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terça-feira, 8 de novembro de 2011

Mercado Imobiliário Global – Onde nos podemos esconder? - Parte II


Por Nuno Ribeiro








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Na sequência do meu anterior artigo, no qual analisamos os mercados europeu e norte-americano, volto hoje ao vosso encontro para vos falar dos mercados asiáticos.

Mercados Imobiliários – Ásia/Pacifico

1. Situação Actual

As economias asiáticas, à semelhança da Europa e dos EUA desaceleraram nos últimos dois trimestres. Contudo, apresentam ainda taxas de crescimento significativas em 2011 (crescimento do PIB de 4.6% e 8.2% para economia asiáticas industrializas e em desenvolvimento, respetivamente, segundo o FMI). Ainda que a produção industrial se tenha reduzido, o consumo interno continua muito forte.

Hong-Kong


Singapura


Durante 2011, tanto Singapura como Hong Kong apresentaram um crescimento das rendas e nos preços bastante acentuado (entre 40-45% segundo a Jones LangLaSalle), devido a restrições na oferta e uma procura que não pára de crescer, tanto no mercado de escritórios como de retalho. Pequim junta-se também a este grupo de mercados core na Ásia, com taxas de ocupação a subir e empresas chinesas a expandir as suas operações a nível local. Outros mercados com performance muito positiva foram Melbourne na Austrália e Tóquio, que ainda que afectada pelos acontecimentos de Fukushima, mantém taxas de ocupação muito altas, yields muito reduzidas e rendas estáveis.

Segundo a DTZ, as transacções diminuíram 37% no Q2 2011 e os primeiros números para o Q3 indicam a mesma tendência negativa, consequência da situação vivida no Japão durante o Q2 2011 e das restrições ao crédito impostas pelo governo chinês. Durante o Q3, a maior parte das transacções foram bloqueadas devido à crescente incerteza do impacto da crise de dívida soberana na Europa. Atenção especial para as yields de retalho em Pequim que viram o seu valor comprimir devido a expectativas de melhoramento até ao fim do ano. No entanto, é importante realçar as preocupações com o mercado residencial chinês, com rumores de um possível crash devido a uma crescente especulação e excesso de liquidez por parte de investidores privados chineses


2. Outlook

Ao olhar para os fundamentos económicos, facilmente se conclui que a Ásia-Pacifico é de longe a região com melhores perspectivas (excepto América do Sul que não foi incluída nesta análise). No entanto, terá de se ter em conta a recente apreciação de rendas e preços em Hong Kong, Singapura e algumas cidades chinesas. Os riscos de correcção são elevados, especialmente no mercado de retalho.

No entanto, irá ocorrer um forte crescimento na oferta de novos edifícios em Shanghai, Singapura e Japão, o que provavelmente terá uma influencia negativa tanto nos níveis de ocupação como de rendas. Quanto a preços, os mercados especialmente de Singapura, Hong Kong, Pequim e Shanghai serão com certeza focos de volatilidade depois de um período de subidas acentuadas.

3. Títulos (Securities) Imobiliários

Os Títulos imobiliários cotados em bolsa (REITS, empresas imobiliárias ou obrigações de empresas imobiliárias) na Europa tem vindo a ser altamente afectados pela incerteza em torno da crise da dívida soberana europeia. Segundo um equity research do HSBC e do Deutsche Bank, as empresas imobiliárias estão a transaccionar no mercado com um desconto de 10% em relação ao seu valor de activos liquido (NAV – Net Asset Value). Situação semelhante verifica-se nos EUA onde o mercado de REIT’s registou grandes níveis de liquidação de participações, principalmente no inicio de Q3 2011 quando a economia americana sofreu um downgrade por parte do S&P.

Entre o início de Junho e o fim de Agosto, os títulos imobiliários cotados em bolsa nos EUA registaram um declínio de 7,6% segundo o HSBC. Por último, os mercados Asiáticos apresentam também uma tendência negativa com declínios entre os 5% e os 10% entre Junho e Setembro, consequência das medidas de contracção monetária por parte dos bancos centrais e da previsão por parte dos investidores de um abrandamento dos mercados imobiliários no qual estes títulos dependem. Segundo o HSBC, os títulos de empresas em Hong Kong estão a transaccionar com um desconto em relação ao NAV de (35-40%), no Japão (25-30%) e Singapura (20-25%).

