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segunda-feira, 27 de maio de 2019

Adicional ao IMI – Parte 2: imóveis detidos por fundos de investimento e sociedades imobiliárias e afectos às respectivas actividades económicas

Conforme vimos na primeira parte, o AIMI tributa imóveis “com afectação habitacional” e exclui prédios urbanos classificados como “comerciais, industriais ou para serviços” e “outros”. 

Depois de termos abordado a situação específica dos terrenos para construção, iremos nesta segunda parte analisar o caso dos imóveis habitacionais afectos às actividades económicas, designadamente das sociedades imobiliárias e fundos de investimento imobiliário que os detêm. 

Houve uma inicial preocupação legislativa em evitar o impacto do AIMI na actividade económica, dado que no relatório do Orçamento de Estado para 2017 é expressamente prevista a hipótese de exclusão da incidência objectiva de tal imposto para os “prédios rústicos, mistos, industriais e afetos à atividade turística, permitindo-se ainda às empresas a isenção de prédios afetos à sua atividade produtiva até € 600.000”.

No entanto, tal isenção acabou por não ter qualquer acolhimento na lei, na medida em que o artigo 135.º-C, n.º 2, do Código do IMI apenas prevê a possibilidade de serem aplicadas isenções quando o sujeito passivo é uma pessoa singular ou uma herança indivisa, nada se referindo relativamente às pessoas colectivas. 

quarta-feira, 22 de maio de 2019

EUA: mercado hoteleiro em crescimento

O investimento em unidades hoteleiras nos Estados Unidos da América não pára de crescer. Durante o ano de 2018, o número de transacções cresceu 25% enquanto que o volume de transacções subiu quase 50%.

De acordo com a empresa STR, que analisou mais de 507 transacções no mercado hoteleiro norte-americano, o volume global transacionado situou-se acima dos USD 29,5 biliões, um valor que se situou 49% acima do registado em 2017.

As transacções mais caras registaram-se nos Soho House Chicago e the Plaza Hotel, ambos a serem vendidos por um preço superior a USD 2 milhões por quarto. Individualmente, o Waldorf Astoria Grand Wailea, no Hawai, registou a maior venda individual pela módica quantia de USD 1,1 biliões.

Bons negócios (imobiliários)!

segunda-feira, 20 de maio de 2019

A gravata já foi. O próximo a ir é o escritório.

Claro que isto é um exagero. O escritório, tal como o conhecemos, continuará a existir mas com algumas diferenças. O que leva empresas do sector da distribuição, como a Auchan, ou do sector da banca, como o Santander, a oferecer espaços de trabalho em Coworking aos seus clientes?

Para além de uma clara intenção de reforço de notoriedade da marca, principalmente junto de públicos mais jovens, as grandes multinacionais já perceberam que o mundo do trabalho está a mudar e que esta mudança passa em primeiro lugar pelo espaço de trabalho.

Hoje em dia os escritórios são, acima de tudo, espaços. A tecnologia permite-nos trabalhar em qualquer espaço: seja o nosso sofá, um café, um lounge de aeroporto ou um espaço de cowork gratuito no banco Santander.

Há dias, um colaborador de uma multinacional que está instalado no nosso Cowork perguntou se não nos importávamos que trouxesse as pantufas para o trabalho. Há cinco anos, provavelmente perguntaria à sua chefia se poderia dispensar a gravata, por forma a estar mais confortável. A gravata já quase passou à história e os escritórios estão a tornar-se, cada vez mais, locais agradáveis para trabalhar - afinal, é aí que passamos 70% do nosso dia.

O recém criado Happiness Corporate Board, uma iniciativa pioneira em Portugal liderada pela Cristina Nogueira da Fonseca, da consultora Happy Town, é um exemplo claro desta mudança de paradigma. Vivemos uma “revolução silenciosa” que tem cada vez mais adeptos e é inter-geracional. Este grupo de reflexão visa, entre outras coisas, contribuir para a evolução de uma cultura focada na felicidade e no bem-estar das pessoas, fruto das exigências da vida moderna e dos novos hábitos que os Millennials e a Geração Z vieram (felizmente) introduzir na sociedade, nomeadamente ao nível do equilíbrio entre vida e trabalho.

