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segunda-feira, 22 de outubro de 2018

Porto: a nova coqueluche do turismo Português.

É inegável que Portugal está na moda e as suas cidades e regiões são atracções cada vez mais apetecíveis e reconhecidas. Não será apenas por razões fiscais que personagens como Philip Stark, Eric Cantona, Madona, Christian Louboutin, Monica Bellucci ou recentemente Scarlett Johansson escolheram Portugal para a sua nova morada, quando poderiam ter escolhido qualquer outro destino (também esse fiscalmente amigável).

Os prémios e os artigos na imprensa internacional acumulam-se. Em Junho deste ano, durante a última gala dos World Travel Awards (considerados os Óscars do Turismo Mundial), Portugal recebeu 36 prémios, entre eles, o Melhor Destino Europeu pelo segundo ano consecutivo, e Lisboa foi considerada o Melhor Destino Citadino Europeu pela primeira vez. Mas apesar do destaque que Lisboa tem tido nos últimos anos, há uma segunda cidade Portuguesa que vai surgindo como sua rival, em termos de notoriedade e ameaça agora roubar-lhe a ribalta. Estamos a falar do Porto, está claro. A Lonely Planet recentemente destacou o Porto como a melhor cidade Europeia que não uma capital.

O que mudou? Porquê agora?

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Tendências no mercado da 2ª habitação

A Consultora Savills emitiu recentemente um documento de research muito interessante, apontando para as novas tendência no mercado da 2ª habitação. A principal tendência aponta para uma procura cada vez mais focada na geração de rendimento do que propriamente pelo uso do próprio imóvel. Uma 2ª habitação passou a ser claramente um produto de investimento em vez de ser - como sempre tem sido - um activo de uso próprio.

Do inquérito realizado pela consultora resultou que mais de 30% dos inquiridos referiu que a compra de uma 2ª habitação lhes servirá apenas para investimento (obtenção de retorno por via do arrendamento turístico), enquanto que mais de 40% pondera usar o imóvel mas também pretende colocá-lo em arrendamento. 

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Será que o Turismo pode matar o Turismo?

Muito se tem falado do aumento do turismo em Portugal. Recordes sobre recordes são anunciados: nas chegadas, nas dormidas, nas receitas. Todos embandeiram em arco porque no imediato são só benefícios.

No entanto, os 44 anos que tenho dedicado a acompanhar o desenvolvimento deste sector de actividade levam-me a pensar em alguns clichés que estiveram sempre presentes ao longo destes anos.

E um deles é que “Portugal não tem espaço para um turismo de massas de qualidade”. Já uma vez abordei ao de leve esta temática mas hoje resolvi voltar a ela com mais profundidade.

De facto, Portugal tem condições únicas de atractividade turística. Um território muito diversificado, desde as praias à montanha, passando pela planície e peneplanície, pela sua bacia hidrográfica (a maior da europa proporcionalmente ao seu território), pelos seus vales mais ou menos profundos, etc.
Por outro lado, tem um património histórico muito relevante, quer em termos de património edificado quer imaterial com grandes repercussões na história da humanidade, como sejam a gastronomia, os seus usos e costumes, o seu artesanato, etc.

E por último mas não menos importante, uma população que normalmente acolhe bem os seus visitantes.

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

A qualidade como paradigma do turismo português

Recentemente, li o título de um artigo que dizia mais ou menos o seguinte: ”Qualidade do turismo não se faz apenas com bons hotéis. Precisa de uma liderança forte”.

Já uma vez escrevi sobre a qualidade do turismo português (A qualidade como paradigma do Turismo Português – Outubro de 2013), em que defendi todo o trabalho que desde 1970 foi feito no seu desenvolvimento. Neste desenvolvimento, a qualidade foi sempre uma preocupação presente. Escrevi sobre a qualidade dos hotéis e a necessidade de uma formação hoteleira adequada e da promoção do país. Mas outros aspectos são tão ou mais importantes que estes. 

Para mim, a qualidade de um destino compõe-se de três vertentes muito importantes: a capacidade de fixação do turista, a capacidade de atracção desse mesmo turista e o seu acolhimento.

