terça-feira, 23 de agosto de 2011
terça-feira, 16 de agosto de 2011
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
Quanto mais se deve, menos se paga
Existe um "ditado" que diz o seguinte: «se deves 100 mil ao banco, tens um problema; se deves 100 milhões ao banco, o banco tem um problema!». No entanto, parece que não se trata apenas de um ditado ou de um mito urbano, é mesmo verdade!
Um estudo levado a cabo pela ForeclosureRadar indica que quanto mais dinheiro um mutuário norte-americano deve, mais tempo leva para o banco executar a hipoteca. O referido estudo envolveu uma análise a 153.956 execuções de hipotecas, entre Janeiro de 2008 e Julho de 2011, tendo sido a amostra dividida em 2 níveis: acima e abaixo de USD 417.000.
As conclusões são curiosas: para as casas acima desse valor, os mutuários conseguem ficar a viver nela mais tempo, sem pagar a hipoteca, ou seja, os bancos têm maior relutância em executá-la. As casas acima dos USD 417.000 só são executadas, em média, 1 ano depois do início do incumprimento. Se se tiver então uma segunda habitação, essa demorará quase 400 dias! Mas porque será?
O estudo concluiu também que nessas casas, o montante de negative equity (diferença entre o valor da casa e o montante em dívida) é muito maior que nas casas abaixos dos USD 417.000. A perda potencial dos bancos é maior no primeiro caso, levando a que estes tenham mais relutância em colocar as casas à venda.
Bons negócios (imobiliários)!
Um estudo levado a cabo pela ForeclosureRadar indica que quanto mais dinheiro um mutuário norte-americano deve, mais tempo leva para o banco executar a hipoteca. O referido estudo envolveu uma análise a 153.956 execuções de hipotecas, entre Janeiro de 2008 e Julho de 2011, tendo sido a amostra dividida em 2 níveis: acima e abaixo de USD 417.000.
As conclusões são curiosas: para as casas acima desse valor, os mutuários conseguem ficar a viver nela mais tempo, sem pagar a hipoteca, ou seja, os bancos têm maior relutância em executá-la. As casas acima dos USD 417.000 só são executadas, em média, 1 ano depois do início do incumprimento. Se se tiver então uma segunda habitação, essa demorará quase 400 dias! Mas porque será?
O estudo concluiu também que nessas casas, o montante de negative equity (diferença entre o valor da casa e o montante em dívida) é muito maior que nas casas abaixos dos USD 417.000. A perda potencial dos bancos é maior no primeiro caso, levando a que estes tenham mais relutância em colocar as casas à venda.
Bons negócios (imobiliários)!
terça-feira, 9 de agosto de 2011
Mercado de Investimento Imobiliário Europeu
Segundo dados da consultora imobiliária global Cushman & Wakefield (C&W), o volume de transações de investimento imobiliário na Europa diminuiu no segundo trimestre de 2011, registando 26,2 mil milhões de euros, 11,5% menos que no primeiro trimestre do ano. No entanto, a tendência está longe de ser a mesma em todos os mercados, com o sector de escritórios à frente do de retalho e com os mercados core a ganharem em detrimento dos mercados periféricos.
Luís Rocha Antunes, partner e diretor do departamento de investimento da Cushman & Wakefield em Portugal comenta, “As tendências trimestrais poderão ser difíceis de interpretar devido ao tempo que é necessário para realizar uma transação e à mudança constante das condições de mercado. No entanto, não podemos negar que, contrariamente ao esperado, houve uma diminuição de transações. Também se tem verificado que o tempo médio para a realização de uma transação aumentou, devido essencialmente aos processos de due diligence mais metódicos e do tempo necessário para obtenção de financiamento.”
Outra característica interessante neste trimestre é o renascimento do sector de escritórios, que registou um aumento de atividade, em contraste com as descidas registadas nos sectores de retalho e industrial.

Os investidores estão mais focados em mercados de escritórios prime, uma vez que procuram reduzir o risco de investimento, o que pode levar a uma descida de yields nos melhores edifícios de escritórios.
Quanto a volume de transações por países, os três mercados principais do Reino Unido, Alemanha e França mantêm a sua cota de mercado de 64%.
Ao mesmo tempo, muitos mercados emergentes assistiram a um decréscimo na sua atividade de investimento imobiliário. A atividade na Europa Oriental e Central desceu de 3,9 mil milhões de euros para 2,1 mil milhões de euros. Mais notório foi a descida nos mercados com maiores dificuldades devido à apreensão relativa às suas dívidas soberanas. Os chamados PIIGS (Portugal, Itália, Irlanda, Grécia e Espanha) viram o volume de investimento descer 42% entre o primeiro e o segundo trimestre enquanto no resto da zona Euro, as transações subiram em média 6,7%.
