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segunda-feira, 2 de setembro de 2019

Espanha - Mercado Imobiliário, Abril 2019

Apesar do feriado de Páscoa, Abril foi um mês movimentado no sector imobiliário espanhol, impulsionado principalmente pelos setores de escritórios, terrenos e activos alternativos. Os negócios foram fechados em Madrid, Barcelona e Valência, assim como na Costa del Sol, entre outros.

Escritórios

Várias operações importantes foram concluídas no segmento de escritórios em abril, com a venda da Castellana 200 pela Silvercode captando as atenções. A Socimi vendeu a propriedade central de Madrid, com uma superfície de 26.710 m², à Allianz Real Estate por € 250 milhões. Também em Madrid, a Grosvenor adquiriu o Moraleja Building One, que abrange 22.219 m², à Chameleon (Blackstone) por € 80 milhões; A Swiss Life comprou o edifício de escritórios de 6.300 m2 na Calle Eloy Gonzalo, 27 à Lar España por € 40 milhões; e a Mutualidad de la Abogacia comprou o edifício de escritórios no Paseo de la Habana, 3, medindo 3.000 m2, ao Grupo Millenium por € 23,4 milhões. Enquanto isso, em Barcelona, a InmoCaixa, braço imobiliário da holding Criteria, finalizou a compra de um edifício de escritórios de 8.000 m² no distrito 22@ de Barcelona por 35 milhões de euros.

segunda-feira, 15 de julho de 2019

Reflexões sobre a introdução das SIGIs

A propósito das Sociedades de Gestão e Investimento Imobiliário (SIGI, também conhecidas por Real Estate Investment Trusts (REITs)), recentemente introduzidas em Portugal e cujo enquadramento legal é estabelecido pelo Decreto-Lei n.º 19/2019, tenho assistido e lido algumas discussões e notícias, por vezes interessantes outras apenas desinformadas ou ingénuas, em que se reflecte sobre o impacto deste veículo de investimento no imobiliário e sobre as suas possibilidades de sucesso, ou seja, reflecte-se sobre quais são os factores diferenciadores das SIGIs versus a actual panóplia de veículos de investimento.

Num recente estudo /guia de investimento, é referido que, num horizonte de 5 anos, em Portugal e por comparação com Espanha, se poderá chegar às 25 SIGI cotadas em bolsa e a uma capitalização bolsista de 7 mil milhões de euros. Ora, tendo em consideração que em Portugal existem cerca de 30 sociedades gestoras de imobiliário que gerem 11 mil milhões de euros, a criação deste número de SIGIs representaria quase uma duplicação do mercado, o que seria, a todos os níveis, muito positivo para o sector. Mas, fazendo uma análise dos outros países Europeus com REITs, o impacto potencial das SIGIs não parece tão substancial. A Tabela 1 faz um resumo da dimensão dos REITs nestes mercados.

 Fonte: EPRA, Total Markets Table, Q1 -2019


quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

Imobiliário e construção caem a pique no Reino Unido

Os sectores imobiliário e da construção cotados em bolsa caíram a pique durante o ano de 2018. Os REIT - Real Estate Investment Trusts - cotados na bolsa britânica perderam quase 7,5 biliões de libras com a Intu a desvalorizar cerca de 55%! Apenas duas das dez maiores empresas cotadas em bolsa não desvalorizaram ao longo do ano transacto - a Segro e a Unite.


Existe um dado que é comum às maiores quedas: as 4 empresas com pior performance bolsista são todas dedicadas ao sector de retail, enquanto que aqueles que melhor resistiram às desvalorizações bolsistas actuam em sectores alternativos - residências de estudantes, por exemplo.

terça-feira, 24 de abril de 2018

Habitação: Novas políticas, velhos hábitos?

O Governo anunciou recentemente um conjunto bastante alargado de novas políticas direccionadas ao sector da habitação em Portugal, ao mesmo tempo que o Partido Socialista apresentou um novo Projecto de Lei com as bases para uma nova política de habitação. Dado tratar-se de muita informação, que carece ainda de ser sistematizada, discutida, explicada, votada e aprovada na Assembleia da República, procurarei sintetizar o que de mais importante todos os documentos apresentam de informação, ao mesmo tempo que deixarei aqui links para os documentos que são públicos para que todos os possam consultar.


