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segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Tendências no mercado da 2ª habitação

A Consultora Savills emitiu recentemente um documento de research muito interessante, apontando para as novas tendência no mercado da 2ª habitação. A principal tendência aponta para uma procura cada vez mais focada na geração de rendimento do que propriamente pelo uso do próprio imóvel. Uma 2ª habitação passou a ser claramente um produto de investimento em vez de ser - como sempre tem sido - um activo de uso próprio.

Do inquérito realizado pela consultora resultou que mais de 30% dos inquiridos referiu que a compra de uma 2ª habitação lhes servirá apenas para investimento (obtenção de retorno por via do arrendamento turístico), enquanto que mais de 40% pondera usar o imóvel mas também pretende colocá-lo em arrendamento. 

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Quantos portugueses têm 2ª habitação?

De acordo com um estudo realizado pela Remax Europa, 17% dos Portugueses são proprietários de uma 2ª habitação, valor em linha com a média europeia, já que 1 em cada 6 cidadãos europeus é proprietário de uma 2ª habitação.

Mas aquilo que é verdadeiramente surpreendente, é que existe uma percentagem muito superior de proprietários de 2ª habitações em países onde o rendimento médio é inferior.

A imagem acima mostra que é na Grécia onde se verifica a existência de um maior número de proprietários de 2ª habitação (em % da população local), sendo a Grécia o 4º país desta amostra com o menor rendimento mensal disponível. Polónia, Eslováquia, República Checa e Portugal seguem-lhe o exemplo.

Fazendo fé nas conclusões deste estudo, a compra de 2ª habitação não será tanto uma função do rendimento disponível. Provavelmente, questões como o clima - Grécia, Espanha e Portugal são todas elas localizações típicas de praia e sol - ou mesmo mais culturais poderão justificar a propriedade de uma 2ª casa. Outra questão que igualmente poderá influenciar a decisão de investimento de uma 2ª habitação passará pelos pesados custos em ser proprietário, algo que com certeza pesará na decisão nos cidadãos residentes nos países do Norte da Europa.

Bons negócios (imobiliários)!

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Um Novo Paradigma no Turismo



Por Rui Soares Franco
ruioreysfranco@hotmail.com
Consultor em Turismo e Hotelaria






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«Não interessa construir mais do mesmo. O típico figurino de casas implantadas nas envolventes dos campos de golfe sem qualquer particularidade de diferenciação está ultrapassado e antiquado

Por todo o lado se ouve dizer que nada ficará na mesma depois desta crise e julgo que têm razão. As novas tendências de consumo serão alteradas com base numa modificação profunda dos critérios de prioridades. E o Turismo não vai fugir à regra. Aliás, mesmo antes da actual crise, já se assistia a uma alteração profunda nos critérios de valorização do produto turístico por parte dos consumidores. O turista vem já demonstrando que o anterior figurino turístico dos resorts está ultrapassado. Não interessa construir mais do mesmo. O típico figurino de casas implantadas nas envolventes dos campos de golfe sem qualquer particularidade de diferenciação está ultrapassado e antiquado.

Importa então alterar o modelo e adequá-lo às novas tendências do mercado. E o que querem os turistas e residentes, temporários ou não, de um moderno resort em Portugal?

Tendo em consideração as novas preocupações com questões como sejam a saúde e segurança, o ambiente, as novas tecnologias, o conhecimento, a envolvência, as pessoas, a animação turística, etc., entendo que serão estes valores que deverão estar presentes nas novas concepções de empreendimentos turísticos em Portugal, aliados à necessidade de uma maior socialização sem se perder a privacidade. O cliente destes empreendimentos tem neste momento várias preocupações que importa ter em conta e que vão influenciar decisivamente o seu critério de “consumo turístico”:

A saúde – é hoje a questão mais importante e que tem de estar presente em qualquer moderna estrutura de turismo. A possibilidade de o turista, durante a sua estadia ou permanência no empreendimento, poder tratar do seu corpo e da sua mente, utilizando todo o tipo de propostas existentes, quer ao nível do SPA quer ao nível de ginásios que lhe permitam manter a forma física e psíquica. Por outro lado, deverão ser garantidas aos residentes respostas rápidas e eficientes na área dos cuidados de saúde primários. Este aspecto, aliado a questões de segurança das pessoas e bens, será um dos principais factores que o turista terá em linha de conta quando escolher o seu destino turístico.

