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quarta-feira, 3 de outubro de 2018

Espanha - Mercado Imobiliário, Julho

Em Julho, todos os olhos estavam mais uma vez voltados para o sector dos NPLs com Sabadell e o Banco Santander nas manchetes. Além disso, houve negócios em grande quantidade nos sectores de escritórios, retalho e hotelaria antes das férias de verão.

Após a venda de uma carteira de NPLs de 900 milhões de euros ao fundo norueguês Axactor no mês passado, Sabadell continuou com a limpeza do seu balanço, atribuindo € 9,1 milhões em activos tóxicos à Cerberus (Projetos Challenger e Coliseu) e € 2,5 mil milhões em empréstimos imobiliários para Deutsche Bank (Projecto Makalu). Sabadell e Cerberus concordaram em seguir os passos do Santander, BBVA e CaixaBank, criando uma joint venture em que o fundo deterá uma participação majoritária (neste caso, 80%) e o banco manterá uma participação minoritária (20%). Sabadell informou também que manterá a Solvia por enquanto, mas não descarta a sua venda no próximo ano.
Além disso, o Banco Santander, que vendeu do Projeto Quasar a Blackstone há pouco mais de um ano, anunciou em Julho que pretende dar um empurrão final para a limpeza do seu balanço, colocando uma carteira de € 5-6 mil milhões à venda. A referida instituição bancária espera fechar a transacção antes de Setembro.

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

EUA: Habitação de novo no topo

O mercado residencial norte-americano continua a valorizar e atingiu o nível registado há 10 anos, precisamente no momento em que a crise do subprime eclodiu.

Passados 10 anos, o que mudou no mercado? Que diferenças observamos que nos possam levar a assumir que não teremos uma bolha imobiliária de novo?

Danielle Hale, Chief Economist da Realtor.com aponta alguns importantes factores que nos deverão deixar um pouco mais tranquilos face ao momento actualmente vivido no mercado imobiliário norte-americano:

  • Baixo nível de oferta face a uma procura elevada;
  • Aumento do emprego;
  • Melhoria das condições de vida dos agregados familiares;
  • Sólidos fundamentais no mercado imobiliário;
  • Mas sobretudo, níveis mais reduzidos de dívida alocada às transacções, com critérios muito mais rigorosos na concessão do crédito.
E Portugal?

Se olharmos com atenção para o panorama actual do nosso mercado, podemos tirar conclusões similares: temos uma procura elevada e um baixo stock de habitação em oferta, principalmente no centro de Lisboa e Porto; as condições económicas do País têm melhorado; a dívida caiu bastante e hoje aloca-se menos crédito à transacção imobiliária. A isto, acresce o forte dinamismo na área do turismo e a aquisição de imóveis por parte de estrangeiros, factores que em muito têm contribuido para o bom momento do nosso mercado imobiliário, com enfoque no sector residencial.

Bons negócios (imobiliários)!

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Bancos espanhóis vendem imóveis a desconto

O excesso de stock imobiliário que grande parte da banca espanhola ainda tem nos seus balanços tem potenciado a venda de activos imobiliários a grande desconto, refere a agência de rating Fitch.

Os descontos praticados pela banca rondam os 50% a 70% e esta política de venda de activos imobiliários deverá manter-se nos próximos 2 anos.

Na sequência da crise imobiliária e financeira que muitos países europeus sentiram, os bancos espanhóis ainda têm muitos activos imobiliários em carteira que terão obrigatoriamente de vender por imposição do seu regulador. A Fitch antecipa que essas vendas forçadas continuarão a ser feitas a desconto por mais algum tempo.

A melhoria do cenário macroeconómico em Espanha não parece ser razão suficiente para "travar" tamanhos descontos na venda de imóveis. Este tipo de vendas - denominadas "bulk sales" - manter-se-à com descontos elevados. Já a venda de activos mal-parados a utilizadores finais, esses espera-se que venha a ser feita com descontos cada vez mais pequenos, sendo certo que essas vendas são mais morosas e custosas para a banca espanhola.

Apesar disto, a Fitch olha para o mercado imobiliário espanhol com optimismo, observando uma clara melhoria dos seus fundamentais, não antecipando para já a ocorrência de uma bolha apesar de uma possível existência de bolhas localizadas.