“As nossas previsões continuam a apontar para uma subida na atividade no segundo semestre do ano, baseadas nas transações em curso e devido ao facto de mais imóveis estarem a entrar no mercado, em especial por parte dos bancos. A nossa atual previsão é de 133 mil milhões de euros, acima dos 117 mil milhões de euros do ano anterior. No entanto, considerando as dificuldades de financiamento e o aumento do tempo médio para a realização de uma transação, os números previstos podem sofrer alterações”, de acordo com Luis Rocha Antunes.
Em Portugal, quando comparando a performance do primeiro semestre de 2011 com igual período do ano passado, verifica-se uma quebra de 30% no volume de transações, passando de cerca de 268 milhões de euros em 2010 para cerca de 185 milhões de euros em 2011.
“O mercado sofreu muito a partir do momento em que se sentiu o agudizar da crise financeira e económica em Março deste ano, pois um volume de transações considerável que estava à beira de ser fechado foi cancelado ou adiado. Assistimos a uma alteração de variáveis fundamentais no mercado: preço e disponibilidade do dinheiro, confiança, clima económico. Devemos olhar para esta nova realidade com realismo e pragmatismo. Existem muitas oportunidades no mercado, pelo que há que ser criativo”, conclui Luís Rocha Antunes.
Fonte: C&W
Luís Rocha Antunes, partner e diretor do departamento de investimento da Cushman & Wakefield em Portugal comenta, “As tendências trimestrais poderão ser difíceis de interpretar devido ao tempo que é necessário para realizar uma transação e à mudança constante das condições de mercado. No entanto, não podemos negar que, contrariamente ao esperado, houve uma diminuição de transações. Também se tem verificado que o tempo médio para a realização de uma transação aumentou, devido essencialmente aos processos de due diligence mais metódicos e do tempo necessário para obtenção de financiamento.”
Outra característica interessante neste trimestre é o renascimento do sector de escritórios, que registou um aumento de atividade, em contraste com as descidas registadas nos sectores de retalho e industrial.

Os investidores estão mais focados em mercados de escritórios prime, uma vez que procuram reduzir o risco de investimento, o que pode levar a uma descida de yields nos melhores edifícios de escritórios.
Quanto a volume de transações por países, os três mercados principais do Reino Unido, Alemanha e França mantêm a sua cota de mercado de 64%.
Ao mesmo tempo, muitos mercados emergentes assistiram a um decréscimo na sua atividade de investimento imobiliário. A atividade na Europa Oriental e Central desceu de 3,9 mil milhões de euros para 2,1 mil milhões de euros. Mais notório foi a descida nos mercados com maiores dificuldades devido à apreensão relativa às suas dívidas soberanas. Os chamados PIIGS (Portugal, Itália, Irlanda, Grécia e Espanha) viram o volume de investimento descer 42% entre o primeiro e o segundo trimestre enquanto no resto da zona Euro, as transações subiram em média 6,7%.
“As nossas previsões continuam a apontar para uma subida na atividade no segundo semestre do ano, baseadas nas transações em curso e devido ao facto de mais imóveis estarem a entrar no mercado, em especial por parte dos bancos. A nossa atual previsão é de 133 mil milhões de euros, acima dos 117 mil milhões de euros do ano anterior. No entanto, considerando as dificuldades de financiamento e o aumento do tempo médio para a realização de uma transação, os números previstos podem sofrer alterações”, de acordo com Luis Rocha Antunes.
Em Portugal, quando comparando a performance do primeiro semestre de 2011 com igual período do ano passado, verifica-se uma quebra de 30% no volume de transações, passando de cerca de 268 milhões de euros em 2010 para cerca de 185 milhões de euros em 2011.
“O mercado sofreu muito a partir do momento em que se sentiu o agudizar da crise financeira e económica em Março deste ano, pois um volume de transações considerável que estava à beira de ser fechado foi cancelado ou adiado. Assistimos a uma alteração de variáveis fundamentais no mercado: preço e disponibilidade do dinheiro, confiança, clima económico. Devemos olhar para esta nova realidade com realismo e pragmatismo. Existem muitas oportunidades no mercado, pelo que há que ser criativo”, conclui Luís Rocha Antunes.
Fonte: C&W
quinta-feira, 4 de agosto de 2011
Os Homens do Lixo
Como todos naturalmente saberão, a Moddy's baixou recentemente o rating da dívida pública portuguesa, classificando-a de "lixo".
Se somos "lixo", acho importante sabermos quem irá varrer e limpar todo este "lixo", ou seja, quem são os Homens do Lixo.
