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segunda-feira, 21 de julho de 2014

Onde pára o mercado de escritórios?

Por Bruno Silva
Partner, Head of Property & Asset Management
Cushman & Wakefield










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Em época de banhos, Le Tour de France, GES e outras irresistíveis atrações da silly-season, é difícil não haver melhor leitura que a das últimas yields, taxas de ocupação, rendas e outros bitaites imobiliários em geral.

Imagino-o por isso de férias no deck do seu yacht, regressado de um mergulho no mar e inseparável do seu smartphone, deparando-se com esta mensagem “Out-of-the-box”, questionar-se: “Onde pára o mercado de escritórios?”

Sem perder muito tempo, fique a saber que este trimestre está em ligeiro abrandamento por comparação ao início do ano. Não obstante, nos primeiros 6 meses foram registados cerca de 120 negócios com uma área superior a 41 mil m2 – um aumento de 60% quando comparado com o ano anterior e cerca de 11% acima da média dos últimos 5 anos. As atenções focam-se no CBD com o Parque das Nações a registar 30% do take-up total. O objetivo principal continua a ser a redução de área e custos de ocupação, com exceção das empresas de recursos humanos e de serviços partilhados – sector onde Portugal está cada vez mais na moda!

Do lado da oferta, o stock continua relativamente estável com os promotores a adotarem uma estratégia de esperar para ver. Apesar da generalidade dos projetos continuarem parados, alguns estão já em fase de reapreciação pelo que podemos assistir à entrada no mercado de propostas muito interessantes, particularmente no CBD. Os investidores institucionais aparecem com liquidez, à procura de produto e retorno inalcançável em mercados mais maduros. Mas o capital chega também através das private equities e muito do oriente.

A tendência das yields é pois de descida, com a zona 1 (prime CBD) em torno dos 6,5%; zonas 2 e 3 a 8% e a Zona 5 a rondar os 7,5%. As taxas de desocupação tenderão a diminuir gradualmente e as rendas a estabilizar – exceção feita à renda prime do CBD, que corrige em alta pela primeira vez em 4 anos, +0,5 € para 19€/ m2.




Desejo-lhe umas excelentes férias!

#Food-for-thought: uma maneira inteligente de fazer bons negócios é rodear-se de quem faz bom uso da informação!

segunda-feira, 17 de março de 2014

Conheça melhor os seus futuros inquilinos

Por Bruno Silva
Partner, Head of Property & Asset Management
Cushman & Wakefield










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Em imóveis de rendimento, espaços vazios são o pesadelo de qualquer proprietário. Obrigam a um esforço acrescido para assegurar despesas correntes; a um combate à degradação dos equipamentos por falta de uso; a uma corrida contra o prazo fiscal para se efectuar novo arrendamento sob pena de perda da possibilidade de renúncia à isenção do IVA; a um maior esforço de promoção; elevam o risco de incumprimento do financiamento; à perda de valor; para referir apenas algumas preocupações.

No actual mercado de escritórios, a opção de recusa por um determinado candidato a inquilino pode ser visto como um luxo a que poucos proprietários se podem dar. Com um take-up em 2013 na ordem dos 77.800 m2 – o mais baixo desde que há registo do LPI, a pressão para se fecharem negócios é maior do que nunca e de natureza diversa.


terça-feira, 30 de outubro de 2012

Casados para sempre…?

Por Bruno Silva
Associate, Head of Property & Asset Management
Cushman & Wakefield









Já ouviu falar em “Marriage Value”? O conceito tem barbas e aplica-se tipicamente à propriedade privada, onde um arrendatário detém um direito de propriedade temporário sobre um imóvel ou terreno, normalmente suportado por um contrato de arrendamento ou espécie de título de propriedade, e em que o valor do imóvel arrendado é percecionado por um potencial investidor como superior face à diminuição de risco.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Fora de jogo


Por Bruno Silva
Associate, Head of Property & Asset Management
Cushman & Wakefield





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A Europa dos aflitos está à venda. Não uma venda racionalmente ideal, estratégica, geradora de novos investimentos. Mas uma venda a saldo, desesperada tentativa de emagrecer os monstros que sucessivos governantes alimentaram, sem nunca refrear. Afinal, alguém com nome de pensador disse “as dívidas não se pagam”, lembram-se? Pois, mas vão ter mesmo de pagar.