Bons negócios (imobiliários)!

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Aumento do crédito habitação em Portugal: o que está por detrás?

A crise económico-financeira trouxe consigo consequências nefastas para diversos mercados, tendo o do crédito habitação sido particularmente afetado. Foram longos os anos em que as instituições financeiras ficaram repletas de imóveis em decorrência de elevados valores de crédito malparado.

Os dados mais recentes do Banco de Portugal (BdP) não mentem: em junho do ano corrente, as novas operações de empréstimos a particulares para habitação cifraram-se em 587 Milhões de Euros, o valor mais elevado desde março de 2011. Estes valores acusam a continuação de uma tendência crescente no crédito habitação em Portugal, que já se vinha a verificar desde o ano 2015.

Importa então, à luz deste aumento, elencar alguns dos fatores que poderão estar por detrás do mesmo. Em primeiro lugar, e desde logo, é impossível não notar a influência da queda da EURIBOR. Desde que a mesma e as taxas de juro de referência do Banco Central Europeu (BCE) se encontram em terreno negativo que as prestações mensais dos créditos habitação dos particulares desceram. 

Com a EURIBOR em mínimos históricos, mais propriamente em terreno negativo, desde o final do ano transato que os consumidores que possuem um crédito habitação com taxa variável pagam agora menos de prestação mensal. Desta forma, é normal que se gerem boas expetativas relativamente à compra de casa em Portugal. 

São de salientar ainda as novas oportunidades criadas pela possibilidade de contratar um crédito habitação com taxa fixa. Na hora de solicitar um empréstimo para comprar casa numa instituição financeira, existem sempre muitos fatores a analisar para tomar uma boa decisão, nomeadamente: qual a que oferece a melhor taxa de juro, qual é o spread praticado, que seguros vêm associados, qual é o prazo mais adequado.

Enquanto a taxa variável, como o próprio nome indica, oscila consoante as flutuações das taxas de juro de referência no mercado, sendo indexada à EURIBOR, a taxa fixa, por sua vez, é contratada entre o cliente e o banco, mantendo-se inalterada ao longo de todo o período do empréstimo. Para os mais receosos quanto às incertezas do mercado, é uma opção que pode ser muito atrativa.

Outro dos fatores a considerar poderá prender-se com uma tendência proveniente, em grande parte, do investimento estrangeiro, de compra de habitação para futuro arrendamento e consequente geração de rendimento extra e estável - algo que se assume particularmente expressivo em Lisboa. O investimento no mercado imobiliário na capital tem vindo a crescer, acompanhado fortemente por um incremento do turismo. 

Neste sentido, comprar uma casa para depois arrendar também se tornou numa possibilidade de investimento largamente difundida, proporcionada pela redução dos spreads praticados pelos bancos no crédito habitação que, por sua vez, foi provocada pela queda dos indexantes (tanto os de prazos mais curtos como os de prazos mais alargados). Isto indicia igualmente que os bancos têm facilitado o acesso ao crédito para compra de habitação.

Por fim, nada como o poder das expectativas alavancado a partir da melhoria dos indicadores económicos portugueses associados a uma recuperação moderada da atividade económica - o PIB português cresceu 0,3% no segundo trimestre do ano. A interligação de fatores que produz o aumento do crédito habitação é uma evidência que se aplica também à economia como um todo.

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Este artigo é da autoria da equipa do ComparaJá.pt, a plataforma gratuita de simulação e agregação de produtos financeiros de referência em Portugal.

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Um banho de realidade

O Relatório de Estabilidade Financeira do Banco de Portugal, publicado na semana passada, veio trazer a lume os problemas que ainda subsistem na Banca Portuguesa, com enfoque para o imobiliário mal-parado. Segundo a referida publicação, os Bancos em Portugal terão qualquer coisa como 8 mil milhões de euros em imobiliário nos seus balanços, sendo esta uma das maiores ameaças à estabilidade do nosso sector bancário e financeiro. É um crescimento de 1000% em 8 anos.

Adicionalmente, a Banca conta no seu balanço com um valor na ordem dos 5 mil milhões de euros em unidades de participação de fundos imobiliários, sendo essa exposição superior nos fundos abertos (quase metade das UP's em circulação).

