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quarta-feira, 21 de novembro de 2018

Golden Visa pesam menos de 1% no mercado imobiliário

No passado mês de Outubro, o programa "Autorizações de Residência para Actividade de Investimento" completou 6 anos. Para quem, como eu, já por cá andava nessa altura e via o definhar do nosso mercado imobiliário, desde logo se congratulou com uma medida diferente e que, de facto, poderia dinamizar o mercado imobiliário nacional, em concreto no segmento residencial. 

E de facto assim foi. O conhecido programa "Golden Visa" gerou muito interesse por parte de potenciais investidores não-europeus, como forma de obtenção de um passaporte para o Espaço Schengen. O ticket de entrada não era alto: € 500.000. As condições base, atractivas: deter residência em Portugal por um período de 5 anos, estar no País um mínimo de 7 dias por ano. Apesar de ter sido lançado em 2012, só em 2013 se começou verdadeiramente a sentir a sua importância. 

Desde então, em 6 anos, segundo dados do SEF, foram concedidos 6.687 vistos ao abrigo deste programa, o que representa qualquer coisa como 4.000 milhões de euros em investimento. Deste montante, cerca de € 3,7 mil milhões referem-se a investimento em activos imobiliários, valor que corresponde a 6.320 vistos concedidos. Destes, mais de 90% são concedidos na zona da Grande Lisboa.

Entre o 4º trimestre de 2012 e o 2º trimestre de 2018, de acordo com dados do INE, Portugal registou um total de 658.128 casas vendidas, o que correspondeu a um montante global de 78,1 mil milhões de euros em transacções.

quarta-feira, 14 de novembro de 2018

Habitação em Espanha: nacionais compram mais do que estrangeiros

A venda de imóveis residenciais em Espanha cresceu 12% no 2º trimestre de 2018, com os compradores espanhóis a aumentarem mais que os estrangeiros. No período referido, foram vendidas 134.196 casas, com 13% das mesmas a serem adquiridas por estrangeiros, um número que se encontra acima dos 7,7% registados em Portugal.

Os investidores britânicos são os que mais investem em Espanha, tendo adquirido 2.590 habitações no 2º trimestre de 2018. Logo atrás, vêm franceses e alemães que conjuntamente compram tanto quanto os ingleses. Os investidores britânicos parecem ter recuperado interesse pelo mercado residencial espanhol depois das quedas verificadas nos anos de 2016 e 2017.


Em termos de variação, foram os investidores oriundos da Irlanda, Polónia e Marrocos que registaram maior crescimento nos investimentos realizados, enquanto que franceses e suíços começam a demonstrar menos interesse pelo mercado residencial do país vizinho.

Bons negócios (imobiliários)!

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Estrangeiros compram cada vez mais imóveis

Há cada vez mais estrangeiros a investir em imobiliário em Portugal. Esta é a conclusão dos dados mais recentemente divulgados pelo INE, que mostram que o número de prédios comprados por não-residentes em Portugal tem vindo a aumentar de forma consecutiva desde 2012.

No ano de 2017, os não-residentes foram responsáveis por 7,7% do número de transacções de prédios em Portugal, tendo comprado 17.388 imóveis de um total de 226.617 transaccionados, valor que compara com os 7,3% registados em 2016. Se a análise for feita em valor, conclui-se que o peso das transacções dos não-residentes cresce para 11,5% em 2017. De facto, o preço médio de cada transacção de um não-residente é superior à média nacional (€ 160.407 vs. € 107.381).


Os franceses são aqueles que mais têm investido nos últimos 2 anos, com quase 20% das transacções, ultrapassando chineses e britânicos que tomavam a maior parte das transacções entre 2012 e 2015. Angola não figura sequer no top 5 dos maiores investidores desde 2012, tendo mesmo saído do top 10 nos últimos 2 anos. Por seu turno, os brasileiros têm vindo a ganhar mais importância, sendo já o 3º país que mais investe em imobiliário em Portugal.

Só nos últimos 5 anos, e segundo dados da AECOPS, foram vendidas 70.700 casas a estrangeiros em Portugal, com um investimento a rondar os € 2.800 milhões só em 2017, sendo que 36,3% das transacções registadas foram em imóveis acima dos € 500 mil.