Este documento, já apresentado há algum tempo numa Resolução do Conselho de Ministros e agora consubstanciado com algumas medidas mais concretas, assenta em 4 pilares fundamentais:

  • Respostas a famílias carenciadas;
  • Garantias de acesso a habitação aqueles que não o conseguem por vias normais do mercado;
  • Procurar que a reabilitação seja a principal forma de intervenção no mercado;
  • Promover a inclusão social.
Neste meu artigo, irei centrar-me fundamentalmente nos 2º e 3º pilares. As propostas referentes ao 1º pilar assentam fundamentalmente em apoios financeiros aos actores públicos locais no sentido de conseguirem disponibilizar habitação a custos suportáveis por famílias carenciadas. Parece-me algo lógico e que cabe totalmente nas funções do Estado.

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Imobiliário cotado pesa 3% na Europa

Segundo dados recentemente publicados pela EPRA - European Public Real Estate Association, existem 526 empresas de imobiliário cotadas na União Europeia com uma capitalização bolsista USD 399 biliões, representando pouco mais de 3% do total do mercado cotado.

No caso do mercado norte-americano, o peso do imobiliário cotado sobe para 4%, enquanto que na Ásia sobe para 5,4%.

No caso particular de Portugal, temos apenas 2 empresas cotadas relacionadas com o sector imobiliário, com uma capitalização bolsista que pesa uns meros 0,05% do nosso mercado bolsista. 

Do total das 526 empresas cotadas na União Europeia, 193 são REIT's, peso esse bastante superior no mercado norte-americano (274 REIT's para um total de 396 empresas cotadas).

Portugal, como se sabe, não tem sequer um regime de REIT's implementado. Perante estes números, com uma expressão tão baixa de imobiliário cotado, será que Portugal tem liquidez e é capaz de gerar o interesse suficiente para ter um mercado de REIT's cotado?

Bons negócios (imobiliários)!

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Rentabilidade do imobiliário afunda em 2015

O investimento em REIT's - Real Estate Investment Trusts - caiu a pique durante o ano de 2015. Dados acumulados até Novembro mostram que a rentabilidade destes activos foi de apenas 0,9%, face aos 27,2% registados em 2014. Nesse ano, aliás, os REIT tinham sido o activo mais rentável das praças norte-americanas, acima inclusive dos principais índices bolsistas.


Mas não foi só o imobiliário a cair. Na realidade, praticamente todos os activos financeiros e índices bolsistas viram as suas rentabilidades cair. No longo prazo, o imobiliário mantém-se uma boa aposta, com uma rentabilidade média anual de 7,2% a 10 anos.

Bons negócios (imobiliários)! 

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Início de ano promissor em Espanha

Segundo dados publicados pela DTZ, Espanha iniciou o ano de 2015 de forma promissora ao registar € 2,1 Bll em investimento imobiliário, mais do dobro registado em igual período de 2014. Os REIT espanhóis e investidores privados dominaram as transacções no 1º trimestre do ano à medida que a queda das yields se generaliza a todos os sectores do mercado imobiliário.

O sector do retalho continua a manter a preferência dos investidores com quase € 1 Bll investidos, isto apesar do seu peso relativo ter descido de 60% para metade dos montantes investidos no período quando comparado com o ano de 2014.

O sector industrial foi aquele que registou a maior subida em termos relativos, absorvendo 10% dos € 2 Biliões investidos no 1º trimestre do ano, face aos reduzidos 4% registados em 2014.

Já os sectores de escritórios e mixed-use mantém as suas posições relativas e uma preferência relativamente estável da parte dos investidores.

Os investidores domésticos tomaram 75% das transacções do trimestres, correspondente a 60% do montante total investido. Os investidores estrangeiros, menos activos neste período, direccionaram as suas preferências para o sector do retalho.

As yields de escritórios mantiveram a sua tendência de queda, isto apesar de estarem ainda muito longe dos mínimos históricos. Em Madrid, as prime yields cairam para 5,25% mas como se disse, ainda longe dos 4,25% ocorridos no final de 2006.

Bons negócios (imobiliários)!