Conclusão

Com as condições económicas a deteriorarem-se a nível Europeu, a incerteza quanto aos impactos desta crise em outras regiões é elevada. Tudo isto leva a que a procura no que toca ao mercado de arrendamento de escritórios e retalho seja consideravelmente afectada. A maior parte dos investimentos que eventualmente ocorram serão certamente focados em activos core a preços bastante atractivos. A mesma situação será de esperar nos EUA com o crescimento do PIB a dar indicações de abrandamento e os números de desemprego em níveis elevados.

De todas as regiões, Ásia parece ser a área com fundamentos mais sólidos. No entanto, devido a fortes subidas de preços e rendas nos últimos 1-2 anos, o mercado certamente irá sofrer correcções, tanto mais acentuadas quanto maior for a oferta de escritórios e retalho que se espera venha a ser concluída nos próximos 2 anos.

Quanto títulos imobiliários cotados em bolsa, tantos nos EUA como na Europa, os níveis elevados de volatilidade associados à incerteza económica manter-se-ão. Boas indicações no entanto para títulos na Ásia que estão a ser transaccionados com grandes descontos.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Mercado Imobiliário Global – Onde nos podemos esconder? - Parte I


Por Nuno Ribeiro








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Hoje em dia, investidores institucionais e privados, ou ainda o cidadão comum, quando avaliam as suas alternativas de investimento são confrontados com bancos a entrar em insolvência, crises de dívida soberana e a possibilidade de outra recessão. Tendo em conta este “ruído”, no que toca a investimentos imobiliários e considerando a actual conjuntura económica, não existirá nenhum “sitio” onde nos possamos esconder? A resposta é: no curto-prazo muito provavelmente não, mas a longo-prazo existem ainda activos/zonas que apresentam fundamentos económicos bastante positivos.

Analisemos cada uma dessas zonas/activos.

Mercados Imobiliários – Europa

1. Situação Actual

Com o consumo a nível europeu a contrair de forma significativa e com cortes fiscais por parte da maioria dos governos europeus, o PIB desses países tem vindo a desacelerar. As previsões para o PIB europeu de 2011 têm sido revistas para valores bastante reduzidos (1.6% segundo o FMI) devido à deterioração da confiança dos consumidores assim como à desaceleração das exportações. Os níveis de desemprego também se esperam que aumentem.

Os mercados imobiliários começam agora a apresentar evoluções distintas. As taxas de ocupação aumentaram ligeiramente devido à oferta limitada de novos edifícios. No que toca aos níveis de rendas, mercados emergentes como Moscovo ou Varsóvia apresentaram crescimentos de dois dígitos enquanto que mercados como Grécia, Espanha ou Irlanda viram rendas decrescer durante os primeiros três trimestres de 2011. Mercados core como Paris, Londres ou Munique mantiveram os níveis de rendas estáveis.

Quanto a investimento, segundo a Jones LangLaSalle, registou decréscimos de 25% entre Q1 e Q2 2011 em termos de volumes transaccionados e os primeiros relatórios de Q3 2011 sugerem uma tendência similar de arrefecimento. A maioria dos investimentos, mais uma vez centrou-se em mercados core - Alemanha, Franca e Inglaterra. Quanto a yields, estas mantiveram-se estáveis com excepção para Praga e Varsóvia onde estas sofreram compressões ligeiras.

2. Outlook

A Procura para o mercado de arrendamento de escritórios e retalho será condicionada pela conjuntura económica. As rendas permanecerão ao mesmo nível e eventualmente cairão em mercados periféricos. Decréscimos, principalmente em mercados core, não são de esperar visto que a oferta de novos edifícios é limitada.

Quanto a investimento, não é de prever que se estenda a mercados secundários tendo em conta os níveis de incerteza. No que toca a mercados core, somente edifícios prime com muito pouco risco e a bom preço têm possibilidade de atrair a atenção de investidores. Tendo em conta níveis de procura reduzidos, será de prever que os preços sofram depreciações nos próximos 12 – 18 meses.

Mercados Imobiliários – EUA

1. Situação Actual

À semelhança do situação europeia, a economia dos EUA tem vindo também a desacelerar nos últimos dois trimestres de 2011 e as perspectivas até ao fim do ano não são animadoras, com um crescimento em 2011 de apenas 1,5%, segundo as últimas previsões do FMI. Tanto o consumo como as exportações desaceleraram consideravelmente o que levou a um arrefecimento económico. Com níveis de desemprego elevados, a crise no mercado imobiliário (principalmente residencial) e a alta inflação, a confiança dos consumidores está bastante afectada.