Durante os últimos anos, os Bancos em Portugal substituíram-se aos participantes na subscrição dos Fundos Imobiliários, por forma a garantir a liquidez e a solvabilidade dos mesmos. O caso torna-se mais preocupante nos fundos abertos, já que estes podem ser resgatados a todo o momento, a não ser que a respectiva sociedade gestora proíba esses resgates (tal como aconteceu em Espanha no pico da crise imobiliária e financeira). Ao invés, injectam liquidez nesses veículos, tomam a posição de subscritor, aguentando assim o valor da unidade de participação.

Estes dados agora publicados pelo Banco de Portugal são um claro sinal à navegação que os problemas não estão, de todo, resolvidos. Já aqui no blog alertamos para o contínuo crescimento do mal-parado e já muitas vezes falamos sobre esta questão dos fundos imobiliários.

Muito há ainda por fazer mas como é nosso hábito, estes alertas passarão em claro, sem lhes ser dada a devida atenção, até ao dia em que um fundo imobiliário cancele os resgates ou em que um Banco volte a falir e se descubra o tamanho de mais um enorme buraco a ter de ser tapado.

Até lá, bons negócios (imobiliários)!

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Por Gonçalo Nascimento Rodrigues
Main Thinker
Managing Director

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Mal-parado no imobiliário em Portugal volta a subir

Segundo dados do Banco de Portugal, o crédito mal-parado no imobiliário em Portugal voltou a subir em Fevereiro passado. Depois de uma queda em Dezembro de 2014 para pouco mais de € 9,2 mil milhões, o mal-parado atingiu o valor de 9.539 milhões de euros no mês de Fevereiro, estando agora de novo mais perto dos máximos registados em Novembro, mês em que quase chegou aos 9,8 mil milhões de euros.

O sector da construção é aquele que contribui com a maior fatia, totalizando quase 4,5 mil milhões de euros em mal-parado; as actividades imobiliárias totalizam perto de € 2,6 mil milhões enquanto que a habitação apresenta um valor ligeiramente acima dos € 2,5 mil milhões.

Apesar do mal-parado não estar em máximos históricos, a verdade é que o seu valor relativo está., com excepção do crédito habitação. Na construção e actividades imobiliários, nunca tivemos tanto crédito mal-parado face ao crédito total que existe no mercado:

  • De um total de € 14.915 milhões de euros de crédito à construção que actualmente existe no mercado, 29,8% é mal-parado;
  • Já nas actividades imobiliárias, esse valor é de 22,2%, também um máximo histórico.
Estamos longe de abandonar as preocupações relativamente ao crédito mal-parado em Portugal. Os próximos meses serão importantes para aferir se esta nova subida se mantém e regressamos a máximos históricos, ou se retomamos a queda que timidamente se registou no final de 2014.

Bons negócios (imobiliários)!

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Mal-parado não pára de subir

O crédito mal-parado não pára de subir em Portugal. De acordo com dados do Banco de Portugal, o total de crédito mal-parado junto das famílias portuguesas atingiu os 5.363 milhões de euros em Setembro passado. Deste total, 47,9% dizia respeito a crédito à habitação, num total de 2.567 milhões de euros, representando um máximo histórico em Portugal.

Fonte: Banco de Portugal

No sector empresarial imobiliário, o total de crédito mal-parado atingiu já quase os 9,6 mil milhões de euros, representando 7,2% do total de crédito concedido. O sector da construção é o que apresenta maior volume de mal-parado, com 4.404 milhões de euros, correspondente a 27,6% do total. Já as actividades imobiliárias e de promoção apresentavam uma taxa de incumprimento de 20,8%, correspondendo ao montante de 2.612 milhões de euros.

Fonte: Banco de Portugal

Em termos homólogos, o crédito imobiliário vencido cresceu 7,2%. Foi na promoção imobiliária onde se verificou o maior acréscimo de incumprimento entre Setembro de 2013 e igual mês de 2014: 11,5%. O crédito à habitação também observou um forte acréscimo em igual período (8,4%). Desde Setembro de 2011, o mal-parado no imobiliário já cresceu quase 70%

Bons negócios (imobiliários)!

quinta-feira, 13 de março de 2014

Um caso mal-parado - V

Por Gonçalo Nascimento Rodrigues
Out of the Box
Main Thinker

OTBX, Consultoria em Finanças Imobiliárias, Lda.
Managing Director






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Como lidar com as dívidas imobiliárias?