Como gestor de um espaço de Cowork é um privilégio poder contribuir para esta mudança.  Depois da revolução do fato e gravata, segue-se o escritório.

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Carlos Gonçalves

quarta-feira, 15 de maio de 2019

Escritórios: investimento cresce em Madrid


As expectativas para o mercado de escritórios em Madrid estão em alta. Para 2019 são esperados mais de € 3 mil milhões de investimento neste segmento de mercado com as prime yields a estabilizarem nos 3,75%.

No entanto, um aumento esperado das rendas de quase 10% torna os activos de escritórios mais apetecíveis e com um bom potencial de valorização, num mercado com uma taxa de desocupação muito baixa, podendo cair até aos 9% em 2021.

O expectável aumento das rendas, perante uma oferta estável, posiciona assim Madrid com uma das capitais com as yiels de mercado mais reduzidas, apenas atrás de mercados como Singapura, Amesterdão ou Paris, segundo dados da Knight Frank.

Bons negócios (imobiliários)!

segunda-feira, 13 de maio de 2019

Expired Listings: o que são e como trabalhá-los

O mercado imobiliário é cíclico. Neste momento a tendência é de descida suave e talvez seja esta a razão porque aparentemente sinta que o mercado está relativamente estável em determinadas zonas, sendo que a localização e a procura continuam a definir diferentes cenários onde esta tendência não se verifica havendo zonas onde o mercado vai continuar a subir.

O que de facto se constata é que na generalidade, o tempo de absorção de venda dos imóveis começou a aumentar e o valor da oferta (asking price) a descer. Os especialistas de zona, pela sua experiência e sensibilidade são os primeiros a verificar esta realidade, muitos outros profissionais irão fazer o caminho da tentativa/erro e muitos proprietários irão continuar a marcar os preços dos seus imóveis em alta, provocando assim um desfasamento acentuado entre o valor pedido e o valor real de transação. Veja-se que ainda recentemente o Confidencial Imobiliário falava de uma diferença de 22% entre estes valores em Lisboa e cerca de 30% na zona do Porto.

Perante este cenário, vamos voltar a ter proprietários que não vão conseguir vender os seus imóveis sozinhos, ou mesmo com ajuda de profissionais que não conseguiram demover o dono do imóvel para uma baixa de preço que vá de encontro aos valores da procura real.

Os expirados, termo de origem Norte-Americana (expired listing) que significa angariações caducadas ou em vias de atingir caducidade, é uma classificação que segmenta proprietários que colocaram o seu imóvel à venda e não tiveram sucesso. Os expirados são medidos pelo tempo de transação médio considerado “normal” para a venda de um imóvel, variando consoante a especificidade de cada zona e mercado, mas no geral, num mercado de equilíbrio situa-se num período de 6 meses.

quarta-feira, 8 de maio de 2019

Investimento em Residências de Estudantes mantém-se em alta

O investimento imobiliário no segmento de Residências de Estudantes manteve-se elevado em 2018. Segundo dados publicados pela Savills, apesar de um ligeiro decréscimo de 2% face a 2017, o ano transacto registou um volume global de investimento neste segmento superior a USD 18 biliões, estando 425% acima do valor registado há uma década atrás.


Os Estados Unidos da América concentram a maior fatia do investimento realizado com mais de USD 10 biliões, tendo inclusive registado um valor recorde em 2018.

A análise realizada a 15 mercados internacionais conclui que a yield média deste segmento de investimento situa-se nos 4,8%, indo desde 3,7% na Alemanha até aos 6% na Austrália. Portugal regista uma yield de 5,5%.