Bons negócios (imobiliários)!

quarta-feira, 30 de maio de 2018

Espanha: venda de casas a estrangeiros mantém-se em alta

Mais de 60.000 de casas foram vendidas a estrangeiros em Espanha durante o ano de 2017. Segundo dados divulgados pelos registos espanhóis, a quota de mercado de estrangeiros desceu ligeiramente para 13,11%, dos 13,25% observados em 2016, facto que não impediu, mesmo assim, que se registasse um novo recorde na venda de casas a estrangeiros no país vizinho. 


Os cidadãos de origem inglesa mantêm a sua hegemonia no mercado, contando com 15% das vendas a estrangeiros, apesar de uma ligeira queda em 2017. Franceses e alemães são as nacionalidades que se seguem, à frente dos belgas e suecos.

Em termos de localização, os estrangeiros preferem as zonas costeiras, com os ingleses à cabeça. Os investidores de nacionalidade alemã preferem casas nas baleares, enquanto que os franceses optam mais pela zona da Catalunha

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Bons negócios (imobiliários)!

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Golden Visas sobem 30% em 2016

Números oficiais do SEF mostram um crescimento no número de "Golden Visas" emitidos em 2016, na ordem dos 30%, e o ano de 2017 parece querer bater novos recordes, com um total de 801 vistos concedidos até Abril deste ano, acima do total concedido em 2015.

Dos mais de 5.000 investidores que entraram no mercado nacional por vista deste esquema, a grande maioria é proveniente da China (67%), seguido do Brasil (8%) e África do Sul (3,6%). De facto, os investidores sul-africanos têm vindo a ganhar cada vez mais interesse pelo mercado, ultrapassando já os investidores russos.


quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Chineses preferem casas novas

Um inquérito realizado pela Juwai.com - plataforma integrada que junta agentes imobiliários internacionais e compradores chineses - mostra que grande parte dos investidores chineses em habitação, preferem comprar imóveis novos em vez de usados. De facto, das respostas obtidas, a preferência na compra de uma casa nova, comprada directamente ao construtor, obteve uma pontuação de 7,3 (em 10), enquanto que a opção por uma casa existente apenas obteve um score de 5,8.

O mesmo inquérito apontou ainda outras conclusões bastante interessantes:
  • Segurança. Comprar uma casa em bairros e ruas seguras é fundamental, com 82% dos inquiridos a referir este ponto como sendo muito importante;
  • Conveniência. Uma casa localizada num bairro com serviços, lojas e equipamentos de conveniência foi igualmente um factor importante apontado;
  • Longo prazo. Grande parte dos compradores chineses investem não para uma utilização imediata e própria, mas antes a pensar no longo prazo, nos filhos e nas gerações vindouras. Educação foi um dos principais factores mobilizadores na compra, com grande dos investidores chineses a decidirem comprar casa para os filhos.
Por outro lado, a singularidade do imóvel e capacidade de o adaptar ao gosto pessoal do comprador são os 2 factores que menos pesam na tomada de decisão final.

Bons negócios (imobiliários)!

quinta-feira, 17 de março de 2016

Investidores chineses alteram estratégias de investimento

Segundo dados da consultora Knight Frank, os investidores chineses aplicaram USD 30 biliões em imobiliário em 2015, o dobro do valor alocado em 2014. As cidades de Nova Iorque, Londres, Melbourne e Sidney absorveram 40% desse valor.

Em 2015, registou-se um aumento dos investimentos realizados por empresas seguradoras e promotores imobiliários. De facto, das 10 maiores transacções, 6 foram concretizadas por seguradoras, como são o exemplo da compra do icónico Hotel Waldorf Astoria por USD 1,95 biliões ou da Heron Tower em Londres pelo valor de 1,172 biliões de dólares.