São cerca de € 8,5 mil milhões de crédito imobiliário vencido na Banca; milhares e milhares de casas nos Balanços; dezenas, centenas de milhões de euros de dívida em terrenos; dezenas, centenas de milhões de euros em crédito concedido a promoção imobiliária que não vende, em resorts vazios, em hotéis que é necessário gerir. O que fazer?

Estratégias diferentes podem ser adoptadas. No caso dos Estados Unidos da América (EUA), de uma forma simplista, a dívida relacionada com imobiliário foi tida como boa. A FED aceitou essa dívida como um bom colateral para conceder crédito às Instituições Financeiras. Por outro lado, nos EUA é possível fazer short-selling na habitação, ou seja, o mutuário entregar a sua casa ao financiador, mesmo que esta valha menos que a dívida.

Nos casos de Espanha e Irlanda, foram constituídos os chamados Bad Banks. O SAREB (no caso de Espanha) e o NAMA (no caso da Irlanda) são entidades constituídas com o propósito de albergar todo um conjunto de activos imobiliários provenientes do mal-parado da Banca. À priori, é decidido qual o valor pelo qual esses activos dão entrada nessas instituições, que depois ficarão com a responsabilidades de os rentabilizar.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Um caso mal-parado - IV

Por Gonçalo Nascimento Rodrigues
Out of the Box
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OTBX, Consultoria em Finanças Imobiliárias, Lda.
Managing Director






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Os Devedores de Imobiliário em Portugal

Segundo dados do Banco de Portugal, existiam em Setembro de 2013 um total de 2.356.627 mutuários de crédito à habitação, com um capital em dívida de € 107.370 Milhões. Significa isto que cada mutuário deverá, em média, € 45.561.

É na Região de Lisboa onde se deve mais dinheiro: 38% do total de crédito concedido. Na Zona Norte deve-se 28%, enquanto que na Região Centro o valor é de 18%.

O valor médio em dívida é superior na Região de Lisboa, Madeira e Algarve. Na Região Norte, Centro e Alentejo, o valor médio por devedor é inferior à média nacional.

Do total em dívida, encontrava-se vencido, à data acima mencionada, um montante equivalente a 2,22%, ou seja, aproximadamente € 2,4 Milhões. No entanto, o nº de devedores com crédito vencido é superior, em termos relativos. Na realidade, existiam quase 150 mil devedores com crédito à habitação vencido, o que representa 6,3% do total de devedores. Em média, teremos cerca de € 17 mil vencidos por cada devedor.

É no Alentejo e na Região de Lisboa onde o rácio de crédito à habitação vencido é superior: 2,8% e 2,7% respectivamente.

Bons negócios (imobiliários)!

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Pode ler também:

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Um caso mal-parado - III

Por Gonçalo Nascimento Rodrigues
Out of the Box
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OTBX, Consultoria em Finanças Imobiliárias, Lda.
Managing Director






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A Dívida no sector Corporate do Imobiliário

Depois de um olhar sobre o crédito à habitação, observemos agora o comportamento do crédito concedido a actividades relacionadas com o imobiliário – falamos dos sectores de construção e actividades imobiliárias.


Actualmente, existe em dívida cerca de € 32 Mil Milhões no mercado, sendo que o processo de desalavancagem destes sectores tem sido bastante mais acentuado que no caso do crédito habitação. Na realidade, o crédito em dívida desceu já quase de 25% face ao pico de 2009, momento em se atingiu um valor próximo de € 44 Mil Milhões.

A subida no crédito concedido foi constante e positiva ao longo dos anos, desde 1998, sendo que o mal-parado nunca foi uma verdadeira preocupação. Na verdade, e olhando para os dados disponíveis no site do Banco de Portugal, mesmo com um crescimento acentuado no crédito, o peso do mal-parado caminhava em sentido oposto, nunca ultrapassando o montante de € 500 Milhões. Era, de facto, residual, representando valores entre 1% e 2% do crédito concedido.