O território – é, cada vez mais, valorizado pelo cliente. A sua preocupação com a integração do empreendimento no espaço e, sobretudo, o respeito pela morfologia do território é muito grande. A garantia da preservação e do respeito pela ecologia, através duma fruição do espaço de forma equilibrada e respeitadora da história da sua evolução, são preocupações cada vez mais presentes. Por outro lado, os resorts terão que ter capacidade para fidelizar os seus utentes ao território, ou seja, o cliente precisa de se sentir atraído por esse mesmo território e não só pelo empreendimento em si.

O ambiente – à questão do território, está associada a preocupação com o ambiente e o respeito pela natureza. Este aspecto será tido em linha de conta pelos futuros compradores destes espaços. Conceitos ligados ao Walking Village, aspectos relacionados com as energias alternativas e as boas práticas ambientais, estarão na linha da frente de quem escolhe novos destinos.

As pessoas – a população local é um factor importantíssimo no sucesso de um resort, não só pela mão-de-obra que fornece, mas também pela necessidade de socialização de que os seus utentes carecem. Esta população deverá ser sensibilizada para as oportunidades de emprego que vão surgir mas sobretudo para a sua capacidade de acolhimento e de socialização. Será um factor que contribuirá também para a fidelização da clientela a qual procura sempre manter um contacto com a população local.

As novas tecnologias – hoje em dia, já ninguém vive sem as novas tecnologias. Será uma das contradições do novo turista – viver a natureza tal qual ela é com todo o respeito pelo ambiente e a natureza, mas sem abdicar das vantagens que as novas tecnologias trazem.

O conhecimento – actualmente, as pessoas têm preocupações crescentes com o conhecimento. Deverá ter-se então a preocupação de dotar os empreendimentos de oportunidades nesta área. Estas poderão envolver estruturas de ensino que possibilitem pequenos cursos nas vertentes do ambiente, da natureza, da história, da arte, etc. Estas estruturas, embora tendo uma componente de ensino, deverão possibilitar experiências aliando o conhecimento à ocupação dos tempos livres, criando pólos de interesse e experiências várias que transformem a estadia em acontecimentos que valerão a pena repetir.

A animação turística – será também um aspecto a ter em linha de conta. Os equipamentos desportivos e de lazer a implantar nos espaços lúdicos dos empreendimentos deverão respeitar as exigências da clientela prioritária dos mesmos, para que ofereçam sempre soluções alternativas para a ocupação dos tempos livres.

Estes são alguns dos valores que devem estar presentes nos novos empreendimentos e que os actuais fluxos turísticos esperam encontrar nas novas propostas de viagem.

Mas consideramos também não menos importantes as questões relacionadas com a linguagem arquitectónica dos empreendimentos. Como afirmávamos no início, o modelo dos resorts que tanto sucesso teve no passado, está completamente ultrapassado. Privacidade não quer dizer isolamento e, hoje em dia, a “nuclealização” das estruturas é muito importante em oposição à solução anterior. A criação de núcleos populacionais em que se garanta simultaneamente a privacidade de cada um, é uma das preocupações que deverá estar presente na concepção dos futuros resorts a instalar em Portugal.

No entanto, há que estar atento a toda esta evolução, muito mais rápida que o tempo de concretização física de qualquer empreendimento e é aqui que reside toda a dificuldade de se conceber um produto perfeitamente adaptado à realidade do mercado existente à data da sua conclusão.

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Rui d’Orey Soares Franco iniciou a sua carreira na Direcção-Geral do Turismo, onde ao longo de 32 anos e de entre outras tarefas, criou e desenvolveu o Gabinete de Apoio ao Investidor, projecto-piloto na Administração Pública. Desenvolveu actividades específicas na área da Acessibilidade ao Turismo e foi coordenador da Comissão de Avaliação dos Projectos PITER.

Actualmente, desenvolve a sua actividade como consultor de investimento em hotelaria e turismo, auxiliando Grupos Hoteleiros, Promotores e Investidores na definição e planeamento dos seus investimentos.