Estas três vertentes têm que ser implementadas com muita perseverança ao longo de todo o processo de consolidação de um qualquer destino turístico.

E foi isso que se passou em Portugal ao longo dos últimos cinquenta anos. Já escrevi sobre a implementação da capacidade de fixação. Importa agora referir os dois restantes aspectos.

terça-feira, 27 de junho de 2017

O Mercado de Trabalho Turístico Inclusivo

A Associação Portuguesa de Portadores de Trissomia 21 (APPT21) é uma associação que tem, entre outros objectivos, a procura de soluções que tornem as crianças e jovens portadores de trissomia 21, cada vez mais autónomos.

Se em relação às crianças já existem muitas técnicas e soluções de educação para a autonomia, já para os jovens o problema é mais complexo.

Nesta senda, desde 2014 que a APPT21 está envolvida no “Projecto OMO: On My Own at Work” em colaboração com parceiros espanhóis e italianos, num projecto que visa a inserção de pessoas com Perturbação do Desenvolvimento Intelectual (PDI) e melhorar o acesso a ofertas de postos de trabalho e de formação para estes cidadãos.

A metodologia envolve a criação e utilização de uma App que permite a autonomia do estagiário no posto de trabalho e uns vídeos construídos ad hoc com o intuito de melhorar a relação do indivíduo com PDI com os colegas e tutores. Ao longo do estágio, o estagiário tem um tutor que o acompanha.

terça-feira, 21 de março de 2017

Bolha no turismo?

Ultimamente, temos sido confrontados com excelentes notícias sobre o desempenho do turismo português. Aumento da procura, aumento das receitas, aumento da oferta de alojamento, com especial enfoque no alojamento local, aumento da oferta de emprego, aumento da oferta ao nível da animação turística, etc.

É claro que estas notícias são boas. Os vários destinos turísticos que se vão consolidando neste país começam a dar resultados e sobretudo a imagem de um destino low-cost atrai cada vez mais turistas. 

Já em tempos escrevi um artigo sobre a preocupação que tinha relativamente ao aumento da procura turística e ao peso que este aumento, aliado ao da oferta do alojamento local, exercia nas infraestruturas urbanísticas, com o risco de se criarem situações de rotura. E esta preocupação mantém-se!

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Dois em cada 10 turistas planeia comprar casa em Espanha

Segundo um inquérito realizado pela imobiliária Ibéria Real Estate, 20% dos turistas entrados em Espanha em Julho e Agosto planeiam comprar uma casa nesse país. São números impressionantes, para mais sabendo que o turismo em Espanha tem vindo a apresentar consecutivas taxas de crescimento nos últimos trimestres.

À cabeça encontram-se os turistas alemães, que revelam maior interesse pelas zonas de Levante, Catalunha e Mallorca. Aliás, este é outro dado curioso do inquérito: uma alteração dos destinos preferenciais, fugindo dos locais tipicamente mais procurados para outros, tais como as zonas da Andaluzia, Cantábria e Galiza.

Em termos de perfil de comprador, estes são casados, têm família e estão na idade dos 40-50 anos. Demonstram interesse pelo destino espanhol fruto, principalmente, dos focos de terrorismo que se vive noutras paragens, tais como França, Turquia ou Egipto.

Bons negócios (imobiliários)!

terça-feira, 4 de outubro de 2016

Onde investir em imobiliário?

Num recente painel promovido pela revista Property EU, alguns investidores pan-europeus responderam à seguinte questão: se tivessem € 500 milhões, onde investiriam?

Portugal aparece (quase) sempre nas respostas! Investir em turismo em Portugal ou mesmo em alguma reabilitação, parece ser ponto comum. Espanha também está incluída em quase todas as respostas, com alguns investidores a preferirem escritórios em Madrid e Barcelona.

Outro ponto interessante: aquilo que ninguém respondeu. Investimentos em retail e primeira habitação parecem estar fora do radar dos investidores.

Vejam aqui o vídeo integral.