A Greystar é o investidor mais activo com cerca de USD 4,5 biliões alocados em 2018 em portfolios nos Estados Unidos, Reino Unido, Espanha, Holanda e Austria. Actualmente é proprietário de mais de 50.000 unidades tendo investido cerca de USD 6,6 biliões desde 2016.

Bons negócios (imobiliários)!

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Fonte: Global Student Housing Investment

segunda-feira, 6 de maio de 2019

A sua empresa tem uma estratégia de centralização no cliente?

A indústria do imobiliário está a sofrer alterações profundas que evidenciam alterações geracionais de hábitos e necessidades dos consumidores. Se há 20 anos as empresas que se destacavam nesta indústria estavam a apostar fortemente nos “novos” veículos online, que permitiam ao consumidor aceder em qualquer parte do mundo ao portfólio da mediadora ou construtora, agora essa vitrina começa a tornar-se obsoleta. 

Com a evolução tecnológica dos últimos 5 anos, o consumidor já não tem tempo ou necessidade de pesquisar imóveis por conta própria tendo o risco de seguir informação incorreta ou profissionais menos preparados. Este facto deve-se em muito a uma filosofia potenciada pela tecnologia. A filosofia corporativa de estratégia “customer centric” ou de “centralização no cliente”. 

Customer centric é uma conduta que se baseia na análise dos comportamentos e tendências do consumidor a partir de informação geral sobre o mesmo, e que tem o intuito de proporcionar uma experiência positiva desde a captação do cliente até ao pós-venda, a fim de conduzir um aumento na retenção, lealdade e lucros da empresa.

Uma empresa customer centric é mais do que uma empresa que oferece um bom serviço. É uma empresa que se foca nas necessidades do cliente e suas reações para moldar o serviço prestado e o produto apresentado de forma a que lhe seja facultado de forma natural e no momento mais conveniente. Os consumidores mais activos, independentemente da faixa etária e as novas gerações criam assim uma relação de rapport e fidelidade com as empresas que facultem soluções à medida, sem gastarem tempo e com um risco reduzido. Para que uma empresa consiga verdadeiramente aliar estes factores é obrigada a reter muita informação geral sobre os seus clientes, para poder nutrir uma relação comercial duradoura. A tecnologia veio facultar ferramentas que permitem a reunião de informação, suficiente para qualificar e bem servir um cliente superando as suas expectativas pela previsão das suas necessidades e preferências. 

A grande parte das novas empresas ou startups inovadoras, ganham a sua notoriedade e sucesso quando dispõem desta filosofia de análise constante dos comportamentos do seu alvo principal. Na indústria imobiliária temos os casos da Knotel, Skyline AI ou a Bowery, que aliando a retenção de informação, seja do cliente ou do mercado em si, disponibilizam análises e resultados de forma rápida, eficaz e segura. Esta revolução tecnológica vem valorizar a análise de informação de forma a construir pontes para uma melhor relação entre o consumidor e as empresas, pontes estas alicerçadas numa melhor prestação de serviços imobiliários, maior rapidez e transparência.

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Por Jorge Próspero dos Santos
Dynamic Referral System Corporation

quinta-feira, 2 de maio de 2019

Alojamento Local: Avenida dos Aliados e Chiado são as zonas mais rentáveis

A Avenida dos Aliados e a Rua Mouzinho da Silveira, na cidade do Porto, são as áreas que podem gerar as receitas mais elevadas para os proprietários de unidades de Alojamento Local, de acordo com a GuestReady numa versão inspirada no jogo de mesa Monopólio, que inclui os preços médios diários das unidades de Alojamento Local cobrados através da Airbnb nas principais zonas de Lisboa e Porto, em substituição das áreas tornadas famosas pelo jogo de 1930.

Esta solução foi criada com base num estudo de mercado realizado recentemente por esta empresa de gestão de unidades de Alojamento Local em Portugal, tendo como objetivo mostrar aos proprietários das unidades de alojamento de Lisboa e do Porto quanto poderão ganhar por dia anunciando as suas propriedades em plataformas de aluguer de curta duração.