Já segundo a consultoria C&W, os investidores chineses estão a alargar o âmbito das suas alocações de capital, quer em termos de tipo de imóveis, quer em termos geográficos. Em 2015, registou-se um acréscimo de 22% na alocação de capital a imóveis de rendimento (commercial real estate), tendo-se registados igualmente um acréscimo de actividade por parte de empresas privadas e cotadas em bolsa. Em 2014, os investidores activos foram, sobretudo, fundos de pensões e governamentais.

Em termos geográficos, foi clara a mudança de investimento, com uma forte redução dos montantes alocados no Reino Unido, ao passo que países como França, Alemanha, Europa do Sul e Benelux observaram um acréscimo de investimento da parte dos investidores chineses.

Bons negócios (imobiliários)!

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Os Vistos Gold e os Novos Incentivos à Reabilitação Urbana


No passado dia 1 de Julho de 2015, entrou em vigor a Lei n.º 63/2015, que procedeu à terceira alteração à Lei n.º 23/2007, de 4 de Julho, que aprova o regime jurídico de entrada, permanência, saída e afastamento de estrangeiros do território nacional, onde se insere a Autorização de Residência para actividade de Investimento – abreviadamente designada por ARI e conhecido na gíria por “Golden Visa”.

No que diz respeito às principais alterações que esta lei veio trazer, destacam-se as seguintes: (i) introdução de novos tipos de investimentos possíveis a somar aos três já existentes, designadamente a possibilidade de obter a ARI com um investimento de 350 mil euros em reabilitação urbana (aquisição de imóvel e obras incluídas); (ii) incentivo ao investimento em territórios de baixa densidade; (iii) alteração das regras relativamente ao reagrupamento familiar; e (iv) fixação de prazos máximos para a decisão por parte da entidade competente.

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Consequências para o imobiliário do crash bolsista na China

Os chineses são, hoje em dia, os maiores compradores de casas nos Estados Unidos. Em 2014, investiram quase 30 biliões de dólares, mais do dobro dos investidores canadianos que vêm logo em 2º lugar, segundo dados da NAR.

Que consequências pode haver para o imobiliário norte-americano fruto da queda recente na bolsa chinesa?



Bons negócios (imobiliários)!

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Dores de crescimento

Para aqueles que, como eu, são Pais, naturalmente saberão o que são "dores de crescimento". Algumas crianças, no seu processo de crescimento físico, sentem dores, por vezes fortes. São os ossos a crescer, dizem os médicos, daí o nome "dores de crescimento".

Olhando para a nossa economia, com especial atenção, claro está, para os mercados imobiliário, turístico e hoteleiro, fico com a nítida sensação que estamos a atravessar um período de crescimento. Esse crescimento tem sido bastante acentuado nos últimos tempos, depois de uma forte compressão da actividade entre 2010 e 2013, o que provoca uma natural... dor de crescimento!

Vamos por partes:

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Onde é que os investidores chineses mais procuram habitação?

Com a entrada em vigor do regime dos Golden Visa em Portugal, tornou-se bastante popular por estas terras lusas, o investimento em imobiliário por parte de cidadãos chineses. De facto, números recentes mostram que cerca de 80% dos Golden Visa provêm efectivamente de investimento imobiliário concretizado por investidores oriundos da China.

Mas será que só investem por cá? Que destinos preferem estes investidores? Os Estados Unidos da América encontram-se à cabeça do pelotão. Segundo dados da juwai.com e publicados pelo The Wall Street Journal, é nesse País onde cidadãos chineses mais procuram investir em habitação. Ainda segundo dados da Deloitte, o investimento chinês em solo norte-americano disparou 7 vezes nos últimos 5 anos.

Apesar dos Estados Unidos da América estarem no topo das preferências de investidores chineses, não é aqui que estão disponíveis para gastar mais por cada casa que pretendem comprar.


Na realidade, é em Singapura onde os chineses procuram as casas mais caras. O valor médio das casas pesquisadas é superior a USD 3,7 milhões, muito acima dos USD 725 k registados nos Estados Unidos.

Curioso verificar que Portugal encontra-se no top 10, quer na preferência dos investidores (em 6º lugar), como no valor médio por casa pesquisada (neste caso, em 3º lugar, com um valor médio superior a USD 1,6 milhões). Os chineses vieram para ficar e para investir.