Bons negócios (imobiliários)!

terça-feira, 7 de junho de 2016

A formação turística

No dia 16 de Maio celebraram-se os 25 anos da Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril. É, por natureza, a escola de referência para o sector e importa lembrar que outras há que são marcos importantes do excelente trabalho feito ao longo de cerca de 50 anos que leva já a formação profissional no sector. Nesta referência não podemos esquecer a Escola de Hotelaria do Porto, pioneira na formação superior em Portugal, cujo curso de Gestão Hoteleira ombreou com as escolas suíças. Aliás, a oferta turística francesa recorria muito aos formandos saídos desta escola sobretudo pela qualidade da formação aí feita.

Portugal é assim uma referência na formação turística e para tal concorreu a aposta que o sector fez nesta área. Cedo se percebeu que para ter um turismo nacional de qualidade tínhamos que apostar em duas vertentes em simultâneo: melhoria da qualidade da procura e melhoria da oferta. E estas duas vertentes tinham de viver e desenvolver-se em conjunto. Uma não “vivia sem a outra”. Se a qualidade da procura era da responsabilidade de quem se preocupava pela promoção, a qualidade da oferta tinha essencialmente duas componentes: a concepção do produto, essencialmente ligada à legislação dos empreendimentos turísticos e à capacidade dos promotores em conceber produtos adequados à procura, e a formação. E desde os anos 70 que esta preocupação foi assumida de forma muito séria por quem tinha a responsabilidade técnica e política de desenvolver o sector do turismo. 

O sucesso do desenvolvimento turístico do país assentou nas várias vertentes e a formação teve um papel central neste desenvolvimento. As décadas de 70 e 80 foram importantíssimas para o sector turístico. Nesta época foi criada uma das melhores legislações turísticas da Europa e uma formação de referência. Mas nada disto teria sucesso se não existissem empresários com visão e com a preocupação de que, para além da qualidade do seu empreendimento, este nunca seria concorrencial a nível internacional se não oferecesse um serviço de qualidade. E para tal era importantíssimo apostar na formação dos colaboradores. Tinham a noção exacta de que um “Bom dia” bem ou mal dado a um cliente ganhava ou não clientes para a unidade. 

E foi assim que entidades públicas e privadas deram as mãos e em conjunto avançaram para o desenvolvimento do sector nas várias vertentes. Mas não pensemos que o caminho foi fácil. Na área da formação, a capacidade de resposta era muito reduzida. As escolas tinham pouca capacidade formativa para as necessidades. Várias empresas tiveram de recorrer a acções de formação para os seus funcionários. Com a entrada na Comunidade Europeia em 1986, os fundos comunitários para a formação permitiram criar novas escolas e polos de formação profissional e sobretudo corrigir as assimetrias existentes entre as várias profissões. E é nesta altura que surge a Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril. No entanto, esta escola não resolveu o problema. A formação existente não cobria 50% das necessidades do sector e as assimetrias mantinham-se e até se agravavam. A expectativa dos formandos era a obtenção de uma licenciatura, expectativa lícita mas que não satisfazia as necessidades de um mercado cada vez mais exigente. 

Este problema agravava-se com a interioridade, ou seja, com a dificuldade de se conseguir mão-de-obra qualificada para trabalhar fora dos principais centros urbanos e das zonas turísticas mais significativas. E esta questão continua e continuará a fazer-se sentir. O custo da formação em algumas profissões turísticas, como por exemplo a de cozinheiro, implica equipamento muito específico e espaço físico para as aulas práticas. Se compararmos estas necessidades com outras profissões, como Gestão Hoteleira ou Recepcionista, poderemos compreender a existência destas assimetrias.

Existem profissões com saídas profissionais garantidas porque a formação é deficitária em relação às necessidades. Mas outras há em que se passa o contrário. Face a esta situação, muitos empreendimentos começaram a “roubar” empregados de outros empreendimentos, esquecendo-se de que se hoje são eles que “roubam”, amanhã serão eles os “roubados”. Ninguém ganha nada com estas situações, nem mesmo o empregado. 