Esta situação manteve-se até meados do ano de 2008, altura em que o crédito mal-parado nas actividades imobiliárias e construção começou a subir, diria mesmo, a disparar!

Actualmente, encontra-se vencido um total de € 6,6 Mil Milhões, correspondente a 20,75% do total concedido. O mal-parado é superior no sector da construção (23,6%), em relação com as actividades imobiliárias (17%).

Apesar do crédito concedido nas actividades relacionadas com o imobiliário ser substancialmente inferior ao crédito à habitação (€ 32 Mil Milhões, comparando com € 107 Mil Milhões), a verdade é que o mal-parado é substancialmente superior (€ 6,6 Mil Milhões, face a € 2,4 Mil Milhões).

No próximo artigo, olharemos para os devedores no imobiliário.

Bons negócios (imobiliários)!

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Pode ler também:

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Um caso mal-parado - II

Por Gonçalo Nascimento Rodrigues
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OTBX, Consultoria em Finanças Imobiliárias, Lda.
Managing Director






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A Dívida no Crédito Habitação

Na continuação do artigo anterior, importa antes de mais, procurar entender o que é isto do crédito mal-parado. Segundo o Banco de Portugal, o crédito vencido trata-se de «crédito em situação de incumprimento de pagamento ou seja cujos prazos de amortização não foram respeitados pelo devedor». Já o crédito de cobrança duvidosa, trata-se de «créditos vencidos e outros créditos de cobrança duvidosa, tenham ou não sido contabilizados originalmente em rubricas de crédito, quer respeitem a dívidas de capital ou a juros (…)», sendo que «(…) consideram-se créditos vencidos os créditos por regularizar no prazo máximo de 30 dias».

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Um caso mal-parado - I

Por Gonçalo Nascimento Rodrigues
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OTBX, Consultoria em Finanças Imobiliárias, Lda.
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Durante as próximas semanas, irei aqui publicar um conjunto de artigos sobre o estado do crédito à habitação e às actividades imobiliárias em Portugal, bem como sobre o mal-parado e os riscos que enfrentamos e continuaremos a enfrentar no nosso mercado imobiliário.

Inicio esta colecção de artigos com o seguinte texto do Banco de Portugal:

«A exposição do sistema bancário português ao setor imobiliário, seja direta ou indiretamente (nomeadamente através da detenção de unidades de participação em fundos de investimento de risco associado ao setor imobiliário), constitui também um elemento importante de incerteza para a estabilidade financeira. Embora exista evidência da ausência de uma “bolha” nos preços do imobiliário em Portugal semelhante à ocorrida noutros países sob pressão, não serão de excluir correções adicionais dos preços, consentâneas com o ajustamento gradual do mercado habitacional português após o aumento significativo da oferta observado no passado, com a situação económica interna e a necessidade de redução do endividamento das famílias, e com uma eventual dinamização do mercado do arrendamento.

A fim de precaver eventuais efeitos negativos sobre o setor financeiro, foram recentemente definidos, pelo Conselho Nacional de Supervisores Financeiros, alguns princípios que visam garantir uma avaliação prudente dos ativos imobiliários. Adicionalmente, o Banco de Portugal tem conduzido, nos últimos anos, várias inspeções a classes específicas de ativos particularmente expostas a desenvolvimentos macroeconómicos ou de mercado, onde se incluem os ativos expostos ao risco imobiliário, as quais têm por objetivo promover uma correta avaliação do valor do imobiliário.» In Relatório de Estabilidade Financeira, pág. 8, Banco de Portugal, Novembro de 2013

Importa, também, ler a mais recente nota publicada pela Fitch.

Prudência, meus caros, prudência.

Bons negócios (imobiliários)!

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Descolar da apatia

Por Gonçalo Nascimento Rodrigues
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OTBX, Consultoria em Finanças Imobiliárias, Lda.
Managing Director






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Começa uma nova semana de trabalho, à entrada do último trimestre de 2013. Mais um ano complicado no que ao imobiliário diz respeito. Apesar de virmos tendo notícias um pouco mais animadoras sobre mexidas no mercado e interesse de investidores, a verdade é que os números deixam algo a desejar, mesmo fazendo parecer que são melhores que 2012 (que, na realidade, não são).

