bem a localização. Hoje vou falar-vos da regra nº4: fazer um bom trabalho de campo.

Uma vez que já sabemos onde pretendemos investir, é muito importante antes de tomar decisões, conhecer muito bem a localização. Para tal, importa realizar um bom trabalho de campo que nos permita identificar os pontos fortes e fracos e encontrar as melhores oportunidades. No fundo, conseguimos fazer uma pequena Análise SWOT do nosso micro-mercado.

Nesse trabalho de campo, existem vários aspectos que devem ser analisados:

- Que tipo de casas se vendem e/ou arrendam? Por que valores?
- Que tipo de pessoas aí moram?
- Que serviços existem nas redondezas? Supermercados, mercearias, farmácias, escolas, etc.;
- E a segurança? E de noite, como é a frequência?

Costumo explicar nos meus workshops que todo o imóvel deve "contar uma história". Nós podemos escolher se somos nós a construir essa história ou se nos limitamos a que nos contem uma história. Essa é a diferença entre realizar um bom trabalho de campo e ficarmos bem informados e contentarmo-nos com aquilo que o mediador e o proprietário nos contam.

Para tal, é importante andar nas ruas, nas redondezas, falar com vizinhos e comerciantes, conhecer um pouco do dia-a-dia da localização. De dia e de noite, e foco este aspecto porque muitos não se lembram de fazer o mesmo trabalho de campo de noite. Levado ao extremo e de forma um pouco jocosa, para quem não conheça bem a zona da Av. Duque de Loulé / R. Conde de Redondo em Lisboa, se só fizer trabalho de campo durante o dia...

Não basta, portanto, fazer umas pesquisas na internet e falar com uns quantos mediadores. Se quando tomamos uma decisão de investimento mobiliário nos preocupamos em conhecer melhor o banco ou a empresa, porque não fazer o mesmo para um investimento imobiliário que, na maior parte das vezes, é o maior investimento da nossa vida?

Bons negócios (imobiliários)!

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Hospital Curry Cabral vale 150 milhões de euros

Lia ontem uma notícia na net que referia que o Hospital Curry Cabral tem um valor de € 150 Milhões. Como fiquei um pouco surpreendido com o valor e, como bem sabem, sou adepto da rentabilização do património imobiliário do Estado, fui analisar a notícia com mais atenção.

Vejamos bem o que a notícia diz: «Segundo especialistas em imobiliário contactados pelo CM, o preço do m2 no Rego - considerada uma das zonas nobres da cidade de Lisboa - pode oscilar entre os 2500 e os 3000 euros, dependendo do tipo de proposta feita. Isto significa que os 50 mil m2 do Curry Cabral disponíveis podem valer entre 125 e os 150 milhões de euros.»

Vamos por partes:

- O que é que vale 2.500 a 3.000 euros? Casas construídas? Terrenos para construção? Hospitais já construídos?!
- Qual proposta? De novo projecto? De adaptação / remodelação dos espaços existentes?
- E, por fim, a que se referem os 50 mil m2? Terreno? Área construída? Área permitida construir?

Mais à frente, refere o mesmo artigo: «A Estamo - empresa do grupo Sagestamo, controlada a 100% pela holding estatal Parpública - também vê valorizados os 20 mil m2 de terreno que comprou ao Curry Cabral em 2008. Na altura, a empresa estatal desembolsou cerca de 20 milhões de euros que pode ver agora convertidos em 60 milhões, caso o mercado permita a venda a três mil euros o m2.»

Afinal, os tais 3.000 euros por m2 aplica-se a áreas de terreno e não de construção. Se a Estamo adquiriu 20 mil m2 de terreno e os pode vender a € 60 milhões, então o valor por m2 que é referido aplica-se ao terreno.

Posso estar enganado, mas esta notícia ou é puro desleixo e incompetência do jornalista que a escreveu ou pretendem puro sensacionalismo.

Em primeiro lugar, um terreno valerá sempre com base no que nele se pode construir. Pode ter 20 mil m2 ou 20 mil ha. Se o primeiro tiver potencial construtivo e o segundo não, o primeiro com muito menos área pode valer bem mais que o segundo.

Em segundo lugar, pelos valores apresentados e a zona que é referida - Rego - deduzo que os 2.500 a 3.000 euros por m2 se refiram a habitação nova construída. Logo, aplicar esse valor a m2 de terreno é um erro grosseiro.

Terceiro, para se desenvolver qualquer projecto no Curry Cabral, há primeiro que o demolir, fazer estudos, novo projecto e submetê-lo a apreciação camarária. Logo, ao potencial valor actual do imóvel há que deduzir, pelo menos, os custos de demolição do existente...

Cá para mim, parece-me que o jornalista terá falado com um mediador que lhe "chutou" este valor. Depois fez uma conta de multiplicar. O problema é que para determinar o valor de mercado de activos imobiliários não basta fazer simples contas de multiplicar...

Mas afinal de contas: quanto valerá o Curry Cabral? Aceitam-se propostas...

Bons negócios (imobiliários)!

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Mercado Imobiliário Global – Onde nos podemos esconder? - Parte II


Por Nuno Ribeiro








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Na sequência do meu anterior artigo, no qual analisamos os mercados europeu e norte-americano, volto hoje ao vosso encontro para vos falar dos mercados asiáticos.