Grande parte desse esforço já nos toca a nós, é certo. Anos e anos de austeridade, de cortes salariais, agravamento de impostos, redução de pensões, fragilidade laboral, desemprego e novos pobres. Ainda assim, não chegamos lá. Portugal sempre se esmifrou para acompanhar as modas. Também aqui vai ter de acompanhar os outros PIGS e vender as suas joias, tão magros já estão os nossos dedos.

As privatizações de ativos estratégicos, ao virar da esquina, são o caminho natural (fácil?) a seguir. Mas existem outros caminhos a considerar que poderão permitir ao Estado captar investimento estrangeiro, designadamente no sector imobiliário.

Um deles, seria a requalificação de edifícios devolutos através de inventivos fiscais que fizessem, objetivamente, a diferença face a alternativas de investimento noutros países. Entre termos menos receitas mas uma malha urbana regenerada ou continuarmos à espera que prédios inteiros caiam por incapacidade do estado criar condições que permitam colocá-los de forma competitiva no mercado internacional, não me parece difícil a escolha.

Agora, ponham-se na pele de um investidor que olhe para estes países e analisem as opções:

Grécia: Eleições ao virar da esquina. Políticos esbofeteiam-se em direto na TV. Aventura do Euro? Game over. Se até os Gregos estão a tirar de lá o seu dinheiro, por que raio iria eu por lá o meu?

Itália: “Decreto de crescimento” prevê a alienação de 10 mil milhões de ativos estatais. Apesar da ameaça de risco sistémico e da crise da dívida soberana, a Itália continua sendo reconhecida como um país onde o endividamento das famílias é relativamente baixo e onde se fazem muitos e bons negócios. Se a coisa correr mal, ao menos vou em grande estilo…

Espanha: O último relatório do FMI diz que “a economia está em plena recessão, com uma recaída sem precedentes, com o desemprego em níveis já inaceitáveis, a dívida pública já a aumentar rapidamente e segmentos do sector financeiro com necessidades de recapitulação”. “No entanto, há potencial para uma melhoria, sendo o apoio da zona euro ao sector financeiro uma oportunidade para completar essa tarefa”. Os bancos fomentaram a crise, muito pelo imobiliário. Já me enganaram o suficiente; não contem comigo para tapar o buraco dos bancos.

Portugal: Se não for europeu, posso sempre comprar a minha entrada por 750K€. Não está mal… mas se até o empresário Figo, ex-internacional das quinas, diz que não tem vontade de investir em Portugal, país em que “há sempre alguma coisa que dificulta e que cria má imagem; dá-me vontade de não ter nada aqui”. Bem…

O esforço que tem sido feito, vai tapando uns buracos aqui e acolá. Mas tanta austeridade e sacrifício não trarão crescimento económico se continuarmos a asfixiar a economia. Se não morrermos do mal, corremos o sério risco de morrer da cura. Neste momento, parece mesmo é que nos encontramos todos “Fora de jogo”.

terça-feira, 20 de março de 2012

Como tornar-se um Magnata do Imobiliário!


Por Bruno Silva
Associate, Head of Property & Asset Management
Cushman & Wakefield





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Muito se tem falado sobre a dificuldade de acesso ao financiamento como principal obstáculo à concretização de projectos imobiliários. A Banca tem tido, aliás, a sua quota-parte de responsabilidade nesta crise e é por muitos apontada como o único player com efectiva capacidade para inverter esta tendência de queda que parece não ter fim.