Bons negócios (imobiliários)!

terça-feira, 12 de maio de 2015

Como será o mercado residencial no pós-Golden Visas?




Por Pedro Pereira Nunes







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A entrada fulgurante de investimento estrangeiro no mercado imobiliário residencial em Portugal, proveniente das mais variadas geografias, com predominância da China, tem sido tudo menos pacífico. Ora vejamos, do lado dos “contentes” temos:

  • Governo e autarquias: beneficiam directamente do aumento de receitas provenientes de IMT e imposto de selo;
  • Mediadoras: têm obtido comissões impensáveis há 2 anos atrás;
  • Promotores de imobiliário residencial e proprietários em geral: quem tem conseguido penetrar neste nicho, tem conseguido escoar o seu produto, permitindo amortizar dívida bancária e ainda, em alguns casos, lucrar com a operação;
  • Bancos: têm beneficiado da amortização de créditos, alguns deles potencialmente problemáticos, que têm contribuído para a desalavancagem e diminuição da exposição ao (agora “tóxico”) sector imobiliário;
  • Advogados: o corrupio de clientes em entra e sai com o intuito de estudar a hipótese de comprar imóvel em Portugal, suas implicações fiscais, negociações com vendedores, elaboração de contratos, etc., tem sido uma fonte adicional de receita, inesperada há 2 anos atrás.

De acordo com o Governo (SEF), de Outubro de 2012 a Janeiro de 2015, o programa de Golden Visas permitiu a entrada de € 1,15 mil milhões no sector imobiliário em Portugal. Assumindo que os custos de aquisição, em média, rondarão os 15% (mediação, IMT, IS, outros), temos um valor de € 170 milhões. Daquele valor, o Estado (ou seja, todos nós) terá arrecadado mais de 50% pois parte da facturação de serviços reverte a favor do Estado em IVA e IRC/IRS.

E do lado dos “descontentes”, temos:

  • Potenciais investidores/compradores nacionais: para quem pretendia comprar casa em zonas “invadidas” pela procura estrangeira, apercebeu-se de que o processo de queda de preços foi interrompido, tendo alguns nichos sofrido uma valorização muito relevante. Tal terá impedido alguns potenciais bons negócios de se concluírem.
  • Outros: nesta categoria temos os mais variados cidadãos, apresentando as razões mais odiosas para “deitar abaixo” este regime de atribuição de vistos de residência.

É à última categoria – Outros, que gostaria de dirigir este texto. Para tal, proponho tentar construir um cenário do pós-Golden Visa.

Cenário A – regime “Golden Visa” será igualado por outros países europeus, será alterado ou perderá interesse por outra razão.

Neste caso, passados 5 anos das aquisições, os estrangeiros (fora da UE) que não queiram/consigam renovar os seus vistos pretenderão vender o património imobiliário adquirido anteriormente. E tendo em conta que a procura real no futuro próximo será essencialmente composta por nacionais e alguns estrangeiros europeus, é expectável que os preços encontrem o seu ponto de equilíbrio algo abaixo dos valores de aquisição do passado. Assim, não restará outra opção aos estrangeiros (fora da UE) senão assumir perdas e partir para outra.

Em termos de impacto no mercado, confesso que não vejo um problema de maior, pois quem investiu (estrangeiros fora da UE) irá acumular menos-valias, e quem comprar (maioritariamente nacionais), investirá aos preços que o mercado na altura ditar.

Assim de repente, não vejo que impacto “severo e negativo” possa trazer ao mercado. Claro que, pontualmente, poderemos assistir a dezenas de imóveis à venda, numa mesma zona, num curto espaço de tempo (e.g.: Parque das Nações). A suceder, tal situação poderá implicar uma correcção rápida (e localizada) dos preços. Mas isso não é mais que o fenómeno inverso do que temos assistido (e.g.: Parque das Nações – preços galopantes e vendas em passo de corrida).

Cenário B – regime excepcional é renovado ou mantém-se por mais algum tempo.

Neste caso, mantém-se a situação, permitindo a continuação da subida de preços nalgumas zonas. Tal sucederá até que o Cenário A ocorra... que me parece que ser inevitável.