O estudo indica que um apartamento com dois quartos pode render por dia até €150 na Avenida dos Aliados, com uma unidade idêntica a poder gerar até €140 na Rua Mouzinho da Silveira. Propriedades semelhantes na Rua do Alecrim e na Rua Garret, em Lisboa, podem também atingir receitas de €130 diários.



De resto, os proprietários de alojamentos situados em zonas centrais de Lisboa e do Porto, como o Chiado, a Baixa, a área da Estação de S. Bento e a Rua de Sta. Catarina podem obter receitas diárias até aos €120 com os seus apartamentos anunciados em plataformas como a Airbnb. 

As zonas mais baratas presentes neste estudo da GuestReady são a da Rua da Cedofeita, no Porto, com preços médios entre os €70 e os €85 para apartamentos com um e dois quartos, respetivamente, bem como a da Av. Almirante Reis e do Largo do Rato, em Lisboaa, com valores médios entre os 70 e os 90 euros por dia, consoante a tipologia. 

Algumas áreas à volta das estações ferroviárias apresentam também valores de aluguer mais baixos do que outras resentes neste jogo, mas os preços continuam a revelar-se atrativos para os turistas que pretendem visitar Lisboa e o Porto, quando comparados com os preços dos hotéis nessas zonas. Um apartamento com um quarto junto à estação de Campanhã pode render em média €55 por dia, enquanto um alojamento semelhante perto da Estação do Oriente chega a custar €75.

Bons negócios (imobiliários)!

segunda-feira, 29 de abril de 2019

Sinais de mudança no mercado residencial?

O mercado residencial norte-americano continua a dar indicações de mudança: queda no número de casas vendidas, preços de venda cada vez mais longe dos asking prices e preços em queda em alguns Estados.

Os dados mais recentes apontam para um crescimento no número de meses de casas em venda. Este indicador procura mostrar a quantidade de stock que existe em venda no mercado e quanto tempo demoraria para escoar esse mesmo stock.

Em Janeiro, o indicador estava nos 6,6 meses, bem acima dos 4 meses registados em Janeiro de 2013. O gráfico mostra bem os momentos em que o índice atinge os seus picos, sempre em momentos de recessão económica, o que se entende. Mostra também que o início de uma subida antecipa normalmente esses mesmos períodos de recessão.


Os valores agora registados estão em linha com aqueles observados em meados de 2006, momento em que o mercado residencial norte-americano começa a mudar, levando depois à já conhecida crise do subprime, um ano depois. Há, no entanto, uma diferença importante (para além de outras, naturalmente): o preço.

No final do 1º trimestre de 2006, o preço mediano de venda de uma casa nos Estados Unidos situava-se nos USD 247.700; no final de 2018, esse valor está agora nos USD 317.400.  Trata-se de uma subida de 28,1% ao longo de cerca de 13 anos. Parece bastante. No entanto, importa reter que a inflação acumulada ao longo do mesmo período - 2006 a 2018 - foi de 24,7%, ou seja, o mercado residencial norte- americano praticamente que replicou a taxa de inflação durante este período de tempo:


Que ilações retirar destes dados?
  • Com uma subida do inventário, é de esperar mais tempo para venda de uma casa;
  • Demorando mais tempo para vender, é natural que se assista a uma correcção em baixa dos asking prices;
  • A partir do momento em que o mercado interiorize estas correcções - mais tempo para venda e descida dos asking prices - os preços de venda tenderão a corrigir também em baixa.
A pergunta para um milhão de dólares: até onde? De quanto será esta correcção? Difícil estimar, claro está. Mas será expectável que seja isso mesmo, uma correcção em baixa. Uma alteração do ciclo do mercado até se encontrar um novo equilíbrio.