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Espanha tem segundo melhor ano de investimento desde 2001

A Espanha obteve em 2014 o seu 2º melhor ano de investimento imobiliário desde 2001, segundo dados da DTZ. O ano de 2014 fechou com um total de € 8,4 Bll investidos no sector, tendo os dois últimos trimestres registado cerca de 60% do total anual.


OS REIT estiveram particularmente activos, tendo movimentado quase 30% do total anual. O mercado doméstico também esteve em destaque pela sua forte actividade vendedora, tendo assumido 67% do total das transacções realizadas.

O sector de retail também assumiu particular importância, tendo movimentado quase € 5 Bll, o correspondente a cerca de 60% do total anual. O sector de escritórios terá movimentado cerca de 25% do mercado.

O ano de 2014 trouxe  o regresso das grandes transacções com quase 70% do total anual a respeitar a investimentos superiores a € 100 Milhões. Em 2013, esse valor andou pouco acima dos 50%.

O investidor doméstico continua a assumir particular importância, mas do total dos investimentos realizados por investidores estrangeiros (54%), foram os franceses e norte-americanos os mais activos no mercado.

As yields, depois de um longo período de estabilização, iniciaram no final do ano passado um movimento de queda. Resta saber se esse movimento terá continuidade ao longo de 2015.

Bons negócios (imobiliários)!

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Imobiliário no top 3 da rentabilidade de activos financeiros

Segundo a publicação Business Insider, os REIT's - Real Estate Investment Trusts - ficaram em 3º lugar do ranking de rentabilidades de investimento, numa análise a 13 anos.

O investimento em REIT's retornou uma média anual de 10,1% entre 2001 e 2013, apenas suplantado pelo investimento acções de mercados emergentes e ouro.

Apesar disso, a rentabilidade destes veículos, em 2013, foi apenas de 2,3%, depois do 1º lugar em 2012 com 19,7% de rentabilidade.

O quadro em baixo mostra-nos uma performance assinalável no investimento em REIT's:


Bons negócios (imobiliários)!

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Diversificação de carteiras de REIT's

Deixo-vos hoje um vídeo com Christopher Hartung da Lazard Asset Management, que nos traz um update do mercado de REIT'S e das vantagens de ter uma carteira diversificada de activos.



Bons negócios (imobiliários!)

quinta-feira, 8 de março de 2012

Compra, compra, compra!

Aqui fica um vídeo com uma entrevista com Warren Buffett, considerado por muitos um dos melhores investidores bolsistas de todos os tempos. As suas cartas de início de ano, aos investidores da Berkshire, são já um clássico e um "must-read" da literatura económica e financeira. Curioso que na sua carta dirigida aos accionistas este início de ano, ele reconheceu ter errado claramente quanto às suas previsões relativamente ao sector da habitação norte-americano...

Cartas à parte, o que vos trago hoje, como disse, é uma entrevista concedida à NBC na qual, entre outros assuntos, ele aborda, mais uma vez, o sector imobiliário.

Para Warren Buffett, as casas estão muito baratas. Mais ainda, pelas palavras dele, se tivesse uma forma de comprar algumas centenas de milhar (!) e geri-las de forma prática, pois então, comprá-las-ia. Acresce o facto do endividamento estar barato e potenciar ainda mais a rentabilidade do investimento.

A verdade é que ele pode juntar o melhor de 2 mundos, ou seja, pode comprar uns quantos REIT's residenciais, cotados. Investe em bolsa, como sabe melhor que ninguém, e expõe-se ao risco imobiliário, que conhece menos, porventura. Obtém gestão profissional e independente. Tem liquidez e pode alavancar. Ganha escala.

Por esquecimento, ou talvez não, Warren Buffett não mencionou o investimento em REIT's. Preferiu concentrar-se no investimento directo: comprar umas quantas casas, geri-las, arrendá-las e contrair hipotecas a 30 anos. Aproveitar os leilões e descontos que se conseguem com execuções. Elementar, prático, como muitos sabem e preferem fazer. No fundo, Warren Buffett faz questão de nos lembrar que podemos ganhar dinheiro sem inovar muito, optando por formas mais práticas, mais realistas, mais directas.

http://video.cnbc.com/gallery/?video=3000075412



Bons negócios (imobiliários)!