Mas ao entrar nesta nova semana, neste novo trimestre, um conjunto de notícias deixam no ar que realmente algo de novo pode acontecer:


quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Grandes bancos têm de vender 5.200 milhões de euros em imóveis

Por Gonçalo Nascimento Rodrigues
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OTBX, Consultoria em Finanças Imobiliárias, Lda.
Managing Director






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É hoje notícia do Jornal de Negócios que os 5 maiores Bancos Portugueses têm 5,2 MM de euros em imóveis para vender. Mais, por lei têm 2 anos para o fazer. Significa isto que a Banca teria de ter vendido qualquer coisa como € 3,5 MM entre 2011 e final deste ano; até final de 2014, teria de vender € 1,35 MM.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

O que é o NAMA?

O NAMA - National Asset Management Association - é uma agência pública irlandesa, constituída em 2009, com o propósito de retirar do balanço dos bancos um conjunto de dívidas relacionadas com imobiliário.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Muito Short e Pouco Sale


Por Massimo Forte
Director de Operações
Century 21 Portugal







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É certo e sabido que os bancos foram forçados a ficar com uma série de imóveis, diria mesmo, com avultadas carteiras de imóveis oriundos do crédito mal parado. Começando pelo subprime e terminando com as menos cuidadas avaliações de risco feitas pela maioria dos bancos portugueses, nos últimos 15 anos, de crédito hipotecário, não vale a pena continuar a referir e insistir nas causas que provocaram esta situação.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Troca de casa resolve incumprimento?

Foi notícia a semana passada que a Caixa Geral de Depósitos iria lançar um programa de troca de casas para evitar o incumprimento do crédito habitação de famílias Portuguesas em dificuldades. Das notícias que li e da reportagem feita na RTP, aquilo que consegui entender sobre os objectivos do Banco, é o seguinte:

- Manter as famílias na habitação, preservar a habitação das pessoas;
- Reduzir o valor a pagar pelas famílias, baixando a renda mensal.

Reportagem a partir do minuto 1:05

No fundo, estamos a falar do seguinte: uma família que esteja com dificuldades em fazer face às prestações do seu crédito habitação, pode optar por vender a sua casa a um FIIAH (Fundo de Investimento Imobiliário de Arrendamento Habitacional) gerido pela Fundimo (Sociedade Gestora de Fundos do universo CGD), optando por arrendar uma outra, propriedade desse mesmo FIIAH, cuja renda seja inferior ao valor da prestação que inicialmente essa família pagava pela sua casa.

Antes de mais, permitam-me dizer que esta proposta não permite manter as famílias nas suas habitações porque elas estão a ser convidadas a mudar de casa! Portanto, parece-me que o primeiro objectivo da CGD não será integralmente cumprido.

Para além disso, confesso que tenho imensas dúvidas e questões sobre esta proposta, que passo a enunciar:

- Se essa família vende a casa, sujeita-se a ter mais-valias na venda, em sede de IRS. Apenas existe isenção de mais-valias caso ocorra uma conversão da propriedade do imóvel num arrendamento do mesmo. Mesmo que isso ocorra, o futuro arrendatário deverá manter o seu arrendamento até final de 2020 ou exercer uma opção de recompra, caso contrário pagará mais-valias nessa altura;

- Pareceu-me ficar claro claro que existindo algum diferencial entre a dívida actual e o valor da venda, esse diferencial será utilizado para amortização da dívida (parece-me bem). Logo, não haverá nunca cash-flow líquido para o mutuário, pelo que ele não irá ter dinheiro para pagar eventuais mais-valias fiscais;

- Essa transacção está sujeita a I.S. - Imposto de Selo - (0,8% sobre o valor escriturado), a ser pago pelo adquirente. O FIIAH vai investir 0,8% de umas quantas centenas de milhar de euros??? É que só existe isenção de I.S. caso a venda da casa seja feita por um mutuário que converta o seu direito de propriedade num direito de arrendamento sobre o mesmo imóvel, não sobre outro imóvel do mesmo Fundo;

Em alternativa, pode uma pessoa vender a sua casa ao Fundo e comprar uma outra, mais barata, detida pelo mesmo Fundo. Também nesta opção, tenho dúvidas:

- Se os diferenciais de valor, a ocorrer, servirão para amortizar dívida, com que dinheiro pagará o mutuário os custos de registo e notário decorrentes da transacção? E o IMT? E o I.S.?
- E os imóveis em questão? São comparáveis em termos de localização? De potencial de valorização futura? Liquidez do mercado?