Bons negócios (imobiliários)!

quarta-feira, 24 de abril de 2019

Habitação: Lisboa regista o maior crescimento de rendas no Mundo

Lisboa é a cidade com o maior aumento de rendas no Mundo, segundo um estudo realizado pela CBRE. A capital portuguesa registou um aumento médio das rendas residenciais de 20,9%, bem acima dos 11,1% ocorridos em Madrid (variação homóloga entre o 1º trimestre de 2017 e igual período de 2018).

Em igual período, e segundo a mesma publicação, Lisboa registou um aumento dos preços de venda na habitação de 5% com as casas a custarem, em média, quase USD 210.000. As yields médias de mercado fixaram-se nos 4,5%.

Hong Kong é o local mais caro do Mundo para se comprar uma casa, com um preço médio de USD 1,2 milhões. Já noutro post aqui no blogue tínhamos concluído que Hong Kong era o mercado residencial mais caro do Mundo segundo o Índice de Afordabilidade.

A análise realizada pela consultora a um total de 35 destinos mundiais conclui que Singapura, Shanghai, Vancouver e Shenzhen completam o top 5 dos mercados residenciais mais dispendiosos. Lisboa ocupa o 31º lugar nesta lista, estando Istambul no último lugar da tabela.


Barcelona foi a cidade que registou maior aumento de preços ao longo de 2018, com um crescimento de 16,9%, seguindo de Dublin com 11,6%. Duas cidades europeias no topo do crescimento de preços na habitação em 2018.

No mercado hoteleiro, Lisboa também dá cartas ocupando o 5º lugar do destino mais caro na Europa com um preço médio por quarto vendido de € 127,7, atrás de cidades como Paris, Londres, Roma e Milão.

Bons negócios (imobiliários)!
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terça-feira, 23 de abril de 2019

Habitação: mercado espanhol entra em fase de consolidação

Depois de um ano de 2018, no qual o mercado se aproximou de valores recorde, o ano de 2019 é esperado como o fecho de um ciclo, entrando o mercado espanhol em fase de consolidação.

O Jornal Expansión reuniu um painel de especialistas para procurar antever o ano que agora se inicia. As expectativas do painel apontam para um crescimento moderado dos preços na ordem dos 5%, enquanto que as vendas deverão crescer entre 10% a 13%. Caso tal venha a acontecer, 2019 será o 7º ano de crescimento consecutivo nos preços na habitação em Espanha.


Valencia, Málaga e Tarragona são as cidades onde se espera maior crescimento nos preços, depois de Barcelona e Madrid terem liderado o mercado nos últimos anos. De acordo com a Tinsa, espera-se que nessas cidades os preços possam vir a subir em cerca de 15% ao longo de 2019. Outras cidades, tais como Sevilha, Alicante, Palma, Bilbao, Murcia e Zaragoza estão também debaixo de olho de muitos investidores, com estes a esperarem uma subida nos preços na ordem dos 10%.

Adicionalmente, o mercado aguarda também mudanças importantes no arrendamento residencial, Com os preços a subir mais do que os vencimentos, muitos agentes esperam que alguma procura se transfira para o arrendamento (em vez da compra), ao mesmo tempo que o investimento em buy-to-let e built-to-rent começa a ganhar cada vez mais interesse da parte dos investidores.

Bons negócios (imobiliários)!

quarta-feira, 17 de abril de 2019

Habitação: rendas no Porto são 30% mais baratas que em Lisboa

De acordo com dados publicados pelo INE, as rendas residenciais na cidade do Porto fecharam o ano de 2018 no valor de € 7,85 /m2 /mês. Trata-se de um valor mensal que está 30% abaixo do montante praticado na cidade de Lisboa, cuja renda se fixou nos € 11,16 /m2 /mês.

Comparando com a renda registada no final de 2017, o valor agora observado situa-se 16% acima do de há um ano atrás. Aliás, a subida das rendas em 2018 foi generalizada a todas as freguesias do Porto, com um intervalo entre 7% (Campanhã) e 24% (Bonfim).