Tal como na Europa, ainda que a oferta de novos edifícios seja extremamente limitada, os níveis de ocupação apenas registaram subidas residuais visto que a incerteza económica leva a que as empresas não corram riscos e suspendam todas as eventuais decisões de expansão. As rendas continuam com uma tendência de crescimento negativo.

No que toca a investimento, as transacções aumentaram 80% comparativamente com Q2 2010 (fonte: Real Capital Analytics). Esta subida é reflexo de activos prime a preços muito atractivos nos principais mercados americanos que rapidamente foram negociados por investidores institucionais. Durante Q1-Q2 2011 e inicio de Q3, os preços nas principais cidades dos EUA (Nova Iorque, São Francisco, Washington, Boston, etc.) apresentaram tendências de crescimento positivo. Mesmo cidades secundárias começaram a diminuir a diferença para os mercados core visto que os investidores começaram a dirigir a sua atenção para activos com retornos mais elevados. No entanto, toda esta melhoria dinâmica em Julho/Agosto quando investidores começaram a levantar duvidas quanto ao outlook económico mundial, tendo em conta a crise soberana nos países europeus e também o downgrade que a economia americana sofreu em Julho.

2. Outlook

Com um crescimento económico bastante incerto, a desaceleração do PIB é esperada que se mantenha, assim como os níveis de desemprego elevados. Isto será traduzido numa procura reduzida de activos imobiliários. Quanto a rendas, só sofrerão apreciações em caso de retoma económica.

Tendo em conta as taxas de juro baixas praticadas pela reserva federal norte-americana, não será de esperar que os preços para activos prime em mercados core sofram depreciações (escritórios e retalho).

Numa próxima oportunidade, olharemos para os mercados asiáticos.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Depois da Tempestade, a Bonança?


Por Nuno Ribeiro








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Uma História do Oriente - O Dubai

Quando em 2002 o governo do Dubai - um dos sete emiratos que compõem os Emiratos Árabes Unidos (EAU) - autorizou estrangeiros a investir no mercado imobiliário sem necessidade de parceiro local, poucos poderiam imaginar o que iria acontecer nos 6 anos que se seguiram.

Construção comandada por pura especulação trouxe para este pequeno emirato de 4.000 km2 – a Área Metropolitana de Lisboa tem cerca de 3.000 km2 - 25% das gruas existentes no mundo. Torres de escritórios, edifícios residenciais, hotéis e centros comerciais foram construídos um pouco por toda a cidade sem se pensar bem nas reais necessidades do mercado. Milhares de expatriados chegaram a este novo “el dorado” alimentando uma procura virtual para toda esta construção. Como diziam os locais, “if we build they will come”.

Seis anos depois, em finais de 2008, quando o Lehman Brothers caiu nos Estados Unidos e a economia europeia desacelerou, os preços e rendas no Dubai, tanto no mercado residencial como no de escritórios, estavam nos seus máximos históricos. No fim de 2009, depois da necessidade de ser bailed-out por Abu Dhabi, a cidade do Dubai perdeu entre 10%-15% da sua população - fontes oficiais nunca revelaram o verdadeiro impacto da crise, que muitos dizem ter sido ainda pior. Com este decréscimo de população, empresas a fechar em catadupa desde finais de 2008 e financiamento quase inexistente, a procura, tanto no mercado residencial como no mercado de escritórios, ficou reduzida a níveis mínimos o que levou ao colapso do mercado, quer na venda quer no arrendamento. Os preços caíram mais de 60%, queda idêntica no valor das rendas.

Se até a crise os investidores institucionais “franziam a sobreolho” quando se falava de investimento nesta região, a situação agravou-se muito mais depois da crise. Que futuro então para este mercado imobiliário que cresceu com “esteroides”?

O mercado residencial, devido a uma grande quantidade de oferta, inexistência de oportunidades de investimento de grande envergadura e sem estabilidade de cash-flow, não parece de momento atrair a atenção de estes deep pocket players. O mercado de retalho e hotelaria ainda que bastante apetecíveis, agora que começam a apresentar sinais de recuperação, não parecem estar no mercado disponíveis para compra. Proprietários locais sabem bem o seu valor e não parecem dispostos a abrir mão destes excelentes ativos. No entanto, o retalho em particular, apresenta excelentes perspectivas futuras com a ocupação a subir e as rendas aparentemente a apresentar uma ligeira recuperação.