Como conselho, se me é permitido, recomendaria aos futuros proprietários de empreendimentos turísticos., sobretudo no interior, que motivem os jovens locais a qualificarem-se nestas profissões com a promessa de terem emprego garantido. Ganha o empreendimento porque obtém profissionais formados de raiz, sem vícios e a viverem na sua área de implementação, ganham os jovens desafiados porque vão fazer uma formação com saída profissional garantida na sua área de residência e ganha o empresário porque “a tempo e horas” tem este problema resolvido.

A terminar, gostaria de endereçar as minhas felicitações à Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril pelos 25 anos de vida, Direcção, a todos os seus docentes e funcionários pelo trabalho que vêm desempenhando em prole da formação no sector do turismo mas também de louvar todas as escolas profissionais, publicas e privadas que, pela capacidade formativa que demonstram, têm contribuído para a qualidade do serviço dos empreendimentos turísticos do País.

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Por Rui Soares Franco
Consultor Turismo e Hotelaria

terça-feira, 15 de março de 2016

A cultura e o turismo

Se quiséssemos definir o que é o turismo poderíamos dizer que “Turismo é a visita do homem ao homem”. O conjunto das motivações que levam o homem a visitar o outro homem num determinado destino é o produto turístico desse destino. Se visito um destino por lazer, sou um turista de lazer, se o visito por motivos profissionais, sou um turista profissional, se o visito por motivos culturais, sou um turista cultural. No entanto, qualquer que seja a motivação da minha visita, esta tem sempre um pouco de motivação cultural quanto mais não seja pelo contacto entre pessoas onde existe sempre uma permuta cultural.

Daí que a cultura de um povo, identificação desse povo que se criou e desenvolveu num determinado território, configurado ao espaço e ao tempo, está sempre subjacente à visita turística que se faz a um determinado destino. 

Vem isto a propósito da importância que a cultura tem não só como factor de atracção turística mas também como factor de desenvolvimento turístico de um determinado destino.

Tendo presente esta questão, não posso deixar de ficar surpreendido com a recente demissão do Prof. Dr. António Lamas de Presidente do CCB, não só pela forma pouco polida de que a mesma se revestiu, mas sobretudo pela perca do saber de um homem que já muito deu e ainda pode dar à cultura e ao turismo do País.

Como amante de Sintra e conhecedor do seu património, gostaria de recordar a forma como este homem interveio no património de Sintra e ao longo dos anos o foi recuperando. Desde aos palácios quase em ruínas, como é o caso do Palácio de Monserrate ou o Chalé da Condessa de Elba, até aos parques que os envolvem, pouco a pouco tudo foi recuperado ao mesmo tempo que montava uma operação de promoção e rentabilização desse mesmo património por forma a torná-lo auto-suficiente. Criou inclusivamente um sistema inovador de bilhética que permite a visita de mais do que um monumento a preços reduzidos e que funciona como factor promocional desses monumentos.

E os resultados estão à vista: aumento significativo da procura turística daquele destino (em oito anos mais que triplicou a procura, cifrando-se actualmente em cerca de 2 milhões de entradas) assim como a melhoria significativa do ordenamento turístico. E todos beneficiámos deste trabalho feito por quem conhece e sabe como juntar estas duas actividades. Actualmente, a Parques de Sintra Monte da Lua é auto-suficiente e desempenha um papel fundamental no desenvolvimento turístico do destino SINTRA. 

A nomeação de António Lamas para a Presidência do CCB pretendia dar-lhe a oportunidade de aplicar a mesma fórmula, ao eixo Ajuda-Belém, com as necessárias adaptações, aproveitando a presença diária de tantos turistas naquela zona para se potenciarem outros monumentos e museus aí existentes e que tanto poderiam beneficiar com este esquema, tornando-se auto-sustentáveis como acontece actualmente com o Parques de Sintra Monte da Lua. Embora mais ambicioso (trata-se da zona monumental portuguesa mais visitada) todo o património beneficiaria, assim como os sectores da cultura e do turismo.