É na União das freguesias de Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde onde se regista o valor mais elevado do Porto, com uma renda mensal de € 8,86 por m2. Também a União das freguesias de Cedofeita, Santo Ildefonso, Sé, Miragaia, São Nicolau e Vitória, União das freguesias de Lordelo do Ouro e Massarelos e a freguesia de Bonfim apresentam rendas acima dos € 8 por m2, por mês. Campanhã é a freguesia com a renda mais baixa da cidade do Porto, nos € 6,19 /m2 /mês.

Em 2018 foram registados 3.110 novos contratos de arrendamento, um valor que está ligeiramente abaixo dos 3.177 observados ao longo do ano de 2017.

Um apartamento de tipologia T2, com 100 m2, custará agora um valor mensal na ordem dos € 785, bem abaixo dos mais de € 1.100 que se podem obter em Lisboa.

Bons negócios (imobiliários).

segunda-feira, 15 de abril de 2019

Rendas controladas? Nim

Este é um assunto complexo, amplamente discutido pela sociedade civil e política e que opõe os interesses dos senhorios aos dos inquilinos ou, na gíria diária, os interesses dos ricos e poderosos aos dos mais fracos.

Se o argumento dos socialistas em favor das rendas controladas é que a sociedade, como um todo, deve proteger e assegurar habitação para os mais desfavorecidos; os liberais defendem que qualquer manipulação dos preços, terá um impacto negativo na afectação dos recursos e logo um impacto negativo na economia. Alheios ou não a estas ideologias, os políticos sabem que estas políticas de controlo de rendas valem votos pois, pelo menos no curto-prazo, ajudam desproporcionalmente mais pessoas do que prejudicam.

Ora, recentemente, esta discussão deixou de estar assente maioritariamente em argumentos teóricos ou ideológicos porque foram divulgados um conjunto de estudos empíricos que enriqueceram  esta discussão. (mais informação sobre estes estudos pode ser obtida aqui.

quarta-feira, 10 de abril de 2019

Valor de Mercado. Qual deles?

O Valor de Mercado é a Base de Valor mais amplamente utilizada na Avaliação de Imóveis. Este artigo pretende comparar o conceito de Valor de Mercado que consta na definição das IVS (International Valuation Standards, 2017) com a adotada pelas EVS (European Valuation Standards, 8th Edition, 2016).

A. Normas Internacionais de Avaliação (IVS) publicadas pelo IVSC - International Valuation Standards Council e adotadas pelo RICS, Royal Institution of Chartered Surveyors

“Estimativa do montante mais provável pelo qual, à data da avaliação, um ativo ou um passivo, após um período adequado de comercialização, poderá ser transacionado entre um vendedor e um comprador decididos, em que ambas as partes atuaram de forma esclarecida e prudente, e sem coação.”- IVS 104, parágrafo 30.1

A explicação deste conceito está nos parágrafos seguintes da mesma IVS 104.
  • Descreve uma transação entre partes que operam de uma forma independente e livremente no mercado;
  • Reflete o Máximo e Melhor Uso do ativo que pode ser em Uso Continuado ou em Uso Alternativo;
  • Ignora quaisquer distorções de preço causadas pelo valor especial.

segunda-feira, 8 de abril de 2019

Novos desafios para a mediação imobiliária

Há cerca de 2 anos escrevia sobre os desafios para a mediação imobiliária em 2017. Na altura, apontava alguns pontos que considerava importantes para este sector de actividade:

- A dificuldade na angariação perante o crescimento na escassez de oferta;
- O desafio entre a especialização e um posicionamento mais genérico;
- A alteração na forma e meios de comunicação;
- A aposta no serviço.

Dois anos volvidos, verifica-se que o mercado evoluiu e se tornou ainda mais desafiante. Vendas e preços em alta, oferta cada vez mais escassa e forte aumento na concorrência no sector. O crescimento no número de agências e de mediadores imobiliários tornou ainda mais difícil a angariação e mais necessária a inovação na comunicação, uma correcta definição de posicionamento e a aposta no serviço como factor de diferenciação.