O Jornal Expresso dá-nos uma ajuda para percebermos melhor quem são eles:

Apenas uma pequena nota para este ranking: o Millennium BCP aparece em 2º lugar. Com exposição a títulos de dívida portuguesa e grega (e sabe-se lá mais o quê), não é de espantar a sangria em bolsa...
Bons negócios (imobiliários)!
Se somos "lixo", acho importante sabermos quem irá varrer e limpar todo este "lixo", ou seja, quem são os Homens do Lixo.
O Jornal Expresso dá-nos uma ajuda para percebermos melhor quem são eles:

Apenas uma pequena nota para este ranking: o Millennium BCP aparece em 2º lugar. Com exposição a títulos de dívida portuguesa e grega (e sabe-se lá mais o quê), não é de espantar a sangria em bolsa...
Bons negócios (imobiliários)!
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
Cidades inteligentes e sustentáveis

Por José Carlos Marques da Silva
Economista, membro do Grupo de Trabalho da CIP “Fazer acontecer a regeneração urbana”
--
As cidades e os aglomerados urbanos são hoje pólos de desenvolvimento incontornáveis numa economia cada vez mais competitiva e global. O economista e prémio Nobel Paul Krugman, afirma mesmo que o crescimento das cidades será o motor económico do desenvolvimento do futuro. É comum dizer-se que o século XIX foi das Nações, o século XX dos Países e o século XXI será o da afirmação e hegemonia das Cidades num contexto global. As cidades emergem como os grandes players da competitividade global.
Pela primeira vez na história, mais de metade da população mundial, acima de 3,5 mil milhões de pessoas, vive e trabalha nas cidades, quando no início do século XX essa percentagem era de apenas 10%. A população urbana, apesar de só ocupar uma área de cerca de 1% do planeta, é hoje responsável pelo consumo de cerca de 75% da energia mundial e mais de 65% dos resíduos gerados em todo o mundo.
Esta tendência de forte pressão demográfica, nas principais áreas urbanas, vai-se acentuar nos próximos anos. Diferentes estudos apontam para que, até 2050, a percentagem de pessoas a viver nas cidades possa subir para 80 a 85% da população mundial. O mundo é e será cada vez mais urbano e dependerá da articulação e da rede que se cria à volta destes verdadeiros motores ou catalisadores do crescimento.
Este grande afluxo às cidades coloca desafios importantes à capacidade para gerir a vida colectiva e as externalidades espaciais aí geradas. A crescente pressão sobre a procura de bens, públicos e privados, empregos, habitação, a evolução demográfica e o envelhecimento das populações, as soluções de mobilidade urbana, de eficiência e sustentabilidade energética ou as formas de financiamento público, colocam desafios sem precedentes e obrigam a uma verdadeira reinvenção das cidades, para serem capazes de responder aos novos desafios.
Uma gestão adequada do complexo sistema urbano, é determinante para assegurar a competitividade e os equilíbrios territoriais. Precisamos de novos caminhos e de novos paradigmas. Para assegurar novos modelos de gestão e governação urbana, que nos permitam ter cidades mais competitivas, solidárias e sustentáveis, temos de saber combinar o capital intelectual, a inovação e criatividade local e global.
Um conjunto de iniciativas da União Europeia, têm como referencial de partida a necessidade de construírem cidades inteligentes e sustentáveis, energética e ambientalmente, como a via que nos pode garantir um modelo económico e social europeu mais competitivo e equilibrado. É o caso da estratégia 20/20/20, ou da promoção das Cidades Inteligentes.
Em Portugal esta tendência e os estrangulamentos à vida e ao desenvolvimento urbanos também se fazem sentir. Os recentes censos de 2011, evidenciam a tendência, há muito iniciada, entre nós, para um crescente afluxo às cidades e uma continuada desertificação do interior. Essa evidência requer uma reorganização da vida colectiva, com a reafectação de bens e serviços públicos, modelos de governação adequados e inclusivos e o desenvolvimento de políticas que combatam as assimetrias e promovam em Portugal verdadeiros territórios competitivos.
As experiências e os ensinamentos do desenvolvimento urbano sustentável, mostram-nos que o caminho é “crescer para dentro” e não continuar a aposta na mera expansão geográfica das nossas cidades, tipo mancha de óleo. A regeneração e requalificação das nossas cidades emergem como as melhores vias para assegurar a sociodiversidade territorial e cidades mais competitivas e sustentáveis.
Ao contrário do que acontece na generalidade dos restantes países membros da UE, em Portugal, ainda não existe uma cultura de regeneração enraizada. O peso da regeneração urbana, no total da produção do sector, representa entre nós apenas 6,5%, quando aqui ao lado, em Espanha, já ascende a 24% e a média da UE representa cerca de 37%.
