Por João Madeira de Andrade
Aguirre Newman
Departamento de Consultoria e Investimento
Director de Negócio
Recentemente a Aguirre Newman concluiu uma análise detalhada sobre o mercado residencial de Lisboa. As principais conclusões que retiramos do trabalho são as seguintes:
- Decréscimo de 30% no volume de negócios em 2008, face a 2007, de acordo com as estatísticas sobre o número de contratos de compra e venda de prédios para habitação em propriedade horizontal realizados no concelho de Lisboa do INE;
- As mesmas estatísticas levam à conclusão que se verificou um decréscimo de 13,4% no valor médio por m2 negociado, em igual período;
- Mais de 5.600 fogos residenciais, novos, em comercialização em Outubro de 2009, sendo que maioritariamente estes fogos tinham tipologias T2 e T3;
- Tempo médio de escoamento das 152 promoções em venda de 4 anos, representando um acréscimo médio de 13 meses no período de comercialização face a 2007;
- Subida de 20% no preço médio pedido face a 2007;
- Maior disponibilidade da parte dos Promotores em negociar os preços finais de venda;
- Colocação de alguns fogos no mercado de arrendamento, com cedência de uma opção de compra ao arrendatário.
Da leitura do estudo realizado e das principais conclusões aqui referidas, pode parecer estranho o facto do preço médio dos fogos novos em venda ter subido. Na realidade, o aumento dos preços pode decorrer simplesmente do facto dos terrenos onde se situam estes empreendimentos terem sido adquiridos quando o mercado estava em alta, entre 2005 e 2007. É por isso natural que estes preços reflictam esse maior investimento inicial realizado na aquisição do terreno.
Coloca-se aos promotores a questão de validarem se os modelos de negócio subjacentes ao desenvolvimento dos empreendimentos novos, em curso ou previstos para 2010 e 2011, ainda são válidos. Poderá fazer sentido reequacionar a promoção como seja por exemplo o redimensionando dos fogos.
Admite-se que pode aparecer uma tendência para oferecer tipologias com áreas mais pequenas: em vez de um T2 com 200 m2, poderiam ser construídos três T1 e um estúdio, por exemplo. Quando comparamos a área média dos fogos em Lisboa com a área média dos fogos em Madrid (136 m2 versus 72 m2) torna-se ainda mais evidente o que pode ser uma tendência de mercado, de modo a viabilizar a venda de fogos que de outra forma assumem valores de venda elevados em termos absolutos, face ao enquadramento económico actual e condições de financiamento praticadas.
Este ano vai continuar a ser um ano em que não se antevêem facilidades para os Promotores no escoamento dos seus produtos. A criatividade e flexibilidade na concepção dos projectos vão ser recompensadas pelo mercado, tornando-se cada vez mais evidente que o estudo prévio para definição dos produtos é indispensável. Para além disso, o acompanhamento do mercado durante as fases de construção e venda é importante e uma análise a posteriori será, no mínimo, recomendável para poder-se de facto aprender com o que foi feito e melhorar a performance do empreendimento seguinte.