Durante este tempo, vários players cresceram. Cresceram em número de agentes, cresceram em facturação, cresceram os seus espaços de trabalho. Tudo isto acarreta mais custos e obriga a que todos devam estar bem alertas para a necessidade de gerir bem os seus negócios. Há que pensar a médio/longo prazo e não tomar decisões pensando apenas no curto prazo. O mercado tem ciclos e começa já a mostrar poder mudar. Há que estar preparado.

sexta-feira, 5 de abril de 2019

Espanha - Mercado Imobiliário, Fevereiro 2019

Fevereiro foi um mês relativamente calmo no mercado imobiliário Espanhol, ainda assim, várias transações foram fechadas nos sectores de escritórios, terrenos e ativos alternativos. Além disso, Pedro Sánchez, anunciou a decisão de manter as eleições gerais antecipadas para 28 de Abril de 2019, depois de não ter garantido o apoio à proposta de Orçamento do Estado do seu partido.

Escritórios

O negócio mais significativo em fevereiro foi marcado pelo regresso da Apollo a Espanha, com a compra de um portfólio de escritórios localizados em áreas secundárias de Madrid e Barcelona, do Banco Santander, por € 200 milhões. Ainda em Madrid durante o mês, a nova Socimi Árima de Luis López de Herrera-Oria, adquiriu dois prédios de escritórios nobres por 62,75 milhões de euros; a Acciona comprou a antiga sede do Banesto, composta por sete edifícios e abrangendo 104.000 m2, do Banco Santander por uma quantia não revelada; e a Marathon Asset Management comprou dois edifícios de escritórios, abrangendo 17.557 m2 na área de Julián Camarillo da capital, ao CaixaBank por € 15 milhões.

Existiram ainda novos desenvolvimentos em relação à Ciudad Financiera do Banco Santander, com o próprio banco a igualar a oferta apresentada pela Reuben Brothers no mês passado numa nova tentativa de neutralizar a ofensiva dos investidores britânicos para adquirir sua sede. O banco presidido por Ana Botín está a tentar invocar um direito de aquisição preferencial sobre os escritórios, mas não é certo que os seus esforços serão bem-sucedidos.

quarta-feira, 3 de abril de 2019

Habitação: breve retrato do arrendamento em Portugal

Portugal regista uma renda mediana de € 4,80 /m2 /mês, segundo os dados recentemente divulgados pelo INE. Significa isto que um apartamento com 80 m2 custará uma renda mensal na ordem dos € 380. Mas onde será que se encontram as rendas mais baixas no nosso País?

É no Concelho de Belmonte, vila portuguesa do Distrito de Castelo Branco onde encontramos o valor mais baixo das rendas residenciais em Portugal. Aqui, uma casa apresentará uma renda mensal de € 1,70 por m2. 

Curioso verificar que existem apenas 4 locais no País onde ainda é possível obter rendas abaixo dos € 2 /m2: Belmonte, Vila Nova de Foz Côa, Satão e Lamego.

Destaque ainda para a cidade de Bragança, com quase 500 novos contratos de arrendamento firmados em 2018 e uma renda mediana de € 2,49 /m2. Aliás, Bragança registou uma quebra nas rendas de 6%. Castelo Branco, por exemplo, com mais de 500 novos contratos apresenta já uma renda mensal de € 3,14 por m2.

Onde é que as rendas mais subiram?

segunda-feira, 1 de abril de 2019

Crédito Habitação subiu 19% em 2018

O crédito habitação em Portugal voltou a fechar em alta no ano de 2018. Os novos empréstimos à habitação levam já 6 anos consecutivos de subida. Em 2018 foram concedidos € 9.835 milhões em crédito para compra de casa, um valor 19,1% acima do montante registado em 2017.