No que toca ao mercado de escritórios, parece estar agora a caminho de uma possível estabilização nos próximos 12 meses apresentando excelentes oportunidades de investimento a médio-longo prazo. Ao contrário de outros activos, os proprietários de escritórios parecem bastante disponíveis para vender a condições muito competitivas.


Fonte: Jones LangLasalle

Mercado de Escritórios – Um passado atribulado, presente sombrio e futuro brilhante?

Oferta e Procura

O stock de escritórios chega atualmente aos 5,6 milhões de m2. Até 2013 espera-se que 1,8 milhões de m2 sejam adicionados a este número, aproximadamente 30% mais do que existe hoje em dia. No entanto, estes valores terão de ser revistos visto que muita obra será provavelmente adiada visto que a maior parte dos promotores estão neste momento a construir sobre condições de cash-flow extremamente apertadas.


Fonte: Jones LangLasalle

Em termos de procura, é necessário primeiro considerar o potencial da cidade do Dubai na região e não só em termos dos emiratos.

Com as melhores infraestruturas da região, estilo de vida atractivo, inexistência de impostos, situação política/social estável e excelente localização geográfica – a 1-3 horas de qualquer capital do Médio Oriente e a 8 horas de Londres ou Hong Kong – Dubai tem sido local preferencial para multinacionais se estabelecerem na região.

De todos estes factores, provavelmente o mais determinante e que passa desapercebido a investidores estrangeiros, é o facto dos EAU mais concretamente, beneficiarem sempre de qualquer tipo de instabilidade política/social na região. Aconteceu na primeira e segunda Guerra do Golfo e está já a beneficiar de instabilidade em países como Egipto, Bahrain, Síria ou Iémen. Investidores ou multinacionais estabelecidas e/ou com interesses nestes países, no rescaldo destas situações, procuram sempre a estabilidade e segurança proporcionadas pela cidade do Dubai.

No que toca a esta recente instabilidade social/política verificada nos países vizinhos, esta ainda não se converteu em procura ou níveis altos de absorção para o mercado de escritórios. A médio prazo será de esperar uma subida da procura de escritórios mas no entanto não será suficiente para acompanhar o crescimento da oferta.

Quando olhamos para as taxas de ocupação, estas têm permanecido estáveis mas a um nível muito baixo (56%). É esperado que desçam ainda mais (até aos 50%) até ao final do ano com mais escritórios a serem concluídos. No entanto, é necessário olhar em mais detalhe e analisar os activos com mais qualidade e mais bem localizados. No CBD, as taxas de ocupação estão a 73% e têm permanecido inalteradas nos últimos 3-6 meses. Ainda que sejam níveis de ocupação baixos, é preciso considerar que muitos edifícios nesta área foram terminados neste último ano, no qual as empresas foram muito cautelosas quanto a planos futuros. A médio-longo prazo é de esperar que os níveis de ocupação subam consideravelmente, principalmente para edifícios que sejam de um só proprietário, de qualidade e localizados no CBD.

Venda e Arrendamento

Desde o seu pico em 2008, as rendas médias para escritórios prime desceram 62% mas parecem estar agora a estabilizar. Desde o final de 2010, os valores médios têm-se mantido inalterados a € 26/m2/mês. Escritórios fora das áreas principais estão a ser negociados com um desconto de 32%, a € 18/m2/mês e é esperado que continuem a descer. Ainda que mais oferta esteja prevista para ser terminada no curto-médio prazo, não se espera que as rendas em locais prime desçam significativamente, visto que muitas empresas estão agora a aproveitar para efectuar um upgrade dos seus escritórios em termos de localização e qualidade a preços muito mais competitivos que anteriormente. Este último factor é sem dúvida muito importante, visto que com a descida das rendas o mercado de escritórios do Dubai torna-se cada vez mais competitivo na região.

Os preços de venda desceram 40% desde o seu pico em 2008, de € 3.500/m2 para € 2.100/m2. Tendo em conta as rendas e preços médios, temos um retorno médio de rendas de aproximadamente 10%, que está em linha com os objectivos dos investidores na Região, o que tem fomentado o apetite por estes activos. Tratam-se de números baseados em médias, o que possivelmente dista um pouco de transações efectuadas por excesso.