Em conclusão: como diria um amigo meu que trabalha na área da mediação imobiliária, especialmente vocacionado para os estrangeiros: “é navegar a onda enquanto dura, pois mais tarde ou mais cedo perde força e rebenta”.

Se este regime não tivesse sido criado, tudo teria provavelmente seguido o seu curso, com poucas alterações nos preços, menos serviços facturados, sem a injecção (importante) de dinheiro na nossa economia (para já, o contador marca ≈ € 1,3 mil milhões).

Bons negócios imobiliários.

terça-feira, 28 de abril de 2015

Tudo o que desce também sobe ou a maravilhosa capacidade de adaptação do Português

Por Gonçalo Nascimento Rodrigues

Out of the Box
Main Thinker

OTBX, Consultoria em Finanças Imobiliárias, Lda.
Managing Director





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Por altura em que escrevo este artigo, leio 2 notícias importantes e que, para mim, marcam o nosso mercado imobiliário. Uma delas, pelo que representou no passado, outra pelo que representa no presente e esperamos se mantenha no futuro.

A primeira notícia: a Confidencial Imobiliário lança, pela primeira vez em Portugal, um índice de preços do mercado residencial baseado em transacções. Esse índice mostra uma queda assinalável dos preços em Portugal, na ordem dos 22% entre 2007 e 2013. Espanto para alguns, nada de novo para outros. Para mim, não foi novidade. Quem trabalha no nosso mercado há já alguns anos tinha perfeita noção da correcção que o sector levou. Só alguns é que teimavam em afirmar que Portugal era um mercado estável, que não tinha registado correcção nos preços e que, por isso, os investidores estavam agora de volta. Nada mais errado!

A segunda notícia: Turismo Residencial injecta € 4.600 M em Portugal. Um estudo desenvolvido pela PwC para a Associação Portuguesa de Resorts refere que em 2014, um total de 25 mil casas foram vendidas para 2ª habitação para investidores estrangeiros, num total de € 4.600 M. Significativo, quer pelo nº de casas vendidas, como pelo montante.

Nos últimos 2 anos, de facto, observamos um retorno dos investidores ao nosso mercado. O investimento em comercial real estate disparou mais de 100% em 2014, a venda de casas subiu mais 5% nos primeiros 3 trimestres de 2014 face a 2013 e como vemos, as vendas feitas a investidores estrangeiros estão claramente na ordem do dia (no entanto, nem por isso as rendas de escritórios subiram, enquanto que o sector residencial apenas valorizou 1,2%). Dois factores foram fundamentais para que tal acontecesse:

1. A descida vertiginosa das yields soberanas que potenciou a queda da percepção do risco de investimento no nosso País, e

2. A implementação de políticas de incentivo ao investimento em Portugal, nomeadamente, os Golden Visa e o regime dos residentes não habituais.

Estes dois pontos são uma clara demonstração de como o imobiliário, hoje em dia, é afectado por factores externos, sejam eles de natureza financeira, sejam de natureza política. E há que estar atento ao mercado e ter uma visão broadband do mesmo para se estar preparado para a mudança.

Na minha opinião, nós não estamos preparados. O mercado reagiu – e bem – às influências externas. Primeiro, no momento de queda de preços e transacções, depois na recuperação. Mas apenas fazemos isso, reagimos. Temos tendência para não planear. A reabilitação urbana não existe como uma política estratégica nacional. O foco está no capital (leia-se, fundos comunitários) e não nas pessoas e nas cidades. O investimento externo é, também, efémero. Vendemos o que temos mas nem tudo é vendável. E quando o stock terminar, o investidor tenderá a procurar outros destinos de investimento.

O arrendamento residencial, que se pensava vir tomar conta do mercado, caiu a pique assim que foi possível voltar a vender casas. Fez-se uma lei, alterou-se logo a seguir mas quem manda é o mercado.

O ano de 2015 será um ano de eleições legislativas. No início de 2016, teremos eleições presidenciais. Estes 2 momentos poderão ter uma forte influência no mercado. Tipicamente, são momentos de folclore nacional em que nada de importante se discute. Desviam as atenções, o foco e as energias.