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Housing Double Dip - III

Nesta entrevista com Glenn Mueller, professor na University of Denver's Franklin L. Burns School of Real Estate and Construction management, ele afasta um duplo fundo nos mercados e na economia. A recuperação vem já a caminho...

No imobiliário, quando a ocupação e as rendas voltarem a subir, o mercado estará preparado para voltar a valorizar: primeiro o sector industrial, depois retail, housing e, finalmente, escritórios.

Podem ver a entrevista no site da
NAREIT.

Bons negócios (imobiliários)!

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Colapso ou Erro Informático?

O dia de ontem, 06 de Maio de 2010, fica para a história nos mercados financeiros por ter sido o dia em que o Dow Jones observou a maior variação diária. Em poucos minutos, todos os principais índices norte-americanos - Dow Jones Industrial, S&P 500, Nasdaq Composite, Nasdaq-100, Russel 2000 - estiveram todos a cair cerca de 10%! E tudo em poucos minutos. E, naturalmente, nem os índices de REIT's escaparam.

Num pequeno instante, os ganhos de 2010 foram, simplesmente, apagados! Discute-se agora se foi um movimento puro de mercado ou... um erro informático! A Accenture, em poucos minutos, foi de 40 dolares a 0,01 dolares por acção!!! A Procter & Gamble, caiu cerca de 40%, também num instante!

Alguns negócios do Nasdaq já foram entretanto cancelados, podendo ser uma confirmação de se ter tratado, efectivamente, de um erro na introdução de uma ordem. Rumores correm que alguém no Citigroup pretendia dar uma ordem de 15 milhões e em vez de colocar um M (de milhões), colocou um B (de billions, os nossos mil milhões)!

Independentemente disso, a verdade é que os mercados ontem deram um verdadeiro trambolhão e os contínuos e crescentes receios de bancarrota na Grécia e contágio a outros países europeus, também eles bastante debilitados, tem colocado os mercados financeiros com os "nervos em franja".


Os próximos dias serão cruciais para termos uma ideia mais clara do que irá acontecer. Pessoalmente, estou à espera de qualquer decisão, inclusive para a possibilidade da Grécia sair do Euro.
Hoje terei de vos dizer... cuidado com os negócios (imobiliários)!

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Correlação entre REIT's e o investimento directo em imobiliário

Nesta entrevista com Michael Hudgins, JP Morgan's Global REIT Strategist, mais uma vez é focada a característica dos REIT's, no longo prazo, de replicarem um investimento directo em imobiliário, em termos de yield e apreciação de capital.

Juntamente vem a questão da correlação entre a cotação dos REIT's e o valor do mercado imobiliário. Se no longo prazo, os primeiros tendem a replicar o segundo, então é expectável que no longo prazo os REIT's observem uma diminuição da volatilidade e uma tendência para seguir mais o mercado imobiliário e menos os mercados financeiros.

No curto prazo, tenderão naturalmente a responder mais acentuadamente a factores externos, tais como, políticas de incentivo fiscal ou alterações nas taxas de juro.



Bons negócios (imobiliários)!

terça-feira, 30 de março de 2010

A Volatilidade no Mercado Imobiliário

Deixo-vos hoje uma entrevista com Michael Graziano, General Manager da Goldman Sachs que nos fala resumidamente sobre a volatilidade nos mercados. No longo prazo, diz ele, as acções de REIT's cotados comportam-se como um activo imobiliário mas no curto prazo comportam-se como qualquer outro activo financeiro cotado, sujeito a uma volatilidade bastante superior.


Bons negócios (imobiliários)!

sábado, 6 de fevereiro de 2010

O Imobiliário do Ponto de Vista Financeiro

Publico aqui mais um artigo que escrevi para a última edição da Revista Imobiliária, a fazer um balanço sobre 2009 e a procurar projectar o ano de 2010.