Com níveis de ocupação e rendas a estabilizar, durante os finais de 2010 e início de 2011 começaram a verificar-se as primeiras grandes transacções por parte de investidores institucionais e privados do Golfo. Estas transacções têm-se verificado em ativos prime com yields entre os 8-9%. Por enquanto o número de transações é ainda reduzido mas é de esperar que a médio prazo comecem a aumentar. É importante no entanto realçar que somente os ativos localizados em zona prime e de alta qualidade são de momento alvo de interesse. Outras localizações na cidade, devido ao nível altíssimo de oferta e falta de qualidade não são de esperar serem alvo de grande procura ou representarem boas oportunidades de investimento.


Fonte: Jones LangLasalle

Que Futuro?

A médio prazo a procura não terá forma de acompanhar o nível de crescimento da oferta. Os primeiros sinais de estabilização no mercado de escritórios na cidade do Dubai começam a ver-se ao fundo do túnel. Mais que tudo, o potencial como hub para a região faz desta cidade e deste mercado de escritórios um dos segredos mais bem guardados dos mercados imobiliários regionais/mundiais a médio-longo prazo. Ainda que seja um mercado pequeno, estão disponíveis boas oportunidades. Os preços irão permanecer estáveis a médio prazo e as rendas não irão descer muito mais.

Não será a melhor comparação possível, devido a muitas diferenças fundamentais mas as lições aprendidas em mercados como Hong Kong podem ser bons exemplos para o que se está passar hoje em dia no Dubai. Quando em 2003, depois da crise financeira asiática (1997), o 11 de Setembro (2001), a bolha das “dot.com” (2002) e SARS (2003), o mercado imobiliário de Hong Kong estava "nas ruas da amargura". Além disso a cidade de Xangai estava a crescer e atrair mais e mais empresas. Muitos viram ai o final de Hong Kong como hub principal para empresas financeiras, logísticas e de serviços na região. Sete anos depois, as rendas e preços de tanto escritórios como do mercado residencial duplicaram. É verdade que Hong Kong não tinha o mesmo nível de sobre-oferta que tem o Dubai e tem muito mais procura em potência. No entanto podia ter perdido a sua posição para Xangai, mas a sua infraestrutura, qualidade de vida, localização preferencial para multinacionais não mudou. Estes três factores, ambas as cidades têm em comum. Não digo que o Dubai seja o Hong Kong do Médio-Oriente, mas sem dúvida aos preços que estão hoje em dia, escritórios nestes “oásis” no meio do deserto representam uma excelente oportunidade de investimento a médio-longo prazo.


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terça-feira, 26 de abril de 2011

Fundos de Pensões Asiáticos – Oportunidades para o Mercado Imobiliário Europeu/Global


Por Nuno Ribeiro








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Durante os últimos anos, a maioria dos fundos de pensões tiveram necessidade de repensar os seus portfolios de investimento, desde logo na necessidade de alinhar os passivos (pagamentos regulares e futuros aos seus “pensionistas”) com os seus activos que normalmente são a longo prazo.

Isto fez com que os investimentos imobiliários se transformassem num activo extremamente importante para este tipo de fundos na maior parte das economias ocidentais, passando a representar entre a 5-10% dos seus portfolios.

Entre os dez maiores fundos de pensões no mundo, quatro são asiáticos e oito estão no top vinte mundial. Entre estes estão os fundos de pensões do Japão mas também da Coreia do Sul, Taiwan, Singapura e Malásia.

Ainda que os fundos de pensões no ocidente já incluam activos imobiliários nos seus portfolios, os fundos asiáticos foram até agora bastante conservadores na distribuição dos seus investimentos. Normalmente, esta distribuição é substancialmente concentrada em activos domésticos, principalmente obrigações e acções. Com isto, a maior parte dos maiores fundos de pensões asiáticos tem entre 70 a 80% dos seus portfolios investidos em activos “fixed income”, como obrigações, “preferred stocks” ou “asset back securities” (ABS). Tendo isto em conta, no futuro, é provável que os fundos de pensões tenham dificuldades para suportar as suas obrigações futuras com uma população asiática que apresenta sintomas de envelhecimento. Quando olhamos para a componente de activos imobiliários nos seus portfolios, vemos que é bastante inferior aos 5-10% que são visíveis em países ocidentais. Em alguns casos até, os fundos de pensões asiáticos não têm qualquer tipo de activo imobiliário nas suas carteiras de investimento.