As nossas principais fraquezas são, ao mesmo tempo, as nossas forças: somos fantásticos a reagir e a adaptar-nos, mas estamos sempre num processo constante de reacção, adaptação e mudança. Não somos capazes de agir com o pensamento no futuro. Sabemos onde temos de estar hoje mas amanhã logo se vê.

Assim, e como bom Português, o ano de 2015 será, com toda a certeza… logo se vê!

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Artigo escrito para o site vidaimobiliária.pt

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Os chineses devem estar loucos! (4)

Não querendo tornar isto numa "novela", não resisto a partilhar mais um exemplo da fúria construtiva chinesa. Hoje apresento-vos a cidade de Kangbashi.

Kangbashi tem avenidas amplas, edifícios enormes, parques muito limpos e centros comerciais e parques desportivos gigantescos. No entanto, nota-se uma diferença marcante em relação a outras cidades chinesas: falta gente! A cidade, inicialmente projectada para albergar 1 milhão de chineses, conta actualmente com 50.000 habitantes.

No entanto, o Governo local não aparenta estar muito preocupado. Segundo o encarregado de relações públicas da cidade, Chai Jiliang, tudo faz parte de um plano estratégico: «Quando começámos a construção em 2006, calculámos que a cidade teria cerca de 300 mil habitantes até o final de 2020. Estamos no caminho. O problema é que os meios de comunicação não têm muita paciência».

Podem ver um breve vídeo sobre esta cidade no link em baixo.


Bons negócios (imobiliários)!

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Ler também:

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Diversificação precisa-se

Fernando Vasco Costa
Strategic Consultancy
Jones Lang LaSalle









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Há cerca de um ano escrevi nesta coluna sobre os bons sinais que o mercado imobiliário sentia. O ano de 2014, foi sem dúvida um grande ano para o nosso imobiliário, com níveis de investimento já perto dos 800 M€, um valor semelhante investido para efeitos de obtenção de Golden Visas e um grande número de edifícios vendidos para reabilitação urbana. Tudo aliado a um ano sem precedentes no número de turistas que nos visitaram.

Iniciamos por isso 2015 com grande expectativa, ainda com alguns negócios por fechar, que não foram concluídos no fim de 2014, e muitos mais com potencial de fecho no 1º trimestre. A pressão dos investidores internacionais é enorme e depois de um ajuste nos preços de venda, alguns destes já começam a chegar a valores nunca antes conhecidos.

No entanto notamos que este “bom tempo” apenas “aqueceu” pequenas zonas do nosso território, principalmente no Centro de Lisboa, pelo que há muito que fazer para termos uma indústria imobiliária em pleno funcionamento.

Actualmente a promoção está quase unicamente focada na reabilitação urbana vocacionada para o mercado internacional (turístico ou residencial) e penso ser importante promover a diversificação, até para que possamos atrair ainda maior investimento internacional.

Acredito já existirem condições para o relançamento de alguns projectos turísticos que se encontram em stand-by, adaptando-os às novas condições do mercado.

Uma das vertentes já identificadas, em que se tem que apostar definitivamente é o turismo-residencial sénior. Já não será preciso enumerar nem o potencial do mercado, nem as nossa excelentes condições para este mercado, que conjugadas com os benefícios fiscais existentes nos podem tornar como oferta praticamente imbatível.

Complementarmente há que apostar na saúde, especialmente nas áreas de melhoria da qualidade de vida dos seniores, nomeadamente em tratamento de Alzheimer e Fisioterapia, para que possamos oferecer um serviço completo e de topo de gama.

Com a entrada de novos investidores no nosso país, alguns dos quais já marcando presença no imobiliário mas também na saúde, com grande capacidade financeira, penso que finalmente vamos assistir à concretização deste desígnio nacional que nos irá posicionar como referência na Europa, mas também para África, Ásia e América do Sul.

Este é sem dúvida um sector que vai muito para além do imobiliário, pois envolve principalmente serviços de assistência e de saúde, e por isso o impacto que poderá ter na economia do país será ainda mais relevante.