Num artigo recente no Jornal Público, José Manuel Fernandes critica o Ministro da Cultura por esta demissão e refere num PS final que: “O mundo da cultura, tão fervilhante no tempo das indignações à mínima unha encravada, está estranhamente silenciosa.” (Sic). Este comentário leva-me a pensar: E nós homens do Turismo não teremos também uma palavra a dizer? Não nos deveríamos revoltar com atitudes que levam a pôr em causa o futuro do nosso património?

Estamos numa época de grande crescimento da actividade turística no país, beneficiando da actual conjuntura e da procura crescente deste destino em detrimento de outros onde a segurança (actualmente o primeiro grande factor de selecção de destinos) está em risco. No entanto, temos que continuar a trabalhar para que se mantenha ou mesmo se melhore a atractividade do destino. Mas aquilo a que assistimos é precisamente o contrário. Afastam-se pessoas competentes a troco de argumentos nebulosos e pouco credíveis e de questões pouco transparentes. A troco de quê?

Creio que, a curto prazo, o sector não será muito afectado mas perde-se uma oportunidade de melhorar a nossa atractividade. A longo prazo logo se verá!

Já o sector da cultura irá certamente perder a oportunidade de tornar este património rentável e auto-suficiente e como português não posso deixar de me revoltar.

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Por Rui Soares Franco
Consultor Hotelaria e Turismo

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Para onde vão as estrelas?

Não se trata de previsões astrológicas! Nem de partilhar segredos e intrigas sobre as fabulosas festas para onde vão as estrelas na noite dos Oscars... Ou sobre as carreiras dos ex-concorrentes do “Chuva de Estrelas”...

Gostava mesmo de perceber o que vai acontecer às estrelas dos Hotéis. Para onde vão? Será que os seus critérios vão evoluir para passarem a incluir o carisma do staff, a localização, a piscina que não acaba, as vistas ou até conceitos inovadores, como termos, por exemplo, uma recepção que é simultaneamente um bar? Ou será que vão desaparecer por completo por serem incapazes de transmitir e reflectir tudo o que a boa hospitalidade pode ser, e que vai para além das rígidas regras de espartilhos regulamentares?

Este sistema que perdura há quase 100 anos e do qual, para já, os hoteleiros ainda estão completamente reféns (sobretudo na altura da concepção e projecto do edifício), foi uma invenção dos irmãos André e Édouard Michellin, que em 1900 lançaram o famoso guia Michellin. Com o intuito de promover a procura de carros (e o desgaste dos respectivos pneus...) passaram a oferecer um guia de viagens que incluía os melhores lugares para dormir e comer.

Mais tarde, a hotelaria adaptou-o, evolui-o e passou a classificar os estabelecimentos de 1 a 5 estrelas. Apesar das suas imperfeições e da falta dum conjunto de regras de classificação universal (não vamos mais longe, todos sabemos quão diferente é um 3 estrelas Português dum 3 estrelas Espanhol), este continua nos dias de hoje a ser o sistema mais utilizado em todo mundo como forma de diferenciar a oferta na hotelaria. Mas será que na era da internet, dos sites de comentários (reviews) e do social media, este sistema continua a fazer sentido?

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Porto no radar dos investidores hoteleiros

A procura no mercado hoteleiro e turístico está forte na Europa, e isso sente-se de forma generalizada, com impacto nos investimentos e em novos projectos de desenvolvimento.

Esta foi uma das principais conclusões retiradas da International Society of Hospitality Consultants’ annual conference, em Berlim.

Para além desta e de outras conclusões, uma salta à vista: do ranking das 10 melhores cidades europeias para investir de momento, está o Porto. O Porto é considerado como um destino emergente na Europa com fortes probabilidades de gerar rentabilidades interessantes ao investidor.

Quanto a tendências, o evento apontou algumas:
  • Procura superior à oferta: crescimento médio da procura tem sido consistentemente superior à da oferta nos últimos anos;
  • Crescimento de um modelo de arrendamento, em detrimento da propriedade directa. As cadeias hoteleiras e operadores continuam a manter interesse em aumentar as suas operações, sem que isso implique uma propriedade sobre o imóvel. Exemplo disso é o recente aumento da operação da Accor na Alemanha, sempre com base neste modelo de crescimento;
  • A desvalorização da moeda Euro provocou um forte afluxo de turistas internacionais ao mercado europeu;
  • Um excelente sistema de caminhos de ferro potencia viagens dentro do Continente num curto espaço de tempo em determinadas zonas da Europa.
Bons negócios (imobiliários)!