Mas a banca não é, por sinal, a única tábua de salvação. Quando as ideias existem e o empreendorismo procura verdadeiramente colocá-las em prática, existem outras fontes de obtenção de capital dispostas a correr o risco e a partilhar os lucros.

Apesar do mercado português estar hoje “on-hold”, fora do radar dos principais investidores institucionais que se refugiam em mercados maduros, mais estáveis e com francas perspectivas de retoma no curto prazo, existem por outro lado inúmeras casas de private equity, à procura de negócios oportunistas que lhes permitam desenvolver projectos com estratégias de saída no médio prazo, junto destes mesmos investidores institucionais.

Esta dinâmica de negócio especulativo é de particular relevância num mercado estagnado e um dos motores fundamentais – a par de reformas legislativas, maior estabilidade fiscal e outros tantos entraves que dariam pano para mangas e que aqui me abstenho de comentar – para a retoma no setor imobiliário em Portugal. Do retalho aos escritórios, passando pela logística, residencial ou o tão estratégico sector do turismo, as oportunidades estão aí para quem as souber aproveitar.

Deixo-vos um exemplo de uma dessas casas, que muito deu que falar há dias em Cannes, e que procura justamente empreendedores Out-of-the-box com quem trabalhar no desenvolvimento de projetos imobiliários: a Hamilton Bradshaw Real Estate do magnata do Imobiliário, James Caan, cujo lema é investing in the next generation of property entrepreneurs (www.hbrealestate.co.uk).

Se porventura achar que ainda não reúne os requisitos tão eloquentemente sistematizados neste artigo da Property Week, pode sempre começar pelo Workshop em Investimentos Imobiliários Out-of-the-box!

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

A Taxa Interna de Felicidade


Por Bruno Silva
Associate, Head of Property & Asset Management
Cushman & Wakefield





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E se, a par da Yield, passássemos a utilizar a Felicidade como critério de medição de valor de um ativo imobiliário? Lojistas satisfeitos; ocupantes de escritórios motivados; pacientes de unidades de saúde usufruindo de espaços dignos. A ideia não é peregrina, no sentido em que um país chamado Butão pô-la em prática há várias décadas. Chamaram-lhe: Taxa Interna de Felicidade.

Nos dias que correm, não há sector que aguente a crise. Senhorios e inquilinos medem forças numa relação que já teve dias melhores – descontos de renda; carências de pagamentos; "caps" sobre as despesas comuns; "break-clauses"... até grandes arrendatários que ontem se financiaram em operações de sale and leaseback, são hoje os primeiros a "roer a corda" e exigir revisão das condições locativas acordadas. Vale tudo nesta crise.

Porém, no sector imobiliário, a atribuição de valor numa relação comercial deve ser muito mais que o mero reflexo de um valor médio de €/m2 de uma determinada zona da cidade. Hoje, mais do que nunca, a sustentabilidade do imobiliário comercial deverá sair do plano estritamente financeiro e passar a estar intrinsecamente relacionada com a sustentabilidade económica, ambiental e social dos edifícios e seus ocupantes.

Não basta termos edifícios green ou eco-friendly para que senhorios e arrendatários exibam índices de redução da pegada ecológica como grande bandeira da sua responsabilidade corporativa. Não basta promovermos um edifício como tendo o mais competitivo preço/m2 ou as menores despesas comuns. É preciso ir mais além.

A verdadeira mudança começa em nós próprios enquanto indivíduos. Esse despertar interior de uma consciência individual que nos permitirá crescer coletivamente enquanto sociedade. Ao agirmos de forma mais inteligente, saudável e feliz, estaremos individualmente a contribuir para que a nossa organização seja socialmente mais sustentável, mais amiga do ambiente e economicamente mais próspera.


Atingir o equilíbrio nestes três grandes pilares da Sustentabilidade deverá pois ser um objetivo a seguir por todos nós que, direta ou indiretamente, utilizamos imóveis no quotidiano. Quiçá então, nesse dia de tomada de consciência, seremos todos sustentadamente mais felizes. Afinal, não é isso que procuramos?