A necessidade de reinvenção das nossas cidades será uma excelente oportunidade para dinamizar a economia nacional. Se as nossas empresas, autarquias, escolas e universidades, centros de investigação e o sistema científico nacional, souberem promover a inovação e a resposta positiva a este grande desígnio, podemos encontrar uma nova via para ganharmos competitividade e liderança e estaremos a garantir um novo modelo de desenvolvimento mais sustentável.
Economista, membro do Grupo de Trabalho da CIP “Fazer acontecer a regeneração urbana”
--
As cidades e os aglomerados urbanos são hoje pólos de desenvolvimento incontornáveis numa economia cada vez mais competitiva e global. O economista e prémio Nobel Paul Krugman, afirma mesmo que o crescimento das cidades será o motor económico do desenvolvimento do futuro. É comum dizer-se que o século XIX foi das Nações, o século XX dos Países e o século XXI será o da afirmação e hegemonia das Cidades num contexto global. As cidades emergem como os grandes players da competitividade global.
Pela primeira vez na história, mais de metade da população mundial, acima de 3,5 mil milhões de pessoas, vive e trabalha nas cidades, quando no início do século XX essa percentagem era de apenas 10%. A população urbana, apesar de só ocupar uma área de cerca de 1% do planeta, é hoje responsável pelo consumo de cerca de 75% da energia mundial e mais de 65% dos resíduos gerados em todo o mundo.
Esta tendência de forte pressão demográfica, nas principais áreas urbanas, vai-se acentuar nos próximos anos. Diferentes estudos apontam para que, até 2050, a percentagem de pessoas a viver nas cidades possa subir para 80 a 85% da população mundial. O mundo é e será cada vez mais urbano e dependerá da articulação e da rede que se cria à volta destes verdadeiros motores ou catalisadores do crescimento.
Este grande afluxo às cidades coloca desafios importantes à capacidade para gerir a vida colectiva e as externalidades espaciais aí geradas. A crescente pressão sobre a procura de bens, públicos e privados, empregos, habitação, a evolução demográfica e o envelhecimento das populações, as soluções de mobilidade urbana, de eficiência e sustentabilidade energética ou as formas de financiamento público, colocam desafios sem precedentes e obrigam a uma verdadeira reinvenção das cidades, para serem capazes de responder aos novos desafios.
Uma gestão adequada do complexo sistema urbano, é determinante para assegurar a competitividade e os equilíbrios territoriais. Precisamos de novos caminhos e de novos paradigmas. Para assegurar novos modelos de gestão e governação urbana, que nos permitam ter cidades mais competitivas, solidárias e sustentáveis, temos de saber combinar o capital intelectual, a inovação e criatividade local e global.
Um conjunto de iniciativas da União Europeia, têm como referencial de partida a necessidade de construírem cidades inteligentes e sustentáveis, energética e ambientalmente, como a via que nos pode garantir um modelo económico e social europeu mais competitivo e equilibrado. É o caso da estratégia 20/20/20, ou da promoção das Cidades Inteligentes.
Em Portugal esta tendência e os estrangulamentos à vida e ao desenvolvimento urbanos também se fazem sentir. Os recentes censos de 2011, evidenciam a tendência, há muito iniciada, entre nós, para um crescente afluxo às cidades e uma continuada desertificação do interior. Essa evidência requer uma reorganização da vida colectiva, com a reafectação de bens e serviços públicos, modelos de governação adequados e inclusivos e o desenvolvimento de políticas que combatam as assimetrias e promovam em Portugal verdadeiros territórios competitivos.
As experiências e os ensinamentos do desenvolvimento urbano sustentável, mostram-nos que o caminho é “crescer para dentro” e não continuar a aposta na mera expansão geográfica das nossas cidades, tipo mancha de óleo. A regeneração e requalificação das nossas cidades emergem como as melhores vias para assegurar a sociodiversidade territorial e cidades mais competitivas e sustentáveis.
Ao contrário do que acontece na generalidade dos restantes países membros da UE, em Portugal, ainda não existe uma cultura de regeneração enraizada. O peso da regeneração urbana, no total da produção do sector, representa entre nós apenas 6,5%, quando aqui ao lado, em Espanha, já ascende a 24% e a média da UE representa cerca de 37%.
A necessidade de reinvenção das nossas cidades será uma excelente oportunidade para dinamizar a economia nacional. Se as nossas empresas, autarquias, escolas e universidades, centros de investigação e o sistema científico nacional, souberem promover a inovação e a resposta positiva a este grande desígnio, podemos encontrar uma nova via para ganharmos competitividade e liderança e estaremos a garantir um novo modelo de desenvolvimento mais sustentável.
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