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Estrelas para que te quero!

Recentemente (Setembro de 2015) foram revistos os diplomas que regulam a oferta turística nacional. Em 3 de Setembro foi publicado o Decreto-Lei nº 186/2015 que introduz alterações ao Regime Jurídico dos Empreendimentos Turísticos (RJET) e em 25 de Setembro foi publicada a Portaria nº 309/2015 que regulamenta o sistema de classificação dos empreendimentos turísticos.

No RJET, verificamos uma preocupação significativa relativamente ao Turismo nas áreas integradas no Sistema Nacional de Áreas Classificadas (SNAC) com base na revisão em curso do Programa Nacional de Turismo da Natureza. Estas alterações demonstram uma preocupação com a criação de regras claras e objectivas para a fruição turística destas área que não podemos deixar de louvar.

Outra das preocupações prende-se com a desburocratização dos processos de licenciamento, preocupação esta que tem norteado este ciclo legislativo que se iniciou em 2008. Efectivamente, este diploma promove “(...) uma maior eficiência, simplificação e liberalização nos procedimentos administrativos” o que também é de louvar.

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Quantos portugueses têm 2ª habitação?

De acordo com um estudo realizado pela Remax Europa, 17% dos Portugueses são proprietários de uma 2ª habitação, valor em linha com a média europeia, já que 1 em cada 6 cidadãos europeus é proprietário de uma 2ª habitação.

Mas aquilo que é verdadeiramente surpreendente, é que existe uma percentagem muito superior de proprietários de 2ª habitações em países onde o rendimento médio é inferior.

A imagem acima mostra que é na Grécia onde se verifica a existência de um maior número de proprietários de 2ª habitação (em % da população local), sendo a Grécia o 4º país desta amostra com o menor rendimento mensal disponível. Polónia, Eslováquia, República Checa e Portugal seguem-lhe o exemplo.

Fazendo fé nas conclusões deste estudo, a compra de 2ª habitação não será tanto uma função do rendimento disponível. Provavelmente, questões como o clima - Grécia, Espanha e Portugal são todas elas localizações típicas de praia e sol - ou mesmo mais culturais poderão justificar a propriedade de uma 2ª casa. Outra questão que igualmente poderá influenciar a decisão de investimento de uma 2ª habitação passará pelos pesados custos em ser proprietário, algo que com certeza pesará na decisão nos cidadãos residentes nos países do Norte da Europa.

Bons negócios (imobiliários)!

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Dores de crescimento

Para aqueles que, como eu, são Pais, naturalmente saberão o que são "dores de crescimento". Algumas crianças, no seu processo de crescimento físico, sentem dores, por vezes fortes. São os ossos a crescer, dizem os médicos, daí o nome "dores de crescimento".

Olhando para a nossa economia, com especial atenção, claro está, para os mercados imobiliário, turístico e hoteleiro, fico com a nítida sensação que estamos a atravessar um período de crescimento. Esse crescimento tem sido bastante acentuado nos últimos tempos, depois de uma forte compressão da actividade entre 2010 e 2013, o que provoca uma natural... dor de crescimento!

Vamos por partes:

terça-feira, 16 de junho de 2015

Queremos mais turistas ou turistas que gastam mais?

Recentemente saíram notícias com revelações que me surpreenderam: a nível mundial, o turista chinês é aquele que mais gastou em compras tax free em 2014, seguido do americano. Tal figurino mantém-se no mercado português apenas com uma alteração: em 2º lugar aparece o turista russo e o turista americano em terceiro lugar. 

Por outro lado, assistimos a um crescimento exponencial do turismo "low cost", principalmente em Lisboa e no Porto, aliado sobretudo a duas realidades: o aumento do tráfego aéreo "low cost" e o aparecimento do alojamento local com preços muito mais reduzidos que a hotelaria tradicional.

Estes factos levam-me a colocar uma questão de base: o que interessa mais ao Turismo Português: um turista que consome ou um turista que apenas visita? 

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

O Sucesso do Turismo Português




Por Rui Soares Franco
ruioreysfranco@hotmail.com
Consultor em Turismo e Hotelaria




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«Portugal é um País pequeno onde o turismo de massas não tem lugar.»


No final do ano de 2014, o sector do turismo apresentou óptimos resultados. Todos os índices turísticos – chegadas de turistas, taxas de ocupação, revpar’s, dormidas, balança comercial – apresentaram crescimentos surpreendentes. Vale a pena pensar um pouco nos vários factores e intervenientes que contribuíram para este sucesso.

Acredito que este sucesso não se deve apenas a factores meramente conjunturais. Deve-se antes ao trabalho desenvolvido por todos os seus intervenientes, quer do sector público quer do sector privado ao longo dos anos. Como é óbvio resultados deste tipo não se conseguem de repente.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Indústria Hoteleira recupera em Portugal e Espanha

De acordo com dados recentemente publicados pela STR Global, Portugal e Espanha observaram ao longo de 2014 fortes crescimentos quer na ocupação, quer nos preços praticados na hotelaria.

Na realidade, Portugal atingiu o mais elevado Average Daily Room (ADR) dos últimos 7 anos, com um valor de € 86,32. Mesmo assim, esse valor encontra-se ainda abaixo do registado em Espanha, muito próximo dos € 100.

De qualquer forma, mesmo com um ADR inferior, Portugal conseguiu um crescimento no Revpar (Revenue per Available Room) bem superior ao registado em Espanha, com +12,5% do que em 2013. A taxa de ocupação, essa, é inferior, rondando os 66%, face a 70% em Espanha.


Bons negócios (imobiliários)!

terça-feira, 7 de outubro de 2014

O Alojamento Local e o aumento da procura externa - causas e consequências




Por Rui Soares Franco
ruioreysfranco@hotmail.com
Consultor em Turismo e Hotelaria




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O recente aumento da procura turística nos principais centros urbanos portugueses, nomeadamente Porto, Coimbra e Lisboa, levou-me a pensar o porquê deste boom e quais as suas causas e consequências.

A promoção turística feita internacionalmente sobre os melhores destinos europeus para 2014, nos quais incluía o Porto e Lisboa, criou certamente uma apetência muito grande por estes destinos. Se aliarmos a este aspecto, o facto do aumento da oferta de viagens low cost para Lisboa e Porto e a possibilidade de alojamento barato no destino, estão criadas as condições fundamentais para este incremento na procura.

Para tal situação, contribuiu o chamado alojamento local (AL) criado aquando da alteração legislativa de 2008 promovida pelo então Secretário de Estado do Turismo, Dr. Bernardo Trindade. Todos os empreendimentos turísticos que não se convertessem em Hotel ou Hotel Apartamento, caíam automaticamente no regime do Alojamento Local. Por outro lado, quem quisesse oferecer alojamento, fosse quartos, apartamentos ou moradias, poderia fazê-lo através da sua inscrição nesta modalidade junto das Câmaras Municipais respectivas, através de um processo de licenciamento muito simples, desde que cumprissem os requisitos mínimos para o fazerem.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

A invasão!

Fernando Vasco Costa
Strategic Consultancy
Jones Lang LaSalle









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Quem passeia nos centros de Lisboa e Porto, não precisa de ver os dados do turismo para constatar que o número de turistas que nos visitam está a aumentar de forma exponencial nos últimos tempos.

Lisboa, Porto e Portugal estão, de facto, na moda, com inúmeros prémios e destaques das mais diversas proveniências, reforçando a imagem deixada nos visitantes (85% dos turistas  afirmam que a viagem superou as expectativas num inquérito feito em Lisboa), o que potencia ainda mais o crescimento do turismo nos próximos anos.

São dados muito animadores para o nosso país, com um impacto evidente em toda a economia. O impacto mais positivo é sem dúvida na reabilitação dos centros históricos, outrora deixados ao abandono, com melhorias substanciais na qualidade urbana destes territórios.