Mercados Imobiliários – Ásia/Pacifico

1. Situação Actual

As economias asiáticas, à semelhança da Europa e dos EUA desaceleraram nos últimos dois trimestres. Contudo, apresentam ainda taxas de crescimento significativas em 2011 (crescimento do PIB de 4.6% e 8.2% para economia asiáticas industrializas e em desenvolvimento, respetivamente, segundo o FMI). Ainda que a produção industrial se tenha reduzido, o consumo interno continua muito forte.

Hong-Kong


Singapura


Durante 2011, tanto Singapura como Hong Kong apresentaram um crescimento das rendas e nos preços bastante acentuado (entre 40-45% segundo a Jones LangLaSalle), devido a restrições na oferta e uma procura que não pára de crescer, tanto no mercado de escritórios como de retalho. Pequim junta-se também a este grupo de mercados core na Ásia, com taxas de ocupação a subir e empresas chinesas a expandir as suas operações a nível local. Outros mercados com performance muito positiva foram Melbourne na Austrália e Tóquio, que ainda que afectada pelos acontecimentos de Fukushima, mantém taxas de ocupação muito altas, yields muito reduzidas e rendas estáveis.

Segundo a DTZ, as transacções diminuíram 37% no Q2 2011 e os primeiros números para o Q3 indicam a mesma tendência negativa, consequência da situação vivida no Japão durante o Q2 2011 e das restrições ao crédito impostas pelo governo chinês. Durante o Q3, a maior parte das transacções foram bloqueadas devido à crescente incerteza do impacto da crise de dívida soberana na Europa. Atenção especial para as yields de retalho em Pequim que viram o seu valor comprimir devido a expectativas de melhoramento até ao fim do ano. No entanto, é importante realçar as preocupações com o mercado residencial chinês, com rumores de um possível crash devido a uma crescente especulação e excesso de liquidez por parte de investidores privados chineses


2. Outlook

Ao olhar para os fundamentos económicos, facilmente se conclui que a Ásia-Pacifico é de longe a região com melhores perspectivas (excepto América do Sul que não foi incluída nesta análise). No entanto, terá de se ter em conta a recente apreciação de rendas e preços em Hong Kong, Singapura e algumas cidades chinesas. Os riscos de correcção são elevados, especialmente no mercado de retalho.

No entanto, irá ocorrer um forte crescimento na oferta de novos edifícios em Shanghai, Singapura e Japão, o que provavelmente terá uma influencia negativa tanto nos níveis de ocupação como de rendas. Quanto a preços, os mercados especialmente de Singapura, Hong Kong, Pequim e Shanghai serão com certeza focos de volatilidade depois de um período de subidas acentuadas.

3. Títulos (Securities) Imobiliários

Os Títulos imobiliários cotados em bolsa (REITS, empresas imobiliárias ou obrigações de empresas imobiliárias) na Europa tem vindo a ser altamente afectados pela incerteza em torno da crise da dívida soberana europeia. Segundo um equity research do HSBC e do Deutsche Bank, as empresas imobiliárias estão a transaccionar no mercado com um desconto de 10% em relação ao seu valor de activos liquido (NAV – Net Asset Value). Situação semelhante verifica-se nos EUA onde o mercado de REIT’s registou grandes níveis de liquidação de participações, principalmente no inicio de Q3 2011 quando a economia americana sofreu um downgrade por parte do S&P.

Entre o início de Junho e o fim de Agosto, os títulos imobiliários cotados em bolsa nos EUA registaram um declínio de 7,6% segundo o HSBC. Por último, os mercados Asiáticos apresentam também uma tendência negativa com declínios entre os 5% e os 10% entre Junho e Setembro, consequência das medidas de contracção monetária por parte dos bancos centrais e da previsão por parte dos investidores de um abrandamento dos mercados imobiliários no qual estes títulos dependem. Segundo o HSBC, os títulos de empresas em Hong Kong estão a transaccionar com um desconto em relação ao NAV de (35-40%), no Japão (25-30%) e Singapura (20-25%).

Conclusão

Com as condições económicas a deteriorarem-se a nível Europeu, a incerteza quanto aos impactos desta crise em outras regiões é elevada. Tudo isto leva a que a procura no que toca ao mercado de arrendamento de escritórios e retalho seja consideravelmente afectada. A maior parte dos investimentos que eventualmente ocorram serão certamente focados em activos core a preços bastante atractivos. A mesma situação será de esperar nos EUA com o crescimento do PIB a dar indicações de abrandamento e os números de desemprego em níveis elevados.

De todas as regiões, Ásia parece ser a área com fundamentos mais sólidos. No entanto, devido a fortes subidas de preços e rendas nos últimos 1-2 anos, o mercado certamente irá sofrer correcções, tanto mais acentuadas quanto maior for a oferta de escritórios e retalho que se espera venha a ser concluída nos próximos 2 anos.

Quanto títulos imobiliários cotados em bolsa, tantos nos EUA como na Europa, os níveis elevados de volatilidade associados à incerteza económica manter-se-ão. Boas indicações no entanto para títulos na Ásia que estão a ser transaccionados com grandes descontos.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Casas de luxo afundam nos Estados Unidos

Para quem gostar de bons negócios e grandes descontos em casas, parece que há muito por onde escolher no Estados Unidos...



Bons negócios (imobiliários)!

terça-feira, 1 de novembro de 2011