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2009: Uma Retrospectiva

Há cerca de 9 meses atrás, por ocasião da publicação da Real Estate & Finance Newsletter nº5, dedicada ao tema dos Hedge Funds, fazia um balanço do que se tinha passado em 2008, tendo-lhe chamado “O Ano de Todos os Perigos”. Por essa altura, os mercados financeiros e imobiliários estavam a chegar aos seus mínimos e os dados não eram animadores:

- O mercado de habitação norte-americano sofria uma queda acumulada, desde máximos de 2006, superior a 30%;

- As casas usadas ficavam em média 10 meses no mercado até serem vendidas, indiciando uma (quase) paralisação do mercado;

- Aumentava o negative equity no mercado, as vendas efectuadas a desconto e o número de hipotecas executadas;

- O mercado de commercial real estate quase entrava em colapso, com grande parte dos REIT a necessitar urgentemente de capital, sem linhas de crédito disponíveis, com yields e vacancy rates a subir e capitalizações bolsistas em baixo;

- As taxas de juro já tinham iniciado um movimento de descida mas longe ainda de atingirem os mínimos que hoje se verificam.
Na altura, lembro-me bem que apontava 3 variáveis a ter em conta para ir analisando o mercado e “navegando à vista”: yields, dívida e vacancy rates.

No fundo, aquilo que observávamos era uma erosão no valor do mercado habitacional, dado o efeito conjunto da desvalorização das habitações e da manutenção do valor da dívida (amortizável a longo prazo):

Volvidos agora mais de 9 meses, importa fazer um balanço sobre o que se passou e concluir acerca das expectativas geradas. Vamos ver o que aconteceu com as yields, a dívida e o valor dos imóveis.

Efectivamente, o 1º trimestre de 2009 não augurava nada de bom, com os mercados a sofrerem importantes e assinaláveis quedas. A partir de Março de 2009 o sentimento alterou-se e os mercados reagiram.

Desde essa altura, o índice S&P Case Shiller (que mede o valor do mercado de habitação norte-americano e já aqui analisado num artigo anterior), valorizou 4,66% e o S&P 500 acumula uma subida de cerca de 60%. As casas demoram hoje menos tempo a vender (cerca de 7 meses) e as vendas têm subido de forma consistente .

As taxas de juro mantiveram o seu movimento de descida. A Euribor a 6 meses, principal indexante dos contratos de crédito à habitação em Portugal, encontrava-se em meados de Dezembro de 2009 ainda abaixo de 1% e muito abaixo dos máximos registados em Outubro de 2008 de 5,448%. Em apenas 14 meses, registou uma descida de quase 450%!
Fonte: euribor.org
Também as yields do mercado imobiliário observaram um certo processo de consolidação. Depois de fortes subidas entre o final de 2008 e início de 2009, o mercado começou a estabilizar. Dados mais recentes da Cushman & Wakefield apontam para uma average prime yield do mercado de commercial real estate no Reino Unido de 6,58 %, 83 pontos base abaixo dos máximos verificados em Março. O mercado industrial também não fugiu a esta queda, estando agora com yields 123 pontos base abaixo dos máximos de 2009. As razões subjacentes a estes movimentos relacionam-se com uma certa percepção por parte dos investidores que 2009 foi o ano dos mínimos na valorização de activos imobiliários. No entanto, pouca oferta para yields mais elevadas pode também justificar este movimento de descida (maior pressão da procura por existência de pouca oferta).
Outro movimento interessante que observamos durante o presente ano foi o processo de desalavancagem do mercado imobiliário. Durante 2009, o mercado de REIT norte-americano observou um recorde nos montantes médios de oferta de capital. Até ao final do 3º trimestre de 2009, os REIT tinham já levantado equity num montante de cerca de 23 mil milhões de dólares, acima dos máximos verificados em 2006. O peso da dívida angariada, esse encontra-se em mínimos históricos:

Fonte: NAREIT
Os 50 maiores REIT’s aumentaram a sua capitalização bolsista em 14% sendo que o peso da dívida diminuiu para 52,8% face aos 60,1% registados no 2º trimestre. Isto significa que o mercado imobiliário norte-americano atravessou em 2009 um forte processo de recapitalização, por entrada de fresh equity e progressiva desalavancagem.
Ao contrário, as empresas de Private Equity Real Estate têm tido crescentes dificuldades em angariar capital. De acordo com a Preqin, 17 private equities conseguiram levantar no mercado qualquer coisa como 4,9 mil milhões de dólares durante o 3º trimestre de 2009, o valor mais baixo desde 2003. Esta diferença face aos REIT terá provavelmente a ver com questões de transparência, confiança e liquidez dos títulos.
A questão que agora se põe é: em 2010, continuaremos a observar novas subidas nos mercados ou voltaremos às quedas?