Fonte: Banco de Portugal

No entanto é perceptível pelo gráfico apresentado que apesar das consecutivas subidas nos novos montantes de crédito habitação concedidos no mercado, o valor registado de 2018 encontra-se ainda bem abaixo dos montantes emprestados antes da crise financeira vivida em Portugal mas já muito próximo do período entre 2009 e 2010.

quinta-feira, 28 de março de 2019

Habitação: rendas crescem 16% em Lisboa

De acordo com dados divulgados pelo INE, as rendas medianas na habitação em Lisboa subiram 16% em 2018. No 2º semestre de 2018, foi reportado um valor mediano de € 11,6 /m2 /mês o que compara com € 9,62 / m2 /mês no final de 2017.

As maiores subidas na cidade de Lisboa verificaram-se nas freguesias de Santo António e Estrela, ambas com 27% de crescimento nas rendas. A freguesia de Santo António é, aliás, a mais cara de Lisboa apresentando agora uma renda de € 14,1. Um apartamento com 100 m2 custará agora cerca de € 1.410 de renda mensal.

Outras freguesias também registaram subidas assinaláveis, bem acima dos 20%: Ajuda, Avenidas Novas, Campolide, Santa Clara e Santa Maria Maior.


A seguir a Santo António, temos as freguesias de Misericóridia (€ 13,38 /m2 /mês), Parque das Nações (€ 13,12 /m2 /mês) e Estrela (€ 12,80 /m2 /mês) como as mais caras. Do lado oposto, aparecem Santa Clara (€ 8,31 /m2 /mês) e Marvila (€ 9,00 /m2 /mês) como as mais baratas. São também as únicas freguesias que registam rendas medianas abaixo dos € 10 /m2 /mês.

De registar que não houve lugar a qualquer queda nas rendas medianas, tendo apenas Marvila registado uma subida de 7%, a mais baixa de toda a cidade de Lisboa

Em 2018, foram firmados 77.723 novos contratos de arrendamento, tendo a Área Metropolitana de Lisboa concentrado 33% do total com 25.916 novos contratos. A cidade de Lisboa registou 6.643 novos arrendamentos. Arroios continua a ser a freguesia preferida dos lisboetas para arrendamento, tendo concentrado quase 10% da totalidade de novos contratos assinados. Já Marvila é a freguesia menos procuradas com apenas 1% dos contratos assinados em toda a cidade de Lisboa.

Bons negócios (imobiliários)!

quarta-feira, 27 de março de 2019

Número de casas vendidas em Portugal sobe 17%

Segundo dados divulgados pelo INE, o número de casas vendidas em Portugal durante o ano de 2018 atingiu as 178.691, valor que se situa 17% acima do registado durante o ano de 2017. Trata-se do valor mais elevado desde 2009, ano em que se iniciou este índice. É igualmente o 2º ano consecutivo de registo de novo recorde:

Fonte: INE

O Alentejo foi a zona do País onde se registou maior aumento relativo, com uma subida de 23% no número de casas vendidas. A Madeira ficou-se apenas pelos 7%, tendo todas as zonas analisadas registado subidas nas vendas. A Área Metropolitana de Lisboa concentra 35% das vendas nacionais com 62.489 casas vendidas, bem acima das 30.450 vendas registadas na Área Metropolitana do Porto.

A venda de casas novas caiu no Algarve e Madeira, tendo subido em todas as restantes zonas do País. No segmento de usados, mais uma vez destaque para o Alentejo que registou uma subida de 27% as vendas. De resto, todas as zonas do Pais observaram uma subida nas casas vendidas usadas.

De realçar ainda que em Lisboa se registou uma quebra nas vendas no último trimestre de 2018, de -5%, aliado a uma correcção em baixa de -4% no preço médio, fazendo assim cair o volume de transacções em quase € 300 milhões (-8,6%). Esta correcção tem uma dupla justificação:
  • Quebra acentuada de -14,5% no nº de casas novas vendidas;
  • Quebra de -7% no preço médio das casas usadas.
Curioso verificar que mesmo com uma descida de quase -15% nas casas novas vendidas, o preço médio neste segmento subiu 14,9%.

Bons negócios (imobiliários)!