Aqui fica então esta ideia, que não é nova nem minha, e o desafio para que os novos (e antigos) players da área da saúde se lancem definitivamente neste mercado de oportunidade.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Mil milhões de razões para se manterem os Golden Visa

Por Gonçalo Nascimento Rodrigues

Out of the Box
Main Thinker

OTBX, Consultoria em Finanças Imobiliárias, Lda.
Managing Director






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Por estes dias, somos assolados com notícias sobre o presumível esquema de corrupção e tráfico de influências que se instalou em alguns organismos públicos, relativamente aos já conhecidos Golden Visa. Muitas são as vozes que ecoam já em defesa do cancelamento desta medida, que permite a um não residente na UE obter um visto provisório de residência em Território Nacional por contrapartida, entre outras, de um investimento imobiliário de € 500 mil.

Ouvi um membro do Bloco de Esquerda dizer que se trata de uma política que não serve o País pois não cria emprego, é dinheiro que não reproduz. Eu não podia estar mais em... desacordo! Encontro várias razões para se manter esta medida:

Com esta ou qualquer outra medida, em qualquer sector de actividade da nossa Economia, haverá sempre corrupção, porque esta não tem nada a ver com as políticas que são encetadas. Tem simplesmente a ver com pessoas. Ou estas são sérias, ou não são. A corrupção combate-se com fiscalização, com investigação, com justiça e nos Tribunais. Não se combate terminando com as medidas que, por culpa das pessoas envolvidas, originaram tais acontecimentos.

Podemos melhorar? Claro que sim! Sou da opinião que deveremos rever algumas regras desta medida mas nunca acabar com ela. Isso seria um grande erro.

Esta medida deste Governo gerou já mais de mil milhões de euros em vendas de imóveis. É dinheiro que é usado para pagar dívidas, melhorando a saúde financeira das pessoas e dos Bancos. É dinheiro que é usado para reinvestir no sector, criando assim emprego. É dinheiro que serve para pagar comissões a agentes imobiliários que, dessa forma, têm dinheiro para consumir, pagar as escolas dos filhos, para investir. É dinheiro pago a Promotores que conseguem terminar as suas obras e habitar prédios que, de outra forma, estariam devolutos. Acho que são mil milhões de razões, suficientes para mantermos a medida em vigor.

Bons negócios (imobiliários)!

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Golden Visa e Incentivos Fiscais: importância para o Turismo




Por Rui Soares Franco
ruioreysfranco@hotmail.com
Consultor em Turismo e Hotelaria




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Muito se tem falado sobre os Golden Visa e os incentivos fiscais a não residentes habituais em Portugal, mas pouco sobre a sua utilização no Turismo.

Será que estes produtos interessam ao sector? E em que medida?

O Golden Visa tem como objectivo permitir a nacionais de países terceiros, fora da UE, obter a autorização de residência em Portugal, em caso de realização de investimentos em território nacional. Uma das modalidades é a aquisição de bens imóveis de valor igual ou superior a 500.000 €.

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Golden Visas - diferenças entre Países Europeus

Os vistos dourados ou os já tão conhecidos "Golden Visa" estão realmente a dar que falar. Uns gostam, outros nem tanto. Gostos à parte, como funciona este esquema de residência e circulação livre no Espaço Schengen e que diferenças existem para outros países europeus?

Antes de mais, é bom entendermos que a obtenção de um "Golden Visa" não dá direito de cidadania. Existem países na Europa que têm essa opção - por exemplo, no Chipre, com um investimento de € 5 Milhões em imobiliário obtém-se cidadania cipriota - mas não é caso destes "Golden Visa" que tanto se fala.

Além disso, existem outras formas de obter o visto. No entanto, neste artigo apenas me focarei na componente imobiliária que, no fundo, é isso que nos interessa.

O esquema não é novo. Os Estados Unidos, Canadá, Austrália e outros países há muito que têm esta obtenção de visto que vai para além do simples visto turístico ou de trabalho. Mesmo na Europa, existem muitos Países com condições de entrada para residentes em países fora da União Europeia. A questão é que este esquema dos "Golden Visa" tornou-se mais popular agora porque alguns Países, em maiores dificuldades financeiras e com os seus mercados imobiliários deprimidos, "aligeiraram" as condições de entrada.