Na reportagem da RTP é dado um exemplo, uma comparação. Compara-se um crédito de € 150 mil com prestação de € 536 com um de € 100 mil e uma prestação de € 276. Fiz uma pequena simulação, no pressuposto de um crédito a 40 anos com uma taxa de juro de 3%. Se no primeiro caso, a prestação está aproximadamente correcta, as mesmas condições para o segundo caso resultam numa prestação de € 360. Há aqui um diferencial de € 84 /mês!

Apliquemos outro raciocínio. Pressupondo que todos estes valores estão correctos e que um mutuário consegue mesmo, através de uma qualquer mágica, baixar a sua prestação mensal de € 536 para € 276, qual a sua efectiva poupança? Para o mesmo crédito a 40 anos a 3% de taxa de juro, a sua poupança actual é de € 72.118. Mas e se os valores não estiverem correctos? E se os valores correctos forem aqueles que apontei? Nesse caso a poupança actual será de ... € 50 mil! E não podia ser de outra forma! A diminuição da minha exposição financeira hoje tem de ser igual ao valor actual da minha poupança futura! Finança elementar... se eu poupo mais no futuro do que aquilo que poupo hoje (que é o caso que nos querem vender), então alguém ficou a perder. O Banco? O Fundo? Não me parece...

É bom fazer-se bem as contas e saber-se com o que se conta. Não entendo como é que se consegue esta relação entre estas dívidas e respectivas prestações, mantendo-se as condições do empréstimo.

Surgem-me ainda preocupações adicionais:

- Quem avalia as casas ou quem as manda avaliar? A CGD? O Fundo? E como e em que data vale essa avaliação? Ao dia de hoje, para ambas? Vejam bem onde reside a minha preocupação principal: a casa que já é do Fundo e que o mutuário seja convidado a comprar, tem um valor de avaliação histórico (à data da venda a esse mesmo Fundo), sendo muito possível que esteja sobre-avaliada à data de hoje. Mas a casa que o mesmo mutuário irá vender ao Fundo terá de ser avaliada no momento da transacção;

- Por outro lado, o adquirente é ao mesmo tempo vendedor (leia-se, o Fundo), com naturais objectivos de rentabilidade. Logo, compreende-se que vá querer comprar bem e vender bem, leia-se, comprar abaixo do valor de mercado e vender com uma boa rentabilidade (acima do valor pelo qual a comprou). Logo, pode haver aqui uma enorme discrepância de valores, havendo certamente um desnivelamento de poder negocial, podendo inclusive haver algum enriquecimento ilícito do Fundo;

- Adicionalmente, é fundamental que as anteriores condições do crédito, que estavam em vigor antes da venda, se mantenham para um novo crédito. Não deverá, em caso algum, haver alterações que prejudiquem o mutuário. Aliás, arriscar-me-ia a dizer que havendo alterações, deveriam sempre ser no sentido da redução do spread, já que o mutuário irá reduzir, à partida, a sua exposição financeira ao Banco e o LTV (loan-to-value) do empréstimo;

- E para que tipo de famílias/empréstimos se aplica esta proposta? E quem tiver negative equity?

Vejo a CGD, no que ao imobiliário diz respeito, como um banco que normalmente está sempre à frente. No entanto, neste caso, parece-me que a proposta que faz a Portugal e aos Portugueses é algo confusa, complicada, quando julgo que deveríamos estar a pensar em, definitivamente, desligar o "complicómetro" em Portugal. Sobretudo, acho que a proposta não vai ter o impacto que necessitamos para ajudar a resolver o problema do incumprimento em Portugal. E, neste momento, aquilo que precisamos em Portugal é de soluções ágeis, simples mas sobretudo com a abrangência suficiente para causar impacto. Esta proposta não me parece que consiga nada disso.

Bons negócios (imobiliários)!