As Perspectivas para 2010
De acordo com um analista da Canaccord Financial Corp, em 2010 o sector imobiliário, cotado e não cotado, pode observar retornos de 15% a 25%, entre 1/3 de ganhos de yield e 2/3 de ganhos de capital (ou seja, a expectativa é fundamentalmente que o mercado valorize e não que seja capaz de gerar mais rendimento). As vacancy rates também se esperam que voltem a descer, com alguma recuperação no mercado de emprego e no sector bancário. O sector dos REIT, actualmente a transaccionar a desconto e ainda 39% abaixo dos máximos verificados em 2007, também se espera que suba.
E será mesmo assim? Com alguma certeza, parece-me que ninguém o poderá afirmar mas pessoalmente tenho algumas dúvidas que os mercados recuperem tão rapidamente como alguns analistas prevêem. Fundamento a minha expectativa em 2 factores:
- Em primeiro lugar, o desemprego. Tem-se mostrado crescente nos últimos tempos e poucos esperam que o mercado de emprego melhore nos próximos 12 meses. Enquanto assistirmos à subida do desemprego, com o passar do tempo teremos mais pessoas sem emprego e sem benefícios sociais (por entretanto terem terminado), logo menor capacidade de consumo e de pagamento de dívidas;
- Em segundo lugar, a dívida associada aos Estados. Também ela tem crescido bastante e face a um forte recuo no PIB da economia mundial, o risco associado a esta dívida tenderá a crescer. Ainda muito recentemente, vimos a Standard & Poor’s a rever o rating de economias como a Grécia, Portugal, Espanha, entre outras;
O primeiro factor pode ter consequências ao nível do consumo, da dívida das famílias e, por consequência, na desvalorização do imobiliário (consome-se menos, o sector de retail, por exemplo, ressente-se; com maior dificuldade em pagar as dívidas, o mercado de habitação pode desvalorizar). O segundo factor, creio poder ter consequências ao nível das yields. Com uma subida do risco associado à dívida dos Estados (o denominado risk-free), também o investidor imobiliário tenderá a “cobrar” uma yield superior no seu investimento.
Ambos os factores – entre outros, como é óbvio – poderão significar ou uma estabilização nos mercados (congelando este movimento de recuperação que dura já 8 meses) ou mesmo novas descidas.
A dívida associada ao mercado imobiliário também se manterá em 2010. No mercado norte-americano, por exemplo, existem ainda alguns REIT’s com fortes alavancagens, superiores a 90%, como são os casos da Maguire Properties ou mesmo da General Growth Properties (que inclusive já entrou em processo de falência). Das 10 empresas mais alavancadas, 6 operam quase exclusivamente no mercado de retail (novamente, a questão do desemprego a desempenhar um papel fulcral). Os 50 maiores REIT norte-americanos enfrentam um total de 17 mil milhões de dólares de dívidas a vencer durante 2010, ou seja, 7% do total da dívida por pagar. Caso os mercados iniciem novo processo de descida, estas empresas verão, de novo, a sua capitalização bolsista a descer e os seus rácios de solvabilidade a entrarem, mais uma vez, em níveis considerados perigosos.
O ano de 2010 será, novamente, um ano de navegação à vista e de escolha criteriosa dos investimentos.
Desejo a todos, um 2010 cheio de saúde e com excelentes negócios (imobiliários)!

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Leverage no mercado de REIT

Na sequência dos últimos vídeos que coloquei sobre a recapitalização dos REIT norte-americanos, deixo-vos hoje uma entrevista com Keven Lindemann, Director do Real Estate Group, SNL Financial.

No fundo do mercado, com a descida verificada nas cotações, o rácio debt to market cap chegou a atingir 60%, o que me parece dramaticamente elevado se pensarmos que se trata de um valor médio.