Tal como se referiu, este tipo de visto não dá direito de cidadania mas tão somente, direito de residência e livre circulação no Espaço Schengen. Este é constituído pelos seguintes 26 Países: Áustria, Bélgica, França, Alemanha, Dinamarca, Grécia, Estónia, Espanha, Itália, Letónia, Lituânia, Luxemburgo, Malta, Holanda, Hungria, Polónia, Eslováquia, Eslovénia, Suécia, República Checa, Finlândia, Islândia, Noruega, Suíça, Liechtenstein e Portugal.

Existem algumas diferenças de País para País com este tipo de vistos. Os valores a investir em imobiliário em Malta, Grécia ou Chipre são inferiores. Aliás, existem algumas zonas de Malta onde o valor a investir é ainda inferior aos € 275.000 anunciados no esquema. Pode-se, inclusive, arrendar uma casa. Já no caso irlandês, o investimento deve ser misto, entre um mínimo de € 450.000 em imobiliário residencial e € 500.000 adicionais em obrigações.

O quadro seguinte procura resumir, de forma simples, as principais diferenças deste regime em alguns Países Europeus:


Esta vaga de investimento estrangeiro tem provocado algumas consequências relevantes em Portugal. Segundo dados recentes, foram já atribuídos quase 800 vistos, sendo que a maioria foram atribuídos a cidadãos chineses (cerca de 80%); os preços das casas em Lisboa, de um segmento mais elevado, subiram 54%, com preços acima de € 6.000 por m2; os mediadores esperam um investimento na ordem dos mil milhões de euros em 2014, proveniente destes vistos dourados. Já em Espanha, por exemplo, e segundo os últimos dados, pouco mais de 70 vistos haviam sido concedidos.

Um pouco pela Europa fora, as mudanças também se fazem sentir, com muitos investidores de origem russa, chinesa ou árabe a investir fortemente no mercado imobiliário dos Países com regimes similares ao nosso.

E lá fora, do que se fala sobre este regime? Vejamos dois exemplos:





Bons negócios (imobiliários)!

terça-feira, 29 de abril de 2014

O Golden Visa é uma arma!

Fernando Vasco Costa
Strategic Consultancy
Jones Lang LaSalle








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O impacto que a legislação da Autorização de Residência para Actividade de Investimento (ARI) vulgo de Golden Visas, viria a ter no nosso imobiliário deverá ter sido claramente subestimado.

Se os objectivos foram a captação de investimento internacional e o escoamento do stock existente de habitação de qualidade, este último encontra-se praticamente concluído na Região de Lisboa.

Assistimos já à compra de apartamentos em planta por parte deste tipo de investidores, dada a escassez de stock, o que tem impulsionado um grande crescimento de Reabilitação Urbana na cidade de Lisboa, aliando o potencial de exploração turística com a procura de fracções com rentabilidade.

Quando refiro que este impacto terá sido subestimado, é porque não se terá pensado nesta fonte de investimento para o financiamento de operações de planeamento estratégico das nossas cidades, nomeadamente em reabilitação dos centros das mesmas.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Os chineses devem estar loucos (2)!

Depois do post "Os chineses devem estar loucos", cortesia do Pedro Valente, dois anos volvidos volto ao tema da loucura dos chineses com a notícia "China to invest $ 100 Billion in Portuguese Property".

Desculpem... li bem?! 100 Bll's??? Só para nos situarmos um pouco que até fiquei meio atarantado... 100 biliões de dólares são qualquer coisa como 77 mil milhões de euros, ou seja, o programa de ajuda da Troika a Portugal!

Somos mesmo burros! Então fomos pedir dinheiro emprestado à Troika, a ter que levar com um programa de austeridade que definha o País quando bastaria vender imóveis aos Chineses!

Mas esperem, não é tudo! O último parágrafo da notícia diz que o investimento imobiliário em Portugal subiu 68% em 2012... Quê?! 68%?!

Eu vivo noutro País, só pode...

Bons negóci... desculpem, chinesises (imobiliárias)!