Para que possamos então perceber a reforma profunda que estes fundos de pensões asiáticos estão a atravessar, alguns factores terão de ser tidos em conta:

- Alterações demográficas: Envelhecimento populacional; esta transição demográfica irá ocorrer dentro de uma geração, quando nas economias ocidentais espera-se que ocorra em várias gerações.

- Crescimento económico: muito rápido, com níveis de urbanização elevados - exemplo: China e Índia.


Fonte: Allianz (2008, 2009), OECD (2009)
*percentagem da população com idade superior a 65 anos comparado com população com idades entre 15-64 anos.


Estas alterações revelaram grandes deficiências na composição das carteiras de investimento destes fundos de pensões asiáticos. No entanto, muitos deles estão agora a reconhecer o impacto destes factores estruturais e estão a reavaliar/redireccionar os seus portfolios para investimentos internacionais tendo em vista uma melhor diversificação dos seus activos. Além disto, também é visível uma crescente importância em investimentos alternativos o que inclui níveis mais elevados de activos imobiliários nas suas carteiras.

Fundos de pensões asiáticos e activos imobiliários

O fundo de pensões Sul-Coreano tem $240 biliões em activos e é neste momento o sexto maior fundo de pensões a nível mundial e um bom exemplo no que respeita ao reposicionamento de carteiras. Desde que começaram a reposicionar o seu portfólio de investimento, os níveis de activos imobiliários têm vindo a aumentar consideravelmente. Além de aumentar o nível de investimento imobiliário, o fundo de pensões Sul-Coreano tem vindo a investir em escritórios a nível global quando posteriormente a aposta era mais em retalho a nível local. Com esta mudança de estratégia, desde Junho de 2009, o fundo de pensões sul-coreano já investiu $3.6 biliões em Londres, Tóquio, Berlim e Sidney. Nos últimos meses, mandatos de $1.5 biliões de dólares foram emitidos para a identificação de oportunidades em diversos mercados internacionais incluindo Estados Unidos, Reino Unido, Austrália, China e Japão.

Processo semelhante aconteceu com o fundo de pensões Malaio (Malasya’s Employee Provident Fund), que recentemente posicionou $1.5 biliões para investir em activos imobiliários a nível internacional, sendo este o seu primeiro investimento imobiliário fora da Malásia. Este processo está a ser gerido pela RREEF e ING, que estão a implementar a estratégia delineada pelo fundo de pensões Malaio, tendo sido já adquiridas algumas unidades de escritórios em Londres.

Estratégias similares são esperadas no futuro por parte de outros fundos de pensões asiáticos, com o sucesso dos fundos pensões Sul-Coreano e Malaio a ser atentamente observado por outros fundos de pensões regionais. Além disto, muitos fundos imobiliários internacionais estão agora a trabalhar activamente na região para conseguir obter mandatos com estes fundos de pensões. Tendo em conta a sua escala de investimento, são de esperar implicações consideráveis não só na Ásia mas também a nível internacional.

Oportunidades de Investimento

Com esta mudança de estratégia e o crescente apetite por activos imobiliários, com certeza haverá novas oportunidades de investimento no mercado imobiliário Europeu e a nível global. No entanto, teremos de ter em conta que o imobiliário é um activo novo para estes fundos, e que será necessário um processo de aprendizagem, em termos de compreensão do processo de investimento em activos imobiliários, assim como experiência num mercado de investimento muito particular. Tudo isto, irá requerer estratégias de investimento especificamente desenvolvidas para estes fundos, sendo esta a verdadeira oportunidade.

Trabalhar com estes fundos de pensões, de forma a assisti-los e ajudá-los a desenvolver as suas estratégias de investimento imobiliário será uma oportunidade única para profissionais da área do imobiliário a nível Europeu. Compreender as necessidades dos fundos de pensões asiáticos e alinhar interesses serão factores essenciais para expandir este mercado.

Em conclusão, os fundos de pensões asiáticos proporcionam uma importante fonte de capital para o mercado imobiliário a nível global. Com o mercado Europeu e Norte-Americano altamente condicionados em termos de liquidez, estes fundos podem ser uma excelente solução de capital de investimento. “Players” no mercado imobiliário europeu e global terão de desenvolver estratégias para se posicionarem de forma a poderem beneficiar destes potenciais “inflows” de capital.


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Este artigo foi elaborado tendo como principal fonte um relatório da APREA - Asia Pacific Real Estate Association