O que guardo deste breve vídeo é o rácio óptimo de endividamento dos REIT: 35%. Resta apenas saber se, com a diluição que tivemos no capital destas estruturas em 2009 (fruto do aumento exponencial de ofertas de capital no mercado), qual será o verdadeiro debt to asset value. No pressuposto que os REIT replicam o mercado imobiliário, parece-me que 35% para um veículo cotado é saudável. Veremos se 2010 nos traz mais volatilidade ou não.

Bons negócios (imobiliários)!

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Recapitalização no mercado de REIT

Hoje deixo-vos uma entrevista com Craig Leopold da Green Street Advisors. Nesta entrevista, podemos ouvi-lo falar do sucesso que 2009 representou para os REIT norte-americanos no que respeita a uma maior facilidade de angariação de fresh equity.

De acordo com a NAREIT, durante 2009 o mercado de REIT norte-americano observou um recorde nos montantes médios de oferta de capital. Até ao final do 3º trimestre de 2009, os REIT tinham já levantado equity num montante de cerca de 23 mil milhões de dólares, acima dos máximos verificados em 2006.

Este aspecto parece-me pertinente. No passado dia 17 de Dezembro estive num almoço organizado pela Vida Imobiliária, dedicado ao tema das SOCIMI e dos REIT. O painel presente era constituído por figuras de bastante relevo no nosso mercado - entre eles, o Engº Pedro Seabra, Engº Filipe Amado e o Dr. Joaquim Figueiredo. Coloquei uma questão relacionada sobre este assunto: se os REIT estiverem cotados, não terão eles mais facilidade em aceder a capital, principalmente em épocas como as que vivemos, de maior escassez de fundos?

A resposta foi unânime, ao concluir que não! Respeito, obviamente, essa posição mas os dados não o confirmam e nesta entrevista parece-me que Craig Leopold é claro ao afirmar que os REIT acabaram por desempenhar um papel muito importante no mercado de commercial real estate em 2009, devido a essa capacidade de angariar capital e, assim, recapitalizarem as suas estruturas e, indirectamente, o próprio mercado imobiliário.


Sejamos claros num aspecto: eu não defendo a obrigatoridade de cotar os REIT em bolsa! Em Portugal acho que isso seria um erro que aniquilaria, logo de início, estes veículos. Mas num mercado líquido como é o norte-americano, parece-me que pode facilitar a angariação de fresh equity e os dados do mercado estão aí a confirmá-lo.

Ainda sobre este assunto, podem também ver esta entrevista com Harvey Green da Marcus & Millichap. A posição sobre a recapitalização dos REIT é semelhante.


Bons negócios (imobiliários)!

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Real Estate & Finance Newsletter nº6 - Fundos de Investimento Imobiliário

Antes de ir de férias, não poderia deixar de vos disponibilizar mais uma edição da Real Estate & Finance Newsletter, desta feita dedicada ao tema dos Fundos de Investimento Imobiliário.

Podem fazer o download aqui.

Bons negócios (imobiliários)!... e boas férias!

terça-feira, 14 de julho de 2009

O Estado do Commercial Real Estate - II

Como me parece que este assunto é importante e muito actual, coloco aqui mais um vídeo, com uma entrevista a Brint Davis da Alliance Commercial que nos fala sobre o estado do Commercial Real Estate.

A "ticking time bomb". Subida das cap rates, descida do consumo, aumento dos defaults na dívida, tudo combinado e temos uma bomba prestes a rebentar. Em média, o mercado tem observado desvalorizações entre 30% a 35% fruto da combinação destes factores o que, para LTV's originais de 70% faz com que entremos já numa zona de negative equity.

Como refinanciar este mercado?

Por cá, a minha percepção é que a situação não é diferente. Proprietários de espaços comerciais, hoteleiros, participantes de Fundos Imobiliários Fechados... todos eles estarão a experimentar a mesma realidade: descida do valor dos seus activos, elevadas alavancagens e, em alguns casos, negative equity.

Um trabalho cuidadoso e especializado sobre estes activos é fundamental para que se consiga proceder ao refinanciamento dos mesmos. Não basta levar a cabo uma avaliação; é necessário conhecer bem os mercados em que se inserem, analisar bem a procura e a concorrência e proceder a uma cuidada projecção de cash-flows para verificar se estes activos conseguem fazer face ao serviço da dívida.

Podem ver o vídeo aqui.

Bons negócios (imobiliários)!