menu

Mostrar mensagens com a etiqueta bernardo d'eça leal. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta bernardo d'eça leal. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

Porto: a nova coqueluche do turismo Português.

É inegável que Portugal está na moda e as suas cidades e regiões são atracções cada vez mais apetecíveis e reconhecidas. Não será apenas por razões fiscais que personagens como Philip Stark, Eric Cantona, Madona, Christian Louboutin, Monica Bellucci ou recentemente Scarlett Johansson escolheram Portugal para a sua nova morada, quando poderiam ter escolhido qualquer outro destino (também esse fiscalmente amigável).

Os prémios e os artigos na imprensa internacional acumulam-se. Em Junho deste ano, durante a última gala dos World Travel Awards (considerados os Óscars do Turismo Mundial), Portugal recebeu 36 prémios, entre eles, o Melhor Destino Europeu pelo segundo ano consecutivo, e Lisboa foi considerada o Melhor Destino Citadino Europeu pela primeira vez. Mas apesar do destaque que Lisboa tem tido nos últimos anos, há uma segunda cidade Portuguesa que vai surgindo como sua rival, em termos de notoriedade e ameaça agora roubar-lhe a ribalta. Estamos a falar do Porto, está claro. A Lonely Planet recentemente destacou o Porto como a melhor cidade Europeia que não uma capital.

O que mudou? Porquê agora?

terça-feira, 4 de abril de 2017

O F&B como factor de diferenciação de um hotel

Num artigo anterior, procurei reflectir sobre o papel histórico dos restaurantes em Hotéis. Olhando para os tempos mais actuais, conclui-se que nas décadas mais recentes, a tendência tem sido qualidade em vez de quantidade. Os restaurantes dos hotéis deixaram de ser vistos como amenities obrigatórios, passando a ser vistos como pontos de diferenciação ajudando ao posicionamento e à criação da identidade da unidade hoteleira.

Duas identidades integradas no mesmo conceito, mas com capacidade de identificação autónoma. É crucial definir a separação para que as actividades de F&B não sejam identificadas como exclusivas ao alojamento, valorizando a identidade global da propriedade. O oposto também não deverá acontecer: o hóspede não deve ver o restaurante como inatingível. Na altura de planear o hotel e a sua oferta de F&B deve aplicar-se um modelo baseado na procura esperada para determinar as áreas e conceito, tendo sempre em consideração factores como posicionamento, localização, características diferenciadoras do espaço (USP's) e alternativas existentes localmente para os hóspedes. 

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

São os restaurantes de hotel o patinho feio da hotelaria?

Nas últimas décadas os restaurantes de hotel têm lutado para ter a mesma notoriedade que os restaurantes de rua.  Os clientes habitualmente associam os restaurantes de hotel a menus aborrecidos, ausência ou indefinição de conceito, serviço e ambiente demasiado formais, falta de autenticidade e consequente escassez de clientes locais e, por último, preços exagerados e uma inevitável atribuição de uma má relação entre qualidade e preço.

Do ponto de vista operacional (e até legal), os restaurantes de hotéis são muitas vezes vistos pelos hoteleiros como um mal necessário ou um amenity obrigatório, operando na maioria dos casos como um centro de custos em vez dum centro de lucros. 

Quando olhamos para um P&L de um hotel, normalmente, a grande fatia de receitas, e principalmente de lucros, está relacionada com o que se passa nos pisos dos quartos. Os estudos apontam para receitas dos quartos entre 60% a 80% dos rendimentos totais do hotel e as receitas do F&B (Food & Beverage) algures entre 15% a 25% (percentagens variam consoante o tipo de hotel, i.e., cidade, resort etc.).

Durante muitos anos, o grande objectivo dos hoteleiros focou-se em minimizar os prejuízos do F&B e isso tornou-se num ciclo vicioso. Para tentarem reduzir custos baixavam a qualidade e a oferta, e isso reduzia ainda mais a procura tanto do cliente interno (hóspede) como do cliente externo (local).

Mas isto não foi sempre o caso. Os hotéis já foram os centros nevrálgicos da vida social. Há 40 ou 50 anos atrás, os hotéis e os seus espaços de F&B eram os centros sociais dos locais onde se inseriam. O que se passou então? A restauração de rua tornou-se mais atractiva, através da criatividade e inovação, e os hotéis pararam no tempo, deixando de ser pontos de atracção da comunidade local. 

Durante os anos 80 e 90, os hotéis quiseram ter oferta para todos os gostos e acabaram por perder identidade. Era normal, nessa altura, pensar e estruturar um hotel dividindo o espaço de acordo com rácios standard de metros quadrados de espaços de F&B por cada quarto. Para além de cumprir com esse rácio, era também obrigatório os hotéis terem diversos tipos de restaurantes dentro do mesmo espaço para servir momentos e vontades de consumo diferentes, muitas vezes com horários coincidentes, espalhando os clientes pelos vários espaços, perdendo ambiente e duplicando os seus custos operacionais.

Num próximo artigo, procuraremos entender quais as tendências actuais do F&B num Hotel e como deve ser levada a cabo a sua gestão.

--

Por Bernardo D'Eça Leal
Managing Partner
The Independente Collective
www.thecollective.pt

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Nómadas do Mundo: Como os Millennials estão a alterar a dinâmica das cidades.

O que é que Hackney (LDN), Queens (NY) e o Intendente (LX) têm em comum? Os três eram até recentemente bairros pobres, com muitos edifícios abandonados e com índices de criminalidade muito acima da média das suas cidades e agora são as novas moradas duma tribo que procura autenticidade e um sentimento de pertença a uma comunidade local.

Em cidades como Londres ou Nova Iorque esta gentrificação tem obviamente outra dimensão e velocidade que ainda não se vêem em Lisboa ou no Porto, mas em consequência do cosmopolitismo das nossas cidades, com a vinda de muitos estrangeiros (liderados pelos Franceses) que fazem das nossas cidades as suas novas moradas, tem-se visto bairros como a Graça e a Mouraria transformarem-se em zonas de residência destes nómadas que procuram experiências e lugares fora do comum. Esta falta de vergonha destes novos moradores para ocupar zonas da cidade renegadas pelos  Lisboetas, fez-nos olhar para estes bairros com um renovado olhar como se necessitássemos da sua validação para também nós aí procurarmos oportunidades de investimento ou uma nova morada para viver. 

terça-feira, 3 de maio de 2016

Alojamento para estudantes: Uma nova categoria de investimento imobiliário?

A comunidade de estudantes estrangeiros em Portugal aumentou drasticamente nos últimos anos. Segundo dados da Direcção Geral das estatísticas do Ensino Superior e Ciência, entre 2009 e 2014, o total de alunos não nacionais inscritos no ensino superior passou de cerca de 19 mil para quase 34 mil.

Para este aumento exponencial contribuíram decisivamente diversos factores, como os programas de mobilidade académica internacional, com especial destaque para o Programa Erasmus, e o Estatuto do Estudante Internacional, aprovado recentemente, que constitui uma oportunidade para atrair, cada vez mais, um maior número de estudantes estrangeiros.

As diversas Universidades Portuguesas tiveram também um papel preponderante, com um investimento significativo numa maior visibilidade internacional da qualidade do seu ensino, através de acreditações internacionais, as quais tiveram impacto na subida nos mais conceituados rankings internacionais. Para se adaptarem à nova procura, as Universidades aumentaram a oferta de cursos em língua inglesa, tendo organizado os seus currículos de forma a integrar o estudante internacional.

A facilidade de integração do estudante na comunidade local é muito elevada, pelas mesmas razões que aparecem no índice de satisfação de quem nos visita em turismo: a afectividade do povo; o bom nível de inglês do português médio; sentimento de segurança; clima; gastronomia; custo de vida e a relação preço-qualidade. A visibilidade através do aumento do turismo, e mais especificamente do turismo jovem, por via da abertura de várias ligações low cost e do destaque, através dos vários prémios internacionais ao longo dos últimos 8 anos, de Lisboa e Porto como as cidades com os melhores hostels do mundo.

Se a tudo isto juntarmos o lançamento da startup Portuguesa Uniplaces, a nova coqueluche da recente vaga de startups made in Portugal, que em 2013 criou um portal internacional para reserva de alojamento de estudantes e a exposição internacional dos programas de aceleração e incubação de startups como o Lisbon Challenge ou a Startup Lisboa, então temos a tempestade perfeita para uma série de mudanças no sector.

Esta nova realidade permite um olhar renovado relativamente a esta categoria de activos, com alterações significativas aos pressupostos do modelo financeiro do negócio.

Com a chegada desta nova comunidade, ruas e bairros que antes eram proibidos passam a fazer parte das suas rotinas, ou seja, há uma reinterpretação do conjunto dos critérios objectivos e subjectivos de avaliação da malha de geografia urbana. O seu poder de compra é muito superior ao do Português e têm facilidade na obtenção de crédito para financiar o seu percurso académico, alargando o leque de escolha e aumentando o nível de exigência relativamente ao produto e aos serviços associados. A forma como os alojamentos passaram a ser comunicados e distribuídos comercialmente teve um substancial impacto nas taxas de ocupação e preço. Nomeadamente, com a maturidade e sofisticação na evolução dos agentes de distribuição destes mercados estudantis e sobretudo a eficácia das suas plataformas online, específicas para estabelecer a ponte entre uma oferta pouco profissional destes produtos (tão diversificados e dispersos na cidade) e clientes de perfis ecléticos (ou mesmo antagónicos...) com perfis de busca confusos.

Assumindo que as recentes alterações na dimensão, distribuição e no segmento da procura terão impacto na rentabilidade da categoria, então as mudanças terão de passar forçosamente pelo lado da oferta, profissionalizando o sector e criando conceitos que vão ao encontro das necessidades e vontades desta nova “tribo”.

Com este pano de fundo, e apesar das especificidades do utilizador final, este tipo de alojamento temporário não deixa de se enquadrar na indústria da hospitalidade. Dentro da hospitalidade, os grupos que lidam com o turismo jovem serão aqueles que estarão melhor preparados para desenvolverem e explorarem conceitos que estarão algures entre um hotel e um hostel e a vida comunitária duma república estudantil.

--

Por Bernardo d'Eça Leal
Managing Partner
The Independente Collective
www.thecollective.pt

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Para onde vão as estrelas?

Não se trata de previsões astrológicas! Nem de partilhar segredos e intrigas sobre as fabulosas festas para onde vão as estrelas na noite dos Oscars... Ou sobre as carreiras dos ex-concorrentes do “Chuva de Estrelas”...

Gostava mesmo de perceber o que vai acontecer às estrelas dos Hotéis. Para onde vão? Será que os seus critérios vão evoluir para passarem a incluir o carisma do staff, a localização, a piscina que não acaba, as vistas ou até conceitos inovadores, como termos, por exemplo, uma recepção que é simultaneamente um bar? Ou será que vão desaparecer por completo por serem incapazes de transmitir e reflectir tudo o que a boa hospitalidade pode ser, e que vai para além das rígidas regras de espartilhos regulamentares?

Este sistema que perdura há quase 100 anos e do qual, para já, os hoteleiros ainda estão completamente reféns (sobretudo na altura da concepção e projecto do edifício), foi uma invenção dos irmãos André e Édouard Michellin, que em 1900 lançaram o famoso guia Michellin. Com o intuito de promover a procura de carros (e o desgaste dos respectivos pneus...) passaram a oferecer um guia de viagens que incluía os melhores lugares para dormir e comer.

Mais tarde, a hotelaria adaptou-o, evolui-o e passou a classificar os estabelecimentos de 1 a 5 estrelas. Apesar das suas imperfeições e da falta dum conjunto de regras de classificação universal (não vamos mais longe, todos sabemos quão diferente é um 3 estrelas Português dum 3 estrelas Espanhol), este continua nos dias de hoje a ser o sistema mais utilizado em todo mundo como forma de diferenciar a oferta na hotelaria. Mas será que na era da internet, dos sites de comentários (reviews) e do social media, este sistema